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Peixão no prato, com identidade em cada detalhe

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Nascido de um sonho e moldado pela experiência, o restaurante Peixão, em Santa Cruz, alia peixe fresco, marisco de qualidade e uma garrafeira de referência. À frente do projeto está Pedro Silva, autodidata e determinado, que transformou a paixão pela cozinha num espaço único, onde cada detalhe conta uma história.

O nome pouco convencional surgiu como surgem os melhores sonhos: sem aviso e com um propósito. “Surgiu durante um sonho. No dia seguinte perguntei a amigos o que achavam. Achei meio descabido, mas percebi que ficava no ouvido”, conta Pedro Silva. E ficou mesmo, hoje é um nome reconhecido por quem procura peixe e marisco de qualidade em Santa Cruz. O espaço abriu portas em 2019, e reflete a identidade do dono, com uma decoração pessoal e afetiva. “Gosto de tratar isto como a casa da minha avó”, diz. Espelhos antigos, móveis restaurados à mão, peças que contam histórias. “95% das coisas que estão aqui fui eu que fiz. Pinto, restauro e decoro”, menciona. Tudo tem uma intenção e contribui para o ambiente de conforto e autenticidade. “Quero proporcionar uma experiência, não apenas uma refeição”, sublinha. E o ambiente conta tanto quanto o prato. As pessoas sentem-se em casa, rodeadas de objetos com significado, música tranquila e uma vista serena sobre o mar.

Peixe, marisco e uma grelha com segredo

Natural de Torres Vedras, Pedro identificou desde cedo uma lacuna: “Nunca houve aqui nenhum restaurante focado em peixe e marisco. Decidi apostar naquilo que nos define, o mar”, refere. Começou pelo peixe grelhado, fiel às origens e ao produto local.

O sucesso levou à evolução do conceito. “Comecei a vender mais marisco, criei um aquário, e hoje somos também a marisqueira que a aldeia não tinha. Há uma procura clara, e felizmente conseguimos responder com qualidade”, destaca o entrevistado. A grelha é uma extensão da sua cozinha. “Temos uma boa grelha de carvão, e sabemos usá-la bem”, afirma. Essa simplicidade com rigor é o segredo. “O conhecimento é muito mesmo. Há seis anos que estamos abertos e em todas as plataformas somos considerados o melhor restaurante da zona”, salienta Pedro.

Pedro Silva, Fundador

 

Produto local, excelência regional

A filosofia de proximidade estende-se aos fornecedores. “Trabalho essencialmente com peixe e marisco. Tudo o resto compro aqui na região – vinhos, legumes, peixe – tudo de produtores locais. Cresci nesta terra, conheço as pessoas. Para mim, é uma questão de bom senso e respeito”, reconhece Pedro. Pedro acredita no valor daquilo que é nosso. “Hoje em dia estamos a produzir vinhos de excelente qualidade na região de Lisboa. Antes, éramos conhecidos pelo ‘vinho a martelo’, agora produzimos com distinção. Os brancos da nossa região são, para mim, os melhores do país”, acrescenta. A carta vínica do Peixão reflete essa aposta. “Comecei com poucos vinhos da zona. Hoje, cerca de 70% são da região de Lisboa. Tenho mais de 100 referências e vamos chegar às 300 com a nova garrafeira”, garante. A garrafeira – em construção – será uma das maiores da região Oeste. “Há clientes que vêm só pelos vinhos. Escolhem primeiro a garrafa e só depois a comida”, indica o gerente.

O sabor de um projeto feito à mão

Pedro Silva está envolvido em todas as áreas do restaurante. “Sou eu que crio o menu, escolho os vinhos e até trato das limpezas logo pela manhã”, partilha com simplicidade. Este envolvimento total confere ao Peixão um cunho de autor, mas também uma pressão constante. “Quando não estou cá, os clientes sentem falta. Não sei explicar porquê, mas custa-me não estar. Sei que a minha presença faz diferença”, destaca. Admite não ser naturalmente virado para o atendimento. “Não sou da conversa, mas sei que é fundamental receber, ouvir, dar a cara”. Essa ligação direta cria fidelidade e torna a experiência mais humana. “Faz diferença um chef vir à mesa, saber quem está ali, criar essa ponte”, afirma.

 

 

Dos hotéis ao mar de Santa Cruz

A paixão pela cozinha nasceu da necessidade. “Comecei a viver sozinho aos 15 anos. Tive de aprender a cozinhar. Depois ganhei gosto”, sublinha. Trabalhou em hotéis de referência, como o Grupo SANA e o Campo Real, e passou pelo Dubai. “Foi um investimento pessoal gigante. Não pelo dinheiro, mas pela visão que trouxe. Conhecer outras realidades, outras formas de gerir e de estar na cozinha”, comenta Pedro. Essa experiência internacional moldou a sua forma de trabalhar. “Em Portugal somos muito fechados. Lá fora ganhei outra visão. E saí ainda mais convencido de que somos dos melhores do mundo. Só não temos consciência disso”, observa.

Pedro defende que o verdadeiro valor está nas coisas simples – e na dedicação. “Hoje há uma crise de valores. As pessoas dão importância a tudo menos ao que deviam. Trabalhar na restauração é duro”.

 

 

Terraço, sunset e visão do futuro

O Peixão cresceu com tempo e consistência. Hoje, além da sala e da garrafeira, tem um terraço com 600 m². “No nosso rooftop, temos eventos todos os fins de semana, festas sunset, eventos privados. No verão é muito forte, no inverno é acolhedor. Trabalhamos com grandes empresas de Lisboa. O espaço tem identidade”, descreve o entrevistado. Há ainda o projeto da loja online de vinhos, que deverá arrancar em breve. “Será um negócio complementar. Muitos dos nossos clientes já vêm pelos vinhos, e queremos levar isso mais longe”, explica. Sobre o futuro, Pedro mantém os pés na terra. “Nunca fiz nada a pensar no lucro imediato. A marisqueira, o terraço, a garrafeira – tudo começou a render depois de muito investimento. As pessoas querem retorno rápido, mas as coisas boas demoram. É preciso investir primeiro em nós e no que acreditamos”, relata. Da vista sobre o mar ao prato bem servido, o Peixão é o resultado de uma filosofia pouco comum: foco na identidade, paixão pelo produto e respeito por quem ali se senta à mesa. “Este é o meu espaço. E é feito para quem valoriza o que é verdadeiro”, conclui. Num mundo onde tudo parece igual, o Peixão lembra-nos que o sabor autêntico e a dedicação sincera ainda fazem a diferença.

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