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Mafra aposta em reforço estrutural das políticas sociais

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O Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, defende um reforço estrutural das políticas sociais no concelho, com especial enfoque na população sénior e no papel das instituições locais na resposta às crescentes necessidades de saúde e apoio domiciliário. Em entrevista, o autarca sublinha a importância de uma governação em rede, assente na cooperação entre município, terceiro setor e entidades sociais, para garantir respostas mais acessíveis, próximas e sustentáveis.

Uma política social centrada na população sénior

Hugo Moreira Luís reconhece que a transformação demográfica do concelho de Mafra exige uma adaptação profunda das políticas públicas, sobretudo na área social. Para o autarca, o envelhecimento da população deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma realidade que já condiciona a ação política local. “Falar de jovens sem falar de política social é incompleto. Temos de cuidar da população sénior com a mesma prioridade”, afirma, sublinhando que o município tem atualmente um papel determinante na criação de respostas ajustadas a diferentes perfis de envelhecimento.

O Presidente da Câmara Municipal de Mafra destaca ainda que este fenómeno não diz respeito apenas aos residentes naturais do concelho, mas também a novos habitantes que chegam em fases mais avançadas da vida, atraídos pela qualidade de vida e pela proximidade familiar. Muitos destes séniores vêm acompanhar filhos e netos que se fixaram na região nos últimos anos, o que cria novas exigências ao nível da integração social e dos serviços disponíveis. Neste contexto, torna-se essencial que as políticas locais acompanhem esta transformação, reforçando não só a capacidade de resposta dos serviços já existentes, mas também a criação de iniciativas que facilitem a integração destes novos residentes na vida comunitária. A promoção de redes de vizinhança, o apoio a projetos intergeracionais e o incentivo à participação em atividades municipais surgem como medidas fundamentais para mitigar o risco de isolamento e fortalecer a coesão social no concelho.

 

Hugo Moreira Luís, Presidente da CM Mafra

 

Academias séniores e integração ativa

Entre as respostas já implementadas, o autarca destaca o papel das academias séniores, atualmente três no concelho, que considera estruturas fundamentais na promoção do envelhecimento ativo. Mais do que espaços de ocupação de tempo livre, estas academias assumem-se como plataformas de aprendizagem contínua, participação cívica e partilha de conhecimento entre gerações. “Estas academias contribuem para a promoção da atividade física e cognitiva dos séniores, incentivando simultaneamente a partilha de conhecimentos e experiências”, refere Hugo Moreira Luís, acrescentando que existe uma riqueza de experiência acumulada que deve ser valorizada. Neste contexto, o presidente da autarquia tem vindo a desafiar estas estruturas a aprofundarem também o conhecimento sobre a identidade local e o património cultural do concelho, transformando os seus participantes em verdadeiros embaixadores de Mafra. “Queremos que sejam verdadeiros embaixadores da cultura e da identidade de Mafra”, sublinha, defendendo que esta ligação ao território contribui também para reforçar o sentimento de pertença e coesão social. As academias desempenham ainda um papel importante na integração de novos residentes séniores, facilitando a sua adaptação à comunidade e promovendo o convívio intergeracional.

Cuidados de saúde e apoio domiciliário

Um dos principais desafios identificados pelo presidente da Câmara Municipal de Mafra prende-se com a capacidade de resposta na área dos cuidados de saúde e do apoio domiciliário, especialmente para a população mais envelhecida e com menores recursos económicos. Hugo Moreira Luís reconhece que estas áreas continuam a representar uma pressão significativa sobre o sistema social, sendo frequentemente asseguradas por instituições do terceiro setor.

“As IPSS, Santas Casas e Centros Sociais têm sido essenciais, mas estão subfinanciados”, alerta o autarca, sublinhando que estas entidades desempenham um papel insubstituível na resposta de proximidade, mas enfrentam limitações estruturais ao nível do investimento e da capacidade de expansão. Perante este cenário, defende que a solução não pode recair exclusivamente sobre uma única entidade, mas sim resultar de um modelo de cooperação alargado entre o município e o terceiro setor.

“Tem de ser a Câmara, em conjunto com estas instituições, a investir no aumento da oferta”, afirma, defendendo uma lógica de parceria que permita reforçar infraestruturas, alargar serviços e garantir maior cobertura territorial. Esta visão implica também a contratação de serviços e o reforço da capacidade instalada, de forma a responder a uma população cada vez mais envelhecida e com maiores necessidades de apoio continuado.

Parcerias como resposta estrutural

O Presidente da Câmara Municipal de Mafra insiste que nenhuma entidade, por si só, consegue dar resposta eficaz às exigências atuais da ação social. Para Hugo Moreira Luís, o papel das instituições locais é fundamental na gestão operacional dos serviços, mas estas necessitam de apoio estrutural para garantir sustentabilidade e crescimento. “As instituições são fundamentais na operação, mas precisam de apoio para investir”, refere, defendendo uma maior articulação entre o poder local e as organizações sociais.

Este modelo de parceria implica, segundo o autarca, uma visão integrada da política social, onde o município assume um papel de facilitador e investidor, em conjunto com entidades como IPSS e outras organizações do terceiro setor. O objetivo passa por criar uma rede de resposta mais robusta e eficiente, capaz de responder a diferentes níveis de dependência e vulnerabilidade social.

 

 

Um compromisso com maior acessibilidade

Outro dos pontos destacados na entrevista prende-se com as dificuldades de acesso a cuidados de saúde por parte de uma franja da população com menor poder de compra. Hugo Moreira Luís reconhece que existem cidadãos que não conseguem suportar os custos associados a cuidados básicos, o que exige uma intervenção mais ativa por parte do município.

“Há pessoas que não conseguem pagar cuidados básicos. O município tem de garantir respostas mais acessíveis”, afirma, defendendo a criação de mecanismos que permitam reduzir desigualdades no acesso a serviços essenciais. Esta abordagem passa pela articulação com instituições locais e pela criação de soluções que permitam disponibilizar cuidados a preços mais acessíveis, garantindo maior equidade social.

Uma estratégia em desenvolvimento

Apesar de algumas medidas ainda se encontrarem em fase de discussão e preparação, o autarca garante que o trabalho já está em curso e que existem avanços significativos na definição de novas políticas sociais. “Encontra-se já em curso o trabalho neste âmbito, sendo que as medidas atualmente em discussão constituem um progresso significativo”, refere, sublinhando que o processo de construção destas soluções exige tempo, articulação institucional e planeamento.

Sem antecipar decisões concretas, Hugo Moreira Luís deixa claro que o objetivo passa por reforçar a capacidade de resposta do concelho, acompanhando as transformações demográficas e sociais. O foco está na criação de soluções estruturais e não apenas conjunturais, capazes de garantir sustentabilidade a médio e longo prazo.

 

 

Um futuro assente na cooperação

No encerramento da entrevista, o autarca reforça a ideia de que o futuro de Mafra depende da capacidade de cooperação entre todos os agentes locais. Para Hugo Moreira Luís, a resposta social não pode ser fragmentada, mas sim construída em rede, com responsabilidades partilhadas entre município, instituições e comunidade. “O objetivo é garantir que ninguém fica para trás. O município tem de ser um pilar de suporte em articulação com quem está no terreno”, conclui.

Esta visão aponta para um modelo de governação mais colaborativo e próximo, onde a resposta social se estrutura em torno da proximidade, da acessibilidade e da cooperação institucional, consolidando Mafra como um território atento às necessidades da sua população sénior e comprometido com a inclusão social.

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