Criada em 2014, a GreenConstellation tornou-se, em pouco mais de uma década, uma referência nos serviços ambientais especializados. Em conversa com Miguel Brito, CEO da empresa, percebemos como uma formação em Engenharia do Ambiente e um gosto pessoal pela limpeza urbana e industrial deram origem a uma empresa inovadora que alia tecnologia de ponta à sustentabilidade e à eficiência operacional.
Com 11 anos de atividade, a GreenConstellation nasceu da vontade de fazer diferente. Miguel Brito, formado pela Universidade do Algarve, iniciou o percurso profissional numa sociedade de consultoria ambiental, onde durante 13 anos se dedicou a estudos e projetos na área. Mas o interesse por áreas mais operacionais, como a limpeza urbana e industrial, foi crescendo. “Sempre tive algum gosto por esta área e começámos a explorá-la na empresa anterior. Foi aí que percebi que queria dedicar-me a algo mais específico, sobretudo relacionado com drones”, revela.

A revolução dos drones
A viragem deu-se em 2015, após uma formação na Suíça aplicada a mapeamento aéreo com drone. “Regressei e implementámos tudo: comprámos o primeiro drone, os softwares, todo o material necessário”. Na altura, a área ainda era pouco explorada no Algarve, o que permitiu à GreenConstellation tornar-se pioneira. “Os nossos drones são da gama enterprise, preparados para trabalhos específicos. Temos modelos com câmaras multiespectrais para agricultura, que avaliam parâmetros das culturas e detetam pragas. Outros têm sistemas de geolocalização de alta precisão, ideais para inspeções técnicas e levantamentos topográficos, o que os drones lúdicos não conseguem fazer”, esclarece Miguel.
A diferença face aos métodos tradicionais é clara: “Num trabalho recente, fizemos o levantamento de coberturas de edifícios que demoraria um mês por métodos convencionais, e nós concluímos em dois dias”. Além da rapidez, os drones garantem segurança e exatidão, com resultados documentados e relatórios visuais de elevada qualidade.

Resposta rápida e técnica
A par da tecnologia dos drones, a GreenConstellation foi ganhando terreno em áreas como a desmatação, o abate de árvores e a manutenção silvícola. “Não tanto jardinagem, mas trabalhos mais técnicos”, sublinha Miguel Brito. Com clientes como a Algar, câmaras municipais e empresas privadas, a empresa consolidou-se como parceira na resposta a desafios que exigem rapidez e especialização. “Sabemos que o Estado nem sempre consegue implementar metodologias com agilidade ou pessoal altamente qualificado. Aí, entramos nós”, frisa.
Entre os projetos de destaque está a instalação de 2.500 chips em contentores de lixo, permitindo a monitorização em tempo real dos ciclos de recolha. Segundo o nosso entrevistado, o cliente precisava do trabalho feito em pouco tempo e “conseguimos montar uma equipa para responder em força”.
Desafios operacionais
Se a tecnologia avança, a burocracia nem sempre acompanha. A operação de drones em Portugal exige autorizações complexas. “Se for numa praia, por exemplo, temos que falar com a AAN, com o ICNF, com a Autoridade Marítima. E muitas destas entidades demoram bastante a responder”, o que na ótica de Miguel dificulta a resposta rápida que muitos clientes procuram. “Mesmo com tudo aprovado, se no dia estiver mau tempo, não podemos voar. É uma logística complicada”, analisa. Ainda assim, a GreenConstellation não abranda na inovação: “A chegada do LiDAR veio revolucionar a topografia: conseguimos mapear grandes áreas com precisão, mesmo em zonas com vegetação, sem trabalho de campo intensivo”.
A sazonalidade é outro fator determinante, especialmente no Algarve. “O pico de trabalho vai de março a setembro. É quando mais precisamos de pessoal e temos mais solicitações”, sublinha, acrescentando que nos restantes meses, a empresa adapta-se e assegura estabilidade às equipas com outras funções.
Formação e equipa como pilares
Com uma equipa de sete colaboradores efetivos, Miguel sublinha a importância de investir nas pessoas. “Temos conseguido atrair pessoas porque oferecemos boas condições. Muitos dos novos colaboradores chegam até nós por recomendação dos próprios funcionários”.
A GreenConstellation evita recorrer a trabalho temporário e aposta numa lógica de formação interna e contínua. “Não há uma formação no mercado que ensine alguém a fazer levantamentos topográficos com drones. Tudo o resto somos nós que ensinamos”, salienta o entrevistado. Reconhecendo a escassez de profissionais qualificados, Miguel mantém uma abordagem flexível: “Temos contactos com freelancers, especialmente com formações específicas. Outras vezes sou eu próprio a realizar os trabalhos”. A aposta em equipas estáveis e bem formadas tem sido essencial para garantir a qualidade dos serviços e a confiança dos clientes.

Crescimento com qualidade e proximidade
Apesar da ambição de expansão, a GreenConstellation mantém a sua filosofia de qualidade, que se baseia na proximidade com os clientes. “Queremos estar perto deles para garantir um serviço de excelência, por isso mantemos a atuação centrada no Algarve e Baixo Alentejo”, refere. Contudo, com o uso dos drones, a empresa já consegue atuar em todo o país e até nas ilhas, para serviços de curta duração. Já para projetos mais complexos, como desmatações, os custos logísticos aumentam, o que faz com que os clientes optem por empresas locais. No entanto, Miguel é otimista quanto ao futuro: “Há mercado. Há espaço para crescer em Portugal, especialmente porque o setor ainda está a amadurecer”. A confiança conquistada pelos clientes tem sido reforçada pela qualidade e inovação. Um exemplo marcante foi um cliente que duvidava da precisão dos drones. Após uma comparação entre medições manuais e os dados obtidos por drone, ficou convencido: “Contra factos não há argumentos”. A GreenConstellation aposta na inovação constante e na utilização dos drones mais recentes, sempre com foco em entregar valor justo ao cliente, sem cair na tentação de ser a opção mais barata.
Com uma base sólida de conhecimento técnico e uma equipa em crescimento, a GreenConstellation prova que é possível transformar uma visão empreendedora em um impacto real no território, aliando sustentabilidade, tecnologia e um serviço de excelência.




