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Expetativas e perspetivas dos gestores das Empresas Americanas em Portugal 2026

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A AmCham Portugal, em parceria com a PwC, enquanto Knowledge Partner, apresentaram dia 10 de fevereiro, em Lisboa, os principais resultados da 4ª edição do executive survey aos gestores das Empresas Americanas em Portugal, que pretende identificar as principais expetativas destes para 2026.

Principais resultados do Survey:

• As empresas americanas em Portugal revelam maior confiança nas perspetivas económicas para 2026, tanto a nível nacional, como internacional.

• 78% das empresas antecipam um crescimento do seu volume de negócios em 2026 e mais de 60% planeiam realizar novos investimentos.

• Quando questionados relativamente aos principais desafios para 2026:

Para a empresa, a competitividade do mercado (54%), a complexidade regulatória e processos burocráticos (49%) e as ciberameaças (41%)

Para o setor, também a competitividade (51%), seguido pela dificuldade em atrair e reter talento qualificado (49%) e da complexidade regulatória (43%).

Para Portugal, a complexidade regulatória (62%), a dificuldade em atrair e reter talento qualificado (57%) e a instabilidade económica (46%).

No plano geoestratégico, a inovação tecnológica e a digitalização na Europa foram identificadas como os principais desafios geoestratégicos para os negócios, com uma média de impacto de 4,3 numa escala de 0 a 5, seguidos da influência dos Estados Unidos e europeia no contexto global, ambas com 3,7, e das relações comerciais transatlânticas (EUA-UE).

No que respeita à inteligência artificial (IA) assume um papel central nas estratégias empresariais: 94% das empresas já investem em IA, sendo que mais de metade se encontra numa fase de desenvolvimento. Ainda assim, o nível médio de maturidade permanece intermédio, o que evidencia um considerável potencial de crescimento, mas também uma necessidade de consolidação.

Muitas são as empresas que referem já investir em IA, contudo ainda poucas formalizaram processos de IA ou definiram um roteiro definido para iniciativas de IA ou atraíram talentos qualificados para a IA.O estudo indica ainda que as tarifas comerciais entre os EUA e a União Europeia tiveram, até ao momento, um impacto limitado na maioria das empresas: 84% referem um impacto moderado, reduzido ou inexistente. Ainda assim, existe um forte consenso relativa à necessidade de existir uma resposta comercial coordenada da Europa, baseada na cooperação entre países e regiões.

Já a análise à legislação e incerteza regulatória nos EUA revela ter um impacto considerável nas empresas, influenciando decisões relacionadas com localização de operações, preços e investimento direto.

Já em Portugal, as recentes alterações à legislação de imigração e vistos começam a influenciar decisões estratégicas, mas continuam a significar alguns entraves, com destaque para a burocracia e os longos prazos, apontados por 72% das empresas como o principal obstáculo à atração de talento estrangeiro.

Por fim, no domínio da sustentabilidade, apesar do reforço das exigências regulatórias europeias, a maioria das empresas indica um impacto limitado nos seus negócios. Uma parte significativa já integrou critérios de sustentabilidade nas suas cadeias de abastecimento, identificando alguns desafios com a complexidade regulatória e oportunidades ligadas à diferenciação competitiva.

Em síntese, os resultados do estudo revelam um reforço da confiança das empresas americanas em Portugal, sustentado por expectativas positivas de crescimento e investimento, mas também evidenciam a necessidade de respostas estruturais ao nível da regulação, da atração de talento e da competitividade. Num contexto internacional marcado pela incerteza geopolítica e pela rápida evolução tecnológica, Portugal mantém-se atrativo, embora dependa cada vez mais da eficiência institucional e da previsibilidade regulatória para consolidar o seu posicionamento junto dos investidores internacionais.

Sobre o evento:

Decorreu em Lisboa, nas instalações da PwC no Palácio Sotto Mayor, no dia 10 de fevereiro de 2026.

Após a abertura do evento pelo Presidente da Câmara de Comércio Americana/AMCHAM em Portugal, Engº António Martins da Costa, tivemos a intervenção do Secretário de Estado da Economia, Dr. João Rui Ferreira seguida da intervenção do Dr. José Bizarro Duarte – Partner da PwC.

Seguiu-se um painel, com os seguintes intervenientes:

Carlos Freire – CEO da AON,

Hugo Marcelo Nico – Diretor-Geral da Tabaqueira,

João Machado – Executive Committee Member do Pestana Hotel Group e

João Mota – Membro do Conselho de Administração da VOID Software,

Moderadora: Cristina Cabral Ribeiro – PwC Legal Managing Partner.Entre desafios económicos e tecnológicos, Portugal mantém-se resiliente – e as empresas já olham para 2026 com estratégia e confiança.

Na sessão “Olhar 2026 – Perspetivas em Debate”, o Secretário de Estado da Economia, Eng.º João Rui Ferreira, sublinhou a importância dos fatores estratégicos que reforçam a competitividade do país: capital humano qualificado, setor energético eficiente, infraestrutura digital e posição como ponte atlântica.

No painel de debate que se seguiu, essas tendências foram reforçadas: Carlos Freire salientou a importância da gestão de risco e da resiliência, destacando a relação direta entre medição de exposição ao risco e capacidade de recuperação das organizações; João Mota partilhou a experiência de crescimento no mercado norte-americano salientando que o mercado norte-americano valoriza mais claramente o produto e a inovação. Referiu-se ainda ao mercado americano, comparativamente com o europeu, como “o mercado americano não é desregulado, mas é sim menos burocrático”; João Machado destacou o investimento em talento e tecnologia do Grupo Pestana como factores determinantes; e Hugo Marcelo Nico sublinhou o papel da inovação e da sustentabilidade e o peso das exportações na Tabaqueira (95% da produção). Partilhou que “Neutralidade carbónica já foi alcançada, mas continuamos a investir em eficiência energética e hídrica”.

Num contexto internacional cada vez mais exigente, fica uma ideia central: há desafios claros, mas também confiança nas condições de Portugal para continuar a crescer e competir globalmente.

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