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Solfarcos: 10 anos de biotecnologia com impacto

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A Solfarcos celebra uma década de vida com um percurso que transformou ciência de laboratório em soluções com impacto real na saúde e no bem-estar. A entrevista a Artur Cavaco Paulo e Eugénia Nogueira, Fundadores da Solfarcos, reflete sobre os marcos que a consolidaram como referência em biotecnologia, os desafios de transpor a nanotecnologia da bancada de laboratório para o doente e a ambição de levar até ao mercado um medicamento inovador para a Artrite Reumatoide, desenvolvido integralmente em Portugal.

Ao olhar para este percurso de 10 anos da Solfarcos, que momentos considera mais decisivos na consolidação da empresa como uma referência em biotecnologia aplicada à saúde e à cosmética?

A criação da Solfarcos em 2016, como spin-off da Universidade do Minho, foi o ponto de partida de uma trajetória de translação científica. Destacamos a captação de financiamento europeu que permitiu levar a nanotecnologia FBL-MTX da investigação de base ao desenvolvimento clínico; a criação de capacidade interna em I&D e produção de produtos aplicados à saúde e ao bem-estar; e a consolidação de receitas próprias na área cosmética, que sustentam o investimento farmacêutico. O marco mais recente é a conclusão do estudo de Fase IIa do FBL-MTX em doentes com Artrite Reumatoide. A distinção no Prémio Nacional de Inovação deste ano reconheceu este percurso integral, realizado em Portugal, da ciência ao potencial impacto no doente e no Sistema Nacional de Saúde. Na área cosmética, a Solfarcos foi pioneira com o desenvolvimento de um ingrediente biotecnológico integrado em formulações para o controlo de odores.

 

Dra. Eugénia Nogueira e Prof. Dr. Artur Cavaco Paulo, Fundadores

 

Que balanço faz do percurso da Solfarcos desde a sua criação em 2016 até à fase atual, e que aprendizagens tiveram mais impacto na forma como a empresa inova hoje?

O balanço é o de uma empresa que transformou conhecimento científico numa capacidade de inovação aplicada. A aprendizagem essencial foi que a biotecnologia exige visão de longo prazo, rigor científico, proteção de propriedade intelectual, competências industriais e disciplina financeira. A Solfarcos evoluiu de uma equipa nascida em contexto académico para uma organização que gere, em simultâneo, desenvolvimento de ativos farmacêuticos e cosméticos, capacidade produtiva, regulamentação e atividade comercial. As receitas próprias geradas pela vertente cosmética permitiram reinvestir em I&D e avançar de forma autónoma com o FBL-MTX, sem abdicar da exigência necessária ao desenvolvimento clínico.

A Solfarcos está a avançar no desenvolvimento clínico de um medicamento inovador para o tratamento da Artrite Reumatoide. O que torna este projeto particularmente relevante do ponto de vista científico e clínico?

O FBL-MTX é uma formulação lipossomal direcionada de metotrexato que procura responder a uma limitação relevante do tratamento de primeira linha da Artrite Reumatoide. O metotrexato é eficaz, mas a sua distribuição sistémica e os picos de concentração na corrente sanguínea podem estar associados a efeitos adversos que dificultam a continuidade terapêutica. A nossa formulação lipossomal transporta doses ultra-baixas de metotrexato e utiliza folato na superfície para favorecer a interação com macrófagos ativados, as células envolvidas na inflamação articular. O objetivo é concentrar o efeito terapêutico onde é necessário, reduzindo a exposição sistémica. Os resultados da Fase IIa apontam para elevada tolerabilidade, com doses até 10x menores e administrações mais espaçadas.

Em que medida esta investigação em Artrite Reumatoide representa uma evolução natural da plataforma tecnológica da Solfarcos, e como se articula com a experiência acumulada noutras áreas de desenvolvimento?

A investigação em Artrite Reumatoide é uma expressão natural das competências da Solfarcos em nanotecnologia, péptidos bioativos e sistemas de entrega dirigida segundo requisitos de Boas Práticas de Fabrico farmacêutico. A experiência acumulada na estabilização de ativos e na engenharia de péptidos e proteínas para aplicações cosméticas reforçou competências de desenvolvimento, escalonamento e produção. Esta base tecnológica cria também potencial de adaptação a outras indicações em que a entrega dirigida possa reduzir toxicidade e melhorar a biodisponibilidade.

 

 

Quais são os principais desafios de transformar investigação de laboratório em soluções terapêuticas com potencial de aplicação real no doente?

O grande desafio começa quando uma tecnologia demonstra potencial no laboratório. É necessário assegurar que a formulação mantém qualidade, estabilidade e desempenho ao longo do tempo, que o processo é reprodutível e escalável e que responde aos requisitos clínicos e regulamentares. No FBL-MTX, é igualmente decisivo demonstrar um perfil de segurança compatível com uma doença crónica. A Solfarcos tem enfrentado este percurso através de competências internas e de colaboração especializada, incluindo o apoio da Bluepharma no fabrico, caracterização e controlo de qualidade, e da BlueClinical na implementação clínica e suporte regulamentar em todos os estudos realizados.

Que resultados ou indicadores esperam obter nesta fase avançada do estudo, e o que poderá significar um sucesso neste contexto para a Solfarcos e para a comunidade científica?

A Fase IIa foi desenhada para avaliar segurança, tolerabilidade e sinais de benefício clínico de acordo com a prática clínica definida pelas guidelines. Com 28 participantes, os dados reportados apontam para elevada tolerabilidade, eventos adversos maioritariamente ligeiros e auto-resolúveis e benefício clínico em doentes que avançaram para a extensão do estudo. Estes resultados terão de ser consolidados estatística e regulamentarmente, e confirmados nas fases seguintes. Um sucesso neste contexto significará a progressão no desenvolvimento clínico e a esperada entrada no mercado de um medicamento português altamente complexo baseado no fármaco de primeira linha para o tratamento da Artrite Reumatoide, com potencial para melhorar o conforto, a adesão terapêutica, os custos e a eficiência na gestão da doença.

 

 

Qual é a ambição da Solfarcos para a próxima década em termos de inovação, crescimento internacional e impacto na vida das pessoas?

A ambição para o FBL-MTX é levá-lo até os doentes, para que tenham acesso uma terapêutica de primeira linha com melhor tolerabilidade, melhorando o dia a dia de quem vive com Artrite Reumatoide, e reduzindo potencialmente a necessidade de progressão precoce para soluções terapêuticas mais complexas e de maior custo. Em paralelo, continuaremos a desenvolver e expandir as nossas criações em péptidos, proteínas recombinantes e nanotecnologia, não só como prestadores de serviços enquanto CDMO (Contract Development and Manufacturing Organization), como aplicando-as em produtos inovadores da área da saúde e bem-estar nos mercados nacionais e internacionais.

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Dia Mundial da Artrite Reumatoide
O Dia Mundial da Artrite Reumatoide assinala-se a 12 de outubro e tem como objetivo alertar para a doença, para a importância do diagnóstico precoce e para o apoio aos doentes.
A Artrite Reumatoide é uma doença autoimune, crónica e inflamatória, o que significa que o sistema imunitário ataca por engano os tecidos saudáveis do próprio corpo, focando-se principalmente na membrana que reveste as articulações. Causa inchaço, calor e dores fortes, sobretudo nas mãos e nos pés.
Em Portugal a A.N.D.A.R. é a Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatoide.

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