Há mais de duas décadas a transformar ideias em experiências memoráveis, a iMotion Events construiu uma assinatura própria no universo dos eventos corporativos: ser “arquitetos de momentos”. Para Angelina Castel‑Branco, Partner da empresa, isso significa muito mais do que criar ocasiões — é projetar emoções, desenhar narrativas e construir experiências com propósito, onde cada detalhe tem intenção e cada evento se torna uma história que fica na memória.
De que forma o vosso posicionamento como “arquitetos de momentos” se traduz, na prática, em decisões concretas de conceito, narrativa e execução em cada evento que desenham?
Quando dizemos que somos “arquitetos de momentos”, não é uma metáfora vazia, é uma forma muito concreta de trabalhar. Na prática, ser arquiteto implica começar sempre por uma escuta profunda. Antes de pensarmos em cenografia, tecnologia ou entretenimento, procuramos compreender o propósito do evento: o que é que esta marca, empresa ou líder quer verdadeiramente provocar? Quer inspirar? Quer celebrar? Quer transformar a cultura interna?
A partir daí, desenhamos um conceito estruturado, como um projeto de arquitetura. Definimos uma narrativa central que orienta tudo: naming, identidade visual, conteúdos, oradores, ambiente, experiência. Nada é aleatório. Cada detalhe serve a história. Caso contrário, é apenas mais um evento.
Na execução, pensamos na jornada completa, do convite ao que fica depois. Planeamos com rigor, antecipamos riscos e criamos soluções à medida. Trabalhamos com equipas e parceiros que partilham os mesmos padrões de excelência, fazemos planeamento rigoroso, antecipamos riscos e criamos soluções personalizadas, nunca formatos replicados. Costumo dizer, várias vezes, em tom de brincadeira, que “não tiramos propostas da gaveta”.
Um evento não é só logística. É a construção intencional de uma experiência que tem impacto real nas pessoas e é isso que procuramos entregar há mais de 20 anos.

Num setor em que muitos prometem experiências memoráveis, o que distingue, de forma tangível, a iMotion Events na forma como combina criatividade, tecnologia e emoção para elevar marcas e pessoas?
Num setor onde todos prometem experiências memoráveis, a diferença está no compromisso entre criatividade, viabilidade e emoção. Na iMotion, uma ideia que não é exequível não chega ao cliente. Tecnologia ajuda, mas não salva um evento sem emoção. O que fica é o arrepio, não o equipamento.
Há pouco tempo, num evento no Pavilhão Carlos Lopes para 700 pessoas, percebi isso de forma muito clara. Assim que abrimos portas, os convidados paravam no patamar, antes de descer para a arena, para fotografar o espaço. O engagement foi imediato. As pessoas sentiram que estavam a entrar em algo especial e precisaram de o registar antes sequer de ocupar o seu lugar.
Foi especial, não pela complexidade técnica, mas pela atmosfera criada. Sentiram que estavam a entrar em algo que iria ficar na memória. É essa combinação de criatividade, execução e emoção autêntica que nos distingue.
Como é que a vossa paixão pela ação – transformar visões em realidade e ideias em experiências – influencia a forma como gerem risco, orçamento e expectativas dos clientes ao longo de todo o projeto?
A paixão é a minha palavra de eleição. Mas é sustentada por estratégia. Lemos o cliente muitas vezes para lá do briefing e construímos propostas que permitem “ver” o evento antes de acontecer. Temos equipas de estratégia, 2D, 3D, copy, storytelling e produção que pensam cada detalhe ao milímetro. O desafio surge quando a visão encontra o orçamento. Ajustamos, reformulamos, priorizamos. Raramente uma proposta avança à primeira. Mas é precisamente aí que entra a nossa flexibilidade, a nossa proximidade com o cliente e, muitas vezes, a nossa capacidade de arriscar. Gerir risco é antecipar. Gerir orçamento é proteger o essencial. Gerir expectativas é manter proximidade. Há momentos em que vamos com tudo, porque acreditamos mesmo na nossa ideia, e isso, no final do dia, faz toda a diferença. É uma vida intensa e exigente. Mas continuo a escolhê-la todos os dias, com a mesma paixão.
Numa fase em que estão a expandir fronteiras e geografias, que papel assume Portugal como palco de grandes eventos internacionais e como é que a iMotion Events se posiciona como parceiro estratégico nesse contexto?
Portugal é hoje um palco extraordinário para eventos internacionais: infraestruturas sólidas, diversidade de cenários e profissionais muito qualificados. O país está claramente no mapa internacional, não apenas como destino turístico, mas como destino de produção de eventos de alto nível. Na iMotion, apostamos estrategicamente no incoming. Trabalhar mercados externos exige maior exigência técnica, cultural e criativa mas também desafios muito estimulantes: públicos culturalmente mais diversos, timings de planeamento mais alargados, requisitos técnicos e criativos distintos dos eventos nacionais e, muitas vezes, estruturas orçamentais também diferentes.
Conhecemos profundamente o território e posicionamo-nos como parceiro estratégico, não somos apenas um operador local. Somos estratégia, conceito, design e produção numa estrutura integrada. Essa visão integrada é uma vantagem competitiva clara face a estruturas mais orientadas apenas para a operação ou incentivos, que não é o nosso caso.
Portugal é o palco. Nós garantimos que o espetáculo está à altura!
Que métricas e indicadores consideram essenciais para provar que um evento não foi apenas bem organizado, mas que efetivamente gerou conexões, aprendizagens e transformação duradoura para a marca e para os participantes?
Organizar com excelência é o ponto de partida. O que importa é o impacto. Medimos satisfação, relevância e probabilidade de recomendação. Mas há métricas mais profundas: o debrief com o cliente, a mobilização das equipas e, sobretudo, a continuidade.
Quando um evento gera continuidade, confiança e vontade de voltar a trabalhar em conjunto, sabemos que não foi apenas bem organizado, foi relevante. Temos clientes connosco há 20 anos. Marcas que repetem. Projetos que surgem por recomendação.
Sempre que possível e solicitado pelo cliente também recorremos a questionários de satisfação e avaliações pós-evento para medir indicadores mais objetivos. E, no final, essa consistência ao longo de duas décadas é talvez a métrica mais honesta de todas. Significa que estamos, de facto, a trabalhar lado a lado com o cliente e não apenas a executar um evento.

Num futuro em que “a inovação é a regra”, quais são as tendências que acreditam que vão redefinir o desenho de eventos nos próximos anos e como é que a iMotion Events se está a preparar para continuar a ultrapassar limites?
Inovação já é requisito mínimo. O que vai redefinir eventos é a integração com propósito. Vejo três grandes movimentos:
– Personalização real da experiência: Os públicos estão mais exigentes, mais informados, com menos tempo e menos disponíveis para formatos standard. Os eventos estão a ser, cada vez mais, desenhados à medida.
– Tecnologia usada com critério, para amplificar emoção. Usar por usar, é só gastar dinheiro no nosso orçamento que já é reduzido.
– Sustentabilidade com impacto concreto.
Preparamo-nos investindo em equipa, visão estratégica e cultura criativa inquieta. Ultrapassar limites não é fazer mais complexo.
É fazer mais relevante. E é essa mentalidade que nos vai continuar a guiar nos próximos anos.






