Devolver a liberdade visual e travar a progressão da miopia são as duas grandes missões de Liliana Reis, especialista em ortoqueratologia e fundadora do projeto pioneiro Ortho-K em Portugal. Numa área ainda pouco divulgada, aposta na inovação tecnológica e na educação para mostrar que é possível ver melhor e viver melhor, sem recorrer a cirurgia.
Ortho-K é um projeto pioneiro em Portugal exclusivamente dedicado aos tratamentos de ortoqueratologia. Quais são as principais vantagens do tratamento Ortho-K em relação às opções tradicionais, como óculos, lentes de contacto diárias ou cirurgia refrativa?
Ortho-K oferece liberdade visual durante o dia, sem óculos nem lentes. Atua durante o sono, permitindo acordar a ver bem de forma natural. Para crianças e jovens, além da liberdade para praticar desporto e viver sem limitações, existe um benefício ainda mais importante: ajuda a travar a progressão da miopia, reduzindo o risco de doenças oculares graves no futuro.
Para adultos, é uma alternativa não cirúrgica, não invasiva e reversível, que permite recuperar a liberdade visual, é ainda uma opção para quem fez cirurgia e a sua visão piorou.
As vantagens são liberdade visual, prevenção e segurança, oferecendo uma alternativa confiável em todas as fases da vida.

Quais os critérios clínicos e exames necessários para garantir que um paciente é elegível e seguro para iniciar o tratamento Ortho-K?
Cada paciente é avaliado de forma personalizada. Para tal, realizamos uma avaliação clínica completa. Esta análise rigorosa garante segurança, eficácia e, sobretudo, que cada paciente terá os resultados esperados.
Embora muitas vezes esteja associado à miopia, é importante sublinhar que pode ser aplicado também a astigmatismo, hipermetropia e, mais recentemente, presbiopia. Cada caso é único – e essa atenção ao detalhe é uma das grandes mais-valias do nosso projeto, permitindo oferecer uma solução totalmente personalizada.
Como é realizado o acompanhamento do paciente durante o tratamento Ortho-K e quais as medidas tomadas para garantir a saúde ocular a longo prazo?
O acompanhamento é contínuo e rigoroso, porque a saúde ocular é prioridade. Desde as primeiras noites avaliamos a evolução e a adaptação, ajustamos parâmetros sempre que necessário e ensinamos todos os cuidados de higiene, desinfeção e manutenção.
Ao longo do tempo, realizamos consultas periódicas para garantir que os olhos permanecem saudáveis e a visão estável. Este acompanhamento assegura resultados imediatos e protege a saúde ocular a longo prazo, oferecendo confiança e tranquilidade.
De que forma a Ortho-K pode impactar a qualidade de vida dos pacientes, considerando aspetos funcionais, psicológicos e sociais?
Se tivesse de resumir em apenas uma palavra o impacto, seria: liberdade. Não é só voltar a ver bem – é recuperar uma parte da vida escondida atrás de limitações que nem sabíamos existir.
Uma criança que antes evitava brincar com medo dos óculos passa a sentir-se livre. Um jovem que se envergonhava de usar óculos descobre nova autoestima no convívio social. Um adulto percebe que pode praticar desporto, viajar e trabalhar sem pensar nos óculos.
O impacto vai muito além da visão: o Ortho-K não é apenas um método para ver melhor – é uma forma de voltar a viver plenamente, sem barreiras.
Como é que o projeto Ortho-K se posiciona em relação às novas tecnologias emergentes na área da saúde visual, e que inovações futuras podem ser expectáveis para ampliar o seu impacto clínico?
O projeto nasceu com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que procuram recuperar a sua liberdade visual. Para garantir os melhores resultados, temos de estar sempre na vanguarda. Isso significa integrar tecnologia de ponta, investir em formação contínua e usar lentes de última geração, personalizáveis. Este rigor tecnológico e profissional garante não só a eficácia, mas também a segurança do método.
O futuro é agora – e já é bastante promissor. O maior impacto será disponibilizar esta oportunidade a mais pessoas e, quem sabe, abrir caminho para uma futura produção nacional.
A ortoqueratologia é vista como uma alternativa não cirúrgica. Como gostaria que fosse mais amplamente compreendida – tanto pelos profissionais de saúde como pelo público em geral – no que toca ao seu potencial terapêutico e preventivo, sobretudo na infância?
Na realidade, para a maioria das pessoas nem é considerada, porque desconhecem a sua existência.
Gostaria que fosse divulgada e conhecida como opção real para viver sem limitações visuais – podendo ou não optar, mas sabendo que existe. Por outro lado, desejo que seja entendida não apenas como alternativa aos óculos, mas também como estratégia de saúde pública para travar a epidemia de miopia.
Para isso, é essencial que profissionais de saúde, professores e famílias compreendam que a miopia não é apenas “ver mal ao longe”. Trata-se de uma condição que aumenta o risco de doenças graves, como glaucoma ou descolamento da retina, além de ter impacto imediato no desenvolvimento social e cognitivo.
Se conseguirmos travar a progressão da miopia na infância, estaremos a proteger a visão dessas crianças para toda a vida.
Já demonstrou a intenção de criar um livro infantil sobre a saúde visual. Acredita que o futuro da prevenção da miopia começa na literacia visual desde a infância? Que estratégias considera mais eficazes para sensibilizar famílias e escolas para este tema?
Acredito que o futuro da prevenção começa na educação visual desde cedo. Quando uma criança aprende, através de histórias simples e ilustrações, que deve brincar ao ar livre, fazer pausas do ecrã e cuidar da visão, está a criar hábitos que podem mudar a sua saúde para sempre.
O livro infantil é uma das ferramentas que quero disponibilizar para chegar às famílias de forma lúdica e acessível. Mas não basta: precisamos também de campanhas em escolas, programas comunitários e da colaboração dos profissionais de saúde.
Professores e famílias têm aqui um papel central – quando percebem que a visão pode mudar toda a vida de uma criança, tornam-se os maiores aliados nesta missão.
O mais importante é criar uma cultura de cuidado com a visão das crianças, porque ver bem é viver bem.
Liliana Reis é especialista em ortoqueratologia e fundadora do projeto Ortho-K – a primeira unidade especializada em Portugal dedicada exclusivamente a este método. Reconhecida internacionalmente entre os principais especialistas mundiais em ortoqueratologia, dedica-se a transformar a saúde visual de crianças e adultos através de uma abordagem integrativa, personalizada e humana.
Saiba mais em www.ortho-k.pt/ebooks






