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As associações : O maior ativo invisível da economia e da sociedade

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Linda Pereira, CEO CPL EVENTS

 

Vivemos numa época em que muito se fala sobre inovação, investimento, competitividade e crescimento económico. Procuram-se soluções para aumentar a produtividade, atrair talento, estimular o empreendedorismo e fortalecer as economias. No entanto, existe um dos maiores motores de desenvolvimento do mundo que continua surpreendentemente invisível para muitos: as associações.

Tenho orgulho em dedicar grande parte da minha vida profissional a este setor e em ser reconhecida internacionalmente como especialista em associações. Não foi uma escolha estratégica; foi uma convicção que nasceu muito antes da minha carreira. Sempre acreditei que as pessoas conseguem ir mais longe quando trabalham em conjunto. Quando indivíduos com objetivos comuns se unem para partilhar conhecimento, defender causas, criar soluções e apoiar-se mutuamente, deixam de ser apenas profissionais ou cidadãos isolados. Tornam-se uma comunidade capaz de transformar setores, economias e sociedades. É precisamente isso que as associações fazem todos os dias.

Muito para além da representação institucional, as associações estabelecem padrões de qualidade, promovem investigação, investem na formação contínua, desenvolvem liderança, incentivam a inovação e criam redes internacionais de colaboração que dificilmente existiriam sem elas. São plataformas de conhecimento, confiança e progresso.

Num mundo onde o conhecimento é hoje o recurso mais valioso, as associações desempenham um papel insubstituível.

Paradoxalmente, em Portugal continua a existir um conhecimento muito limitado sobre este universo. Persistem ideias ultrapassadas sobre o movimento associativo e uma reduzida cultura de participação. Muitas pessoas aderem a uma associação apenas para constar da lista de membros, sem perceberem que o verdadeiro valor está na participação ativa, no voluntariado e na construção coletiva.

Essa realidade tem consequências. Na indústria dos congressos e eventos internacionais, por exemplo, os destinos competem ferozmente para atrair reuniões das grandes associações mundiais. Porém, essas candidaturas só vencem quando existem líderes nacionais reconhecidos dentro das suas comunidades internacionais, capazes de defender o seu país e mobilizar o apoio dos seus pares.

Sem participação ativa, não existe influência. Sem influência, dificilmente existem oportunidades. Os números demonstram de forma inequívoca a dimensão deste setor. Segundo o estudo Global Economic Significance of Business Events 2026, desenvolvido pelo Events Industry Council em parceria com a Oxford Economics, os eventos empresariais geraram, em 2025, cerca de 1,3 biliões de dólares em despesa direta, reunindo 1,65 mil milhões de participantes em mais de 180 países. No total, considerando os efeitos indiretos e induzidos, este setor representa 3,1 biliões de dólares em atividade económica, contribui com 1,8 biliões de dólares para o PIB mundial e suporta 24,2 milhões de postos de trabalho.

Se fosse um país, seria hoje a 16.ª maior economia do planeta.

E continua a crescer.

Uma parte muito significativa desta atividade resulta precisamente das associações, cujo ADN assenta em reunir pessoas, partilhar conhecimento, promover formação e fazer avançar profissões, indústrias e comunidades.

É por isso que continuo a afirmar o que disse durante décadas:

Não é o turismo que cria reuniões. São as reuniões que criam turismo. Mas, na verdade, criam muito mais do que turismo.

Criam ciência. Criam inovação. Criam investimento. Criam talento. Criam relações internacionais. Criam oportunidades para empresas e universidades. Criam desenvolvimento económico e social.

E, sobretudo, deixam um legado que permanece muito depois de os participantes regressarem a casa. Ao longo da minha carreira, investi milhares de horas em associações internacionais. Foi nelas que encontrei mentores, aprendi com alguns dos melhores especialistas do mundo, desenvolvi competências, estabeleci amizades para a vida e construí uma rede internacional que abriu portas à minha empresa e, muitas vezes, ao próprio país.

Mas acredito igualmente que também lhes dei algo em troca.

Porque é essa a essência do associativismo. Não se trata apenas daquilo que recebemos. Trata-se daquilo que escolhemos construir em conjunto. Num momento em que Portugal procura afirmar-se como uma economia baseada no conhecimento, na inovação e na internacionalização, talvez esteja na altura de olharmos para as associações com outros olhos. Não como organizações periféricas, mas como verdadeiras plataformas de desenvolvimento, diplomacia económica e transformação social.

Porque as associações não mudam apenas setores. Mudam vidas.

E, silenciosamente, ajudam a construir um mundo melhor, um dia de cada vez.

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