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Descarbonização industrial com assinatura nacional: A estratégia do Net4CO2

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Com uma missão enraizada na transformação do conhecimento científico em soluções práticas para a descarbonização industrial, o Net4CO2 posiciona-se na vanguarda da inovação climática. Em entrevista, Hugo Matias, Diretor Executivo, explica como a abordagem integrada do CoLAB – que alia investigação aplicada, parcerias industriais e alinhamento regulatório – está a moldar o futuro da economia circular do carbono em Portugal e além-fronteiras.

O Net4CO2 nasceu com a missão de criar soluções inovadoras de descarbonização, desde a ciência até ao mercado – como se refletem esses princípios na missão da vossa empresa e nos serviços que prestam atualmente?

A missão do Net4CO2 é, desde a sua origem, transformar conhecimento científico em soluções concretas para a descarbonização industrial. Esta visão reflete-se na nossa abordagem integrada, que combina I&D avançada com aplicações práticas orientadas para o mercado. Os nossos serviços assentam no desenvolvimento de tecnologias de captura e utilização de CO₂, desde a sua utilização direta (como por exemplo a neutralização de água de consumo humano por injeção de CO₂), à sua valorização em produtos de valor acrescentado, como por exemplo combustíveis sintéticos. Além disso, estão ainda contemplados um conjunto de serviços relacionados com testes piloto em ambiente industrial com as tecnologias proprietárias, análises laboratoriais, serviços de sustentabilidade e formação avançada, sempre com o objetivo de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Esta ponte entre ciência e aplicação prática está no centro de tudo o que fazemos.

 

 

Num setor que exige elevada investigação e adaptação tecnológica, que projetos ou marcos do vosso portefólio destacariam como mais transformadores para o mercado nacional e internacional?

Nos últimos anos, o CoLAB Net4CO2 tem estado fortemente empenhado em aumentar a maturidade tecnológica das suas soluções. O verdadeiro potencial destas tecnologias só pode ser demonstrado através da colaboração com empresas nacionais e internacionais, sendo a validação em contexto operacional essencial para aferir o seu impacto real e a viabilidade no mercado, tanto nacional como internacional. Neste âmbito, destacamos o projeto piloto NetCap – uma solução de captura de CO₂ baseada em tecnologia proprietária e no processo com aminas – atualmente instalada na unidade industrial do nosso parceiro BA Glass, em Avintes. Trata-se de uma unidade móvel e modular que, face a outras soluções existentes, se distingue pela sua elevada eficiência, mesmo quando aplicada a correntes com baixo teor de CO₂ – uma característica comum em muitos setores considerados “de difícil descarbonização”. O nosso objetivo, a médio prazo, é evoluir esta unidade para um sistema integrado de captura e utilização de CO₂, com vista à produção de combustíveis sintéticos, oferecendo assim uma solução integrada e inovadora para a economia circular do carbono.

A vossa atividade abrange cadeias complexas desde a captura até à utilização e armazenamento de CO₂. Como equilibram o rigor científico, as exigências regulatórias e a escalabilidade comercial em todas estas vertentes?

No CoLAB Net4CO2 tentamos equilibrar estes três pilares – rigor científico, cumprimento regulatório e escalabilidade comercial – através de uma abordagem integrada e alinhada com as diretrizes europeias para tecnologias de baixo carbono.

O rigor científico é assegurado pela forte componente de investigação aplicada, desenvolvida em colaboração com universidades e centros de excelência europeus, que nos permite validar soluções tecnologicamente robustas e baseadas em evidência experimental e modelação avançada. Do ponto de vista regulatório, acompanhamos de forma ativa o enquadramento normativo europeu. Segundo a regulamentação europeia, a captura e o armazenamento geológico de CO₂ (CCS) está atualmente mais regulamentado, mais consolidado e com maior apoio institucional e financeiro do que a utilização de CO₂ (CCU). No entanto, a estratégia CCU a curto prazo é considerada mais fácil de implementar, com menos investimento inicial, pode ser feita on-site e apresenta menos barreiras regulatórias com um licenciamento menos complexo. Esta diferenciação impacta diretamente o desenho e posicionamento das soluções que desenvolvemos. Neste sentido temos desenvolvido iniciativas com parceiros europeus para a revisão das disposições das ETS prevista para 2026.

A escalabilidade comercial é avaliada desde as fases iniciais de desenvolvimento, garantindo que cada tecnologia ou serviço tem um caminho claro para a integração industrial. Trabalhamos em estreita articulação com parceiros industriais e financiadores para garantir a viabilidade técnica, económica e regulatória, com especial atenção à Taxonomia Europeia para atividades sustentáveis, que influencia cada vez mais o financiamento e investimento em tecnologias de descarbonização.

Esta articulação entre ciência, regulamentação e mercado permite-nos desenvolver soluções tecnologicamente sólidas, conformes com os requisitos legais e com real potencial de aplicação à escala, contribuindo para os objetivos europeus de neutralidade carbónica até 2050.

 

 

A colaboração com entidades académicas, empresas e órgãos reguladores é um pilar da vossa estratégia. De que forma o modelo CoLAB do Net4CO2 fortalece essa rede, e que resultados estão a surgir desse ecossistema colaborativo?

A criação do conceito CoLAB tem sido essencial para criar um espaço de inovação aberta, onde conhecimento científico, necessidades industriais e enquadramento regulatório convergem. Este modelo permite-nos mobilizar competências altamente especializadas de universidades e centros de investigação aumentando a competitividade das nossas tecnologias, enquanto mantemos um diálogo constante com a indústria e os decisores políticos. Como resultado, temos desenvolvido projetos com maior grau de maturidade tecnológica, gerado propriedade intelectual com valor de mercado e acelerado a adoção de tecnologias inovadoras. Este ecossistema colaborativo é a base do nosso impacto e que se reflete também no aumento das solicitações para presença do NET4CO2 em vários eventos e painéis de discussão nacionais sobre descarbonização. Além disso, fruto desta rede de colaborações, organizamos o Curso Internacional de Captura e Utilização de CO₂ em Portugal promovendo assim uma maior literacia e o acelerar da implementação de projetos industrias de descarbonização.

Olhando para o futuro, que metas estratégicas definem para o Net4CO2 até 2030? Que novos serviços, tecnologias ou mercados estão no vosso roadmap para consolidar o vosso papel como referência na economia circular do carbono?

Até 2030, o Net4CO2 ambiciona afirmar-se como o principal centro de referência nacional na transição para a neutralidade carbónica, com soluções tecnológicas competitivas aplicadas em ambiente industrial real. Entre os principais objetivos estratégicos estão o reforço das tecnologias próprias de captura e conversão de CO₂ com vista à sua escalabilidade, o desenvolvimento de novos serviços de consultoria focados na sustentabilidade e eficiência dos processos industriais, e a expansão para mercados internacionais com elevado potencial de descarbonização.

Pretendemos consolidar o nosso papel como parceiro estratégico de empresas que procuram integrar a economia circular do carbono nas suas operações – não apenas como fornecedor tecnológico, mas também como consultor especializado, apoiando na identificação, planeamento e implementação de soluções adaptadas à realidade de cada organização. Paralelamente, mantemos uma forte ligação com os decisores políticos e reguladores, contribuindo com conhecimento técnico e científico para apoiar políticas públicas eficazes. Um exemplo concreto é a colaboração atual com a DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia, no estudo do potencial de armazenamento geológico de CO₂ em bacias sedimentares nacionais, trabalho essencial para o planeamento da futura infraestrutura de captura e armazenamento geológico em Portugal. Com esta visão integrada – da ciência à indústria, da engenharia à política pública –, o Net4CO2 está comprometida em liderar soluções que acelerem a transição energética e consolidem Portugal como um ator relevante na economia europeia do carbono sustentável.

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