Com uma visão integrativa e sensível sobre o desenvolvimento infantil, Teresa Sousa tornou-se uma referência na Terapia da Fala e na Terapia Miofuncional Orofacial. Ao longo de mais de 15 anos de prática clínica, procurou constantemente aprofundar o seu conhecimento e aperfeiçoar a intervenção junto das crianças e das suas famílias. Hoje, no contexto multidisciplinar da Clínica Pediátrica 4Kids, defende uma abordagem global, baseada na cooperação entre profissionais e na intervenção precoce como fator decisivo para o sucesso terapêutico e para o desenvolvimento harmonioso das funções orais e comunicativas.

Como é que a sua especialização em Terapia Miofuncional complementa o trabalho da Terapia da Fala no desenvolvimento infantil na Clínica Pediátrica 4Kids?
Durante mais de 15 anos sentia que me faltava algo ao nível da formação profissional , de forma a poder ser mais completa e eficaz no tratamento das disfunções orais sejam elas estruturais ou funcionais e mesmo na intervenção da alteração dos sons da fala. A Terapia miofuncional incide nos distúrbios neuro musculares oro faciais e por isso tem um impacto enorme no desenvolvimento harmonioso das estruturas, assim como na função das mesmas.
Que desafios específicos encontra no acompanhamento de crianças com perturbações do neurodesenvolvimento e como os aborda de forma inovadora?
São vários os desafios a este nível, quando recebo um acriança com perturbação do neuro desenvolvimento, o meu olhar é integrativo e isto faz com que eu tenha de pensar não só na minha área de atuação como em todas as que seriam benéficas para o sucesso da reabilitação. Ser verdadeira e traçar prioridades tendo em conta o perfil, as alterações e o potencial da criança. Nunca esquecendo as condições e a dinâmica famíliar.
A grande mais-valia de estar integrada na 4Kids é esta, é conseguir pensar em equipa e não olhar apenas para a dificuldade na comunicação/fala ou na disfunção oral, apesar de ser esta a minha área de intervenção.
Qual é o papel da intervenção precoce na melhoria das competências comunicativas e funcionais das crianças e que estratégias tem revelado maior eficácia?
Cada vez mais, as famílias procuram-me mais cedo, e ainda bem! A intervenção precoce é a chave para o sucesso. Se pensarmos por exemplo numa disfunção oral ou numa criança respiradora oral, quanto mais tempo este padrão se mantiver no tempo mais instalado fica, existindo mais compensações musculares e potenciais distúrbios respiratórios.
Hoje em dia atendo muito mais bebés do que crianças mais velhas, e isto, porque há uma maior informação (por vezes demasiada), mas faz com que os pais estejam atentos a sinais que há uns anos atrás não estariam nem era tema.
De que forma consegue manter as competências de liderança e espirito empreendedor e ser uma profissional de referência nos valores que oferece às famílias que acompanha?
Na minha visão, o sentir a criança com o coração, o respeitar a sua individualidade e as suas características, assim como, empatizar com a familía é crucial para uma boa intervenção. É exatamente o que tento fazer com a nossa equipa, é respeitar e admirar o trabalho de cada um de nós, assim como manter me disponível para o que precisarem, para ouvir as suas opiniões e sugestões. Tento ser igual fora e dentro de gabinete, não consigo ser diferente e é isso que traz verdade à minha prática clinica e ao meu papel de empreendedora.






