Combinando inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e uma gestão centrada nas pessoas, o Horto Descanso tornou-se uma referência da agricultura moderna em Portugal. Fundada sobre valores familiares e uma forte responsabilidade social, a empresa alia eficiência produtiva a práticas sustentáveis e coloca os direitos e o bem-estar dos trabalhadores no centro da sua estratégia, demonstrando que é possível crescer de forma responsável e humana.
Pessoas em primeiro lugar
Fundada em 2010, com início de atividade em 2013, a Horto Descanso tornou-se um caso exemplar na agricultura portuguesa, unindo modernização tecnológica, valores familiares e respeito pelos trabalhadores. À frente da empresa estão Hélder Ramos e a mulher Lucília Ramos, em conjunto com o irmão João Ramos e a esposa Carla Ramos. Hoje, a nova geração já integra a gestão: Leonardo Ramos e Tiago Ramos, filhos de Hélder e Lucília, asseguram o futuro da exploração e dão continuidade ao espírito de família. Com 49 colaboradores, sobretudo de origem estrangeira, o Horto Descanso tem consciência de que o capital humano é o maior ativo da empresa. Para garantir a estabilidade das equipas e atrair mão de obra qualificada, a empresa investiu fortemente em condições habitacionais dignas, disponibilizando casas e bungalows modernos, equipados com cozinhas e casas de banho completas. O responsável do Horto Descanso recorda que, antes da pandemia, a realidade habitacional dos trabalhadores era bastante dispersa: alguns viviam em casas disponibilizadas pela empresa, mas a maioria estava alojada em habitações partilhadas fora do espaço. Com a chegada da Covid-19, tornou-se evidente a fragilidade dessa situação, já que em cada casa podiam residir 10, 15 ou até 20 pessoas, o que representava um risco acrescido para a saúde de todos.


Perante esse cenário, a empresa decidiu intervir de forma estruturada, criando soluções de alojamento dignas e adequadas às novas exigências. Foram construídas casas equipadas, onde cada habitação dispõe de condições básicas de conforto, como cozinha e casa de banho, mas sempre com uma limitação de ocupação que garante privacidade e segurança. Hoje, os espaços estão organizados para acolher no máximo quatro pessoas, promovendo um ambiente mais saudável e equilibrado para os trabalhadores. “Eu próprio já vivi em piores condições do que aquelas que oferecemos hoje. Sei o quão importante é dar dignidade, porque boas condições geram bons trabalhadores”, afirma Hélder. Essa filosofia traduz-se na habitação e no ambiente diário de trabalho. A proximidade é uma marca pessoal: “Tenho as mãos verdes como eles. Trabalho ao lado dos meus colaboradores, seja a colher tomate ou nos dias mais duros de limpeza. Eles sabem que estamos juntos e isso faz toda a diferença”.
O empresário reforça que a agricultura de hoje já não é sinónimo de trabalho exaustivo e precário. As estufas são modernas, com temperaturas controladas, ventilação adequada e equipamentos de apoio que reduzem o esforço físico. Existem máquinas elétricas para auxiliar colheitas e carrinhos que permitem trabalhar sentado. “Há uma mitificação de que só vai para a agricultura quem não sabe fazer mais nada. Pelo contrário: precisamos de pessoas com formação, porque é um trabalho cada vez mais técnico e especializado”.
A multiculturalidade é outra realidade da Horto Descanso. A maioria dos trabalhadores vem do Nepal, da Moldávia e da Ucrânia, havendo ainda alguns portugueses. Esta diversidade trouxe desafios iniciais, mas também grandes aprendizagens. “No início foi preciso adaptá-los aos nossos hábitos, desde a higiene até aos métodos de trabalho. Mas conseguimos formar pessoas que hoje são profissionais altamente competentes”. Graças a esta aposta em condições de vida, integração e estabilidade, a empresa apresenta uma taxa muito baixa de rotatividade. Muitos trabalhadores permanecem vários anos, criando um ambiente de confiança mútua. “Se tratarmos bem as pessoas, elas retribuem com dedicação. Esse é o segredo para manter uma equipa coesa e motivada”, conclui Hélder.
A nova geração: entrada com autonomia
Os filhos assumiram funções sem imposição: “Nunca obriguei ninguém a vir para a agricultura. Se fosse forçado, o meu filho mais velho teria detestado. Mas ele veio por vontade própria e trouxe excelentes ideias. Hoje é ele que me ralha pela organização, porque é muito metódico”, partilha Hélder. O mais velho, Leonardo, entrou em 2019 e foi determinante para profissionalizar os processos administrativos. Passou a gerir a área financeira, os recursos humanos e toda a documentação da empresa, funções que até então, recaíam sobre o pai. Essa mudança libertou tempo a Hélder para se concentrar novamente na parte técnica e produtiva. “Estávamos a crescer, mas eu estava a perder tempo com papéis. O Leonardo organizou tudo e fez-nos voltar a subir”, reconhece. Já o mais novo, Tiago, juntou-se em 2023 e está a ser preparado no terreno. Acompanha as equipas no dia a dia, aprende a parte técnica da produção e vive a experiência prática das estufas. “São anos de aprendizagem contínua e nunca se sabe tudo. Mas ele tem a vantagem de começar cedo e de estar a absorver com muito empenho”, nota o empresário.
Hélder sublinha que a entrada dos filhos trouxe não só tranquilidade em relação ao futuro, mas também novas perspetivas e energia renovada: “Eles perceberam que o mundo lá fora nem sempre é como parece. Pegaram nisto com gosto, e isso deixa-me confiante. Vejo que a empresa pode continuar sólida nas mãos deles”.
O caráter familiar é, aliás, uma das forças do Horto Descanso. Ao lado de Hélder, também estão a mulher Lucília, o irmão João e a cunhada Carla que desempenham papéis relevantes na gestão e no acompanhamento diário da exploração. O resultado é uma empresa de raiz agrícola, mas com visão moderna, em que tradição e inovação caminham lado a lado.

Sustentabilidade: água, energia e responsabilidade
Outro pilar do Horto Descanso é a sustentabilidade. Desde cedo, a empresa percebeu que não existe agricultura moderna sem uma gestão eficiente dos recursos. Por isso, investiu em reservatórios de água com 150% da capacidade necessária, assegurando autonomia em qualquer cenário climático. As estufas estão ligadas a charcas que recolhem a água da chuva e permitem reutilizá-la ao longo do ano. “Mesmo em anos secos, conseguimos manter a produção sem comprometer a qualidade”, explica Hélder.
Também a energia é gerida com a mesma responsabilidade. A empresa dispõe de painéis solares fotovoltaicos que garantem autossuficiência durante o dia, reduzindo drasticamente a dependência da rede. “Se não fossem as taxas, seríamos totalmente autossuficientes em energia e água”, sublinha o empresário, destacando o peso da burocracia como um dos grandes entraves à inovação sustentável.
A gestão de resíduos segue o mesmo rigor. Todos os plásticos agrícolas são armazenados e posteriormente entregues para reciclagem, com documentação de todo o processo, assegurando transparência e conformidade legal. “Nada fica ao acaso. A sustentabilidade não é só discurso, é prática diária”.
Além da água, da energia e dos resíduos, o Horto Descanso preserva as áreas envolventes das estufas, mantém espaços limpos e valoriza o enquadramento paisagístico. O compromisso é claro: produzir de forma responsável, equilibrando rentabilidade com respeito pelo ambiente e pela comunidade.
Uma empresa com futuro
Com inovação agrícola, respeito pelos trabalhadores, sucessão familiar bem encaminhada e práticas sustentáveis, a Horto Descanso prova que a agricultura pode ser moderna e humana. Como resume Hélder: “Na agricultura, não há horários fixos. Trabalha-se muito, mas também se colhem recompensas. O segredo está no equilíbrio entre inovação, respeito pelas pessoas e dedicação familiar. É isso que garante o futuro do Horto Descanso”.
O caminho percorrido mostra que é possível aliar tradição e modernidade, sem nunca esquecer o valor humano que sustenta qualquer projeto. Entre o rigor técnico, a proximidade com as equipas e a visão de longo prazo, a empresa tornou-se uma referência na região Oeste, distinguindo-se pela capacidade de criar valor económico, social e ambiental. O futuro apresenta desafios desde a adaptação climática à burocracia, mas também inúmeras oportunidades. Com a nova geração já integrada, práticas sustentáveis consolidadas e uma cultura de proximidade que é exemplo no setor, o Horto Descanso olha para os próximos anos com confiança e ambição, mantendo firme a missão de produzir com qualidade, responsabilidade e humanidade.





