Assegurar a sustentabilidade com gradualismo, sob pena de perda de competitividade. Mas as empresas têm de estar preparadas!
Após vários dias de negociações, os resultados da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP30 – mostram as divergências quanto à forma e ao timing de como as futuras ações climáticas devem ser implementadas. Houve um acordo de compromisso para aumentar o financiamento para lidar com o aquecimento global, no sentido de apoiar uma economia verde, mas foi omitida qualquer menção a um compromisso claro para eliminar os combustíveis fósseis.
Como tenho vindo a sublinhar, a sustentabilidade é um importante desígnio (e desafio) para as empresas – diria, para todas as organizações – para a sociedade e para os distintos territórios, seja à escala local, regional, nacional ou mundial. Contudo, percebemos que não poderá ser um imperativo a qualquer custo.

Tem de existir algum gradualismo, sob pena de perda de competitividade, nomeadamente face a outros mercados sem essas exigências, tal como destaca Mario Draghi no seu Relatório, a propósito deste tema a nível europeu. A Europa já se apercebeu da necessidade deste gradualismo e, nesse sentido, assistimos muito recentemente a alterações das regras, face às propostas iniciais, que estão a ter como consequência uma dilação no tempo da respetiva aplicação, fazendo com que o número de empresas na União Europeia com obrigação de fazer o reporte de sustentabilidade seja reduzido, por apenas os seus fornecedores diretos estarem sujeitos ao dever de informação. Ainda assim, o facto de estarem obrigadas a reportar acaba por alargar, em muito, o conjunto de empresas potencialmente abrangidas, muitas das quais serão micro e PME (MPME).
Deste modo, as MPME que passem a efetuar, também, o reporte de sustentabilidade, ainda que na versão simplificada e voluntária, terão uma vantagem competitiva no mercado.
Acresce que a exigência da sustentabilidade é induzida pelo mercado, com perfis de consumidores que valorizam produtos e serviços com práticas sustentáveis.
A adoção de tais práticas, nomeadamente através da economia circular, transição energética e descarbonização, contribui para gerar mais valor acrescentado (elevando a produtividade dos recursos, que em Portugal é de cerca de 58% da média europeia) e reduzir as nossas importações (as de produtos intermédios pesam mais de um terço) e, por essa via, melhorar o saldo externo.
Tudo isto depende, em grande medida, da capacitação dos agentes económicos. Apesar dos progressos alcançados, as empresas, os territórios e o país têm ainda um longo caminho a percorrer, para vencer os exigentes desafios da transição ambiental.
Neste trajeto, relevo a iniciativa lançada pela AEP no início de novembro: o Projeto Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade, que visa impulsionar o crescimento sustentável das MPME da região Norte, reforçando a sua competitividade e capacidade de adaptação aos desafios da sustentabilidade e da transição verde e digital. Integra ações potenciadoras do paradigma da gestão responsável e indutoras da competitividade empresarial sustentável, contribuindo para uma melhoria do posicionamento na cadeia de valor. Junta-se o mérito dos amplos efeitos de disseminação esperados pelo Projeto.
O NRN – Rumo à Sustentabilidade, apoiado pelo Norte 2030, é um bom exemplo de como devem ser aplicados os fundos europeus, pelo impacto na melhoria da produtividade e da competitividade, contribuindo para um crescimento e desenvolvimento económico mais robusto, sustentado e sustentável e, em “fim de linha”, para um aumento do bem-estar dos cidadãos.






