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Excelência em cada tonelada transportada

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A Almeida & Neto, sociedade de transportes, unipessoal, é uma empresa consolidada no panorama dos transportes rodoviários de mercadorias em Portugal. Com sede em Massamá, Sintra, foi fundada em 1994. A empresa tem sabido responder ao crescimento do mercado de construção e à procura por cargas complexas, sustentados por uma frota considerável e uma equipa experiente. Nesta entrevista, Paulo e Paula Rainho, que lideram a companhia, revelam os bastidores de uma operação onde cada viagem conta e cada tonelada pesa, tanto no betão transportado como no coração do negócio.

Raízes do negócio familiar e legado

Paulo Rainho assume que a entrada no setor de transportes teve um carácter marcadamente familiar: “Comprei a empresa em 2014 a um colega do meu pai”. A história da Almeida & Neto espelha um negócio onde o conhecimento foi sendo passado de geraçao em geração, depois do seu pai ter mantido a sua própria empresa durante vários anos, período em que Paulo iniciou funções e consolidou o saber que hoje coloca ao serviço da atividade transportadora.

A trajetória da empresa foi tudo menos linear: entre mudanças de gestão e desafios inesperados, Paulo enfrentou períodos de afastamento e retomou o rumo com resiliência. “Comprei um primeiro camião e fui aumentando devagarinho, passo a passo, conforme surgiam oportunidades”, conta. Hoje, a Almeida & Neto conta com cerca de 42 camiões, fruto de crescimento sustentado, visão estratégica e muito trabalho.

Parcerias que impulsionaram o crescimento

Um dos motores do crescimento da Almeida & Neto tem sido a colaboração com empresas de betão e construção. “Começámos a trabalhar com alguns parceiros, e com o tempo fomos alargando a nossa rede de clientes e colaborações”, explica Paula Rainho. “Isso impulsionou também o crescimento a nível de parcerias”, sublinha.

Confessa, numa mistura de preocupação e confiança: “Eu sou um bocadinho mais cautelosa. Já tínhamos quatro camiões, e eu achava que era suficiente. Mas ele foi comprando, e eu fui confiando, o Paulo tem muito know-how e experiência nesta área”.

Essa colaboração estreita com centrais de betão, sobretudo quando estas exigem soluções logísticas pesadas para transportar betão fresco, consolidou uma posição estratégica para a Almeida & Neto no nicho, reforçando a sua relevância num setor exigente e competitivo.

 

Paula e Paulo Rainho, Administradores

 

 

A margem inclinada dos custos operacionais

Gerir uma frota pesada não é simples: os custos de combustível, manutenção e tempo parado são desafios diários. Paulo Rainho explica sem rodeios: “É uma questão de sorte, só se ganha aquilo que se transporta. É um transporte ao metro e é ingrato, porque se os carros estiverem parados não se ganha nada”. A pandemia, para a empresa, foi uma prova: “Quando foi na altura do Covid, a nossa sorte foi que a construção não parou, senão a empresa já não existia”. Paulo alerta que alguns meses de paragem podem comprometer a própria sobrevivência da empresa: “Dois ou três meses parado e já não há dinheiro para se pagar aos bancos nem a ninguém. Não há certezas”.

Apesar das margens apertadas, Paula destaca uma vantagem competitiva: “É muito conhecimento do mercado, da área, estar muito no terreno. Ter visão. Esse conhecimento é importantíssimo”.

Peso real: o desafio da regulamentação

Uma das maiores dores de cabeça logísticas para a Almeida & Neto é o controlo do peso das mercadorias, especialmente no transporte de betão, que pode ultrapassar limites legais. Paulo explica: “Por norma, andamos com o peso legal ou seja, com os 8 metros cúbicos, que é o suposto peso, mas os restos de betão seco que um camião pode reter dentro dele, pode influenciar a pesagem”. Este jogo de equilíbrio entre eficiência operacional e regulamentação pode definir lucros ou prejuízos num setor onde cada tonelada importa.

Sustentabilidade e a visão do futuro

A Almeida & Neto reconhece que a sustentabilidade é cada vez mais importante, sobretudo no transporte pesado: “Isso implica muito na empresa, porque nós somos os transportadores”, diz Paulo. Segundo ele, já existe “um grande controlo de sustentabilidade e da reciclagem” relacionado com os fluxos de transporte, especialmente quando se lida com resíduos ou excedentes vindos de betão.

Recursos humanos: um esforço diário

Gerir a organização interna da empresa é um dos maiores desafios para Paula e Paulo. Ela explica: “Lidar com os recursos humanos, entre as exigências do governo e a realidade do setor, é bastante complicado”. A  função do Paulo na Almeida & Neto envolve supervisionar “tudo o que é oficina e os caminhões”, bem como coordenar a parte comercial, apoiada pela sua “visão estratégica na gestão comercial e no relacionamento com os clientes”. Paula admite que a sua participação estratégica mostra como um líder feminino pode equilibrar a operação técnica com a cultura da empresa.

Mudanças, regulação e formação

A perceção sobre os motoristas tem evoluído ao longo dos anos, e o papel destes profissionais ganhou maior relevância no setor. A gestão da equipa exige flexibilidade, com os responsáveis muitas vezes dividindo-se entre condução, manutenção e acompanhamento do dia a dia da empresa. A qualificação dos profissionais é outro ponto crítico. Nem sempre é fácil encontrar mão de obra com competências adequadas, o que torna essencial investir em formação contínua e estratégias de retenção de talento, garantindo que a equipa esteja preparada para as exigências do setor e contribuindo para a sustentabilidade do negócio.

 

 

Perspetiva para os próximos anos

Paulo admite que há riscos, mas também grandes oportunidades: “Se quisesse pôr mais 10 camiões, havia oportunidades, mas pode haver meses em que os carros não chegam ao mínimo, e em vez disso pedem para retirar”. Ainda assim, pondera a ideia de expandir.

Para Paula, esse futuro exige mais infraestrutura: “Precisamos de uma oficina maior, com mais capacidade de manutenção e mais recursos humanos. É realmente difícil gerir 40 camiões na rua”.

Ambos concordam que a retenção de motoristas é essencial. Paulo resume com pragmatismo: “Temos que gerir expectativas, contratar bem e garantir que há sequência. Há muita procura, mas também muita rotatividade”.

Transportar com estratégia e visão

A Almeida & Neto é mais do que uma transportadora: é uma história de persistência, legado familiar, riscos bem calculados e visão de longo prazo. Entre parcerias com centrais de betão, desafios logísticos, regulação rigorosa e uma frota em crescimento, Paulo e Paula Rainho lideram com coragem e realismo. No final, cada viagem é uma aposta, e cada tonelada transportada é também um testemunho da sua visão para o transporte pesado em Portugal.

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