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Doença alérgica da prevenção ao tratamento

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Em plena primavera, quando os sintomas alérgicos se fazem sentir com maior intensidade, as doenças alérgicas assumem crescente relevância como problema de saúde pública. O aumento da poluição e das alterações climáticas tem agravado a incidência e a gravidade destas patologias, exigindo respostas médicas mais precoces, eficazes e integradas. Pedro Carreiro Martins, Presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), explica os principais desafios que a especialidade enfrenta e deixa conselhos essenciais para quem vive com alergias.

Quais são, na sua opinião, os principais desafios que a Imunoalergologia enfrenta atualmente?

As doenças alérgicas estão a aumentar de forma consistente e são hoje um importante problema de saúde pública. Lidamos com doentes mais complexos e com formas mais graves de doença. Um dos principais desafios é garantir diagnóstico precoce e acesso equitativo a tratamentos eficazes, incluindo terapêuticas inovadoras. Paralelamente, é essencial reforçar a literacia em saúde e melhorar a articulação entre cuidados de saúde, promovendo uma abordagem mais integrada e centrada no doente.

 

Prof. Pedro Carreiro Martins Presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica Prof. Associado com Agregação, Nova Medical School Assistente Graduado de Imunoalergologia, ULS São José

 

Através de que sinais e sintomas se pode aperceber que se está na presença de uma patologia alérgica e que tipo de cuidados clínicos são habitualmente prestados aos doentes alérgicos? 

As manifestações dependem do tipo de alergia, e podem incluir espirros frequentes, nariz entupido, comichão, olhos lacrimejantes, tosse persistente, pieira, falta de ar, vómitos ou lesões cutâneas, entre outras. Os cuidados clínicos incluem a identificação e evicção dos fatores desencadeantes, a utilização de terapêutica farmacológica adequada (como anti-histamínicos, corticoides ou broncodilatadores) e, em casos selecionados, imunoterapia com alergénios. É igualmente fundamental a educação do doente, promovendo a adesão ao tratamento e a prevenção de exacerbações, com o objetivo de melhorar o controlo da doença e a qualidade de vida.

De que forma as alterações climáticas e o aumento da poluição estão a influenciar a incidência e gravidade das doenças alérgicas e imunológicas?

As alterações climáticas e o aumento da poluição estão a contribuir para o crescimento das doenças alérgicas. O aumento da temperatura e do CO₂ prolonga e intensifica as épocas polínicas, aumentando a exposição aos alergénios. Por outro lado, a poluição atmosférica irrita e inflama as vias respiratórias, potenciando a sensibilização alérgica e agravando doenças como a asma. Como resultado, temos mais doentes, com sintomas mais intensos.

Em vésperas do Dia Mundial da Saúde e em plena primavera, altura do ano em que se assiste a uma maior prevalência das doenças alérgicas, que conselho final gostaria de deixar aos nossos leitores?

Não ignore sintomas de alergia, sobretudo quando são persistentes. Procurar avaliação médica atempada faz a diferença, permitindo um diagnóstico correto e a definição de um plano terapêutico adequado para controlar a doença e prevenir complicações. É essencial cumprir a terapêutica prescrita, conhecer os fatores desencadeantes e adotar medidas preventivas, particularmente na primavera. Com acompanhamento adequado, é possível viver com qualidade e manter a doença alérgica sob controlo.

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