PUB

Blococelular®: A leveza que constrói o futuro

Data:

Partilhar

Num setor dominado por métodos tradicionais e ritmos lentos, Fernando Amazonas, Fundador e CEO da BlocoCelular®, regressou da Alemanha com uma missão: mostrar que é possível construir de forma mais rápida, eficiente e sustentável. Da experiência internacional e da vontade de inovar nasceu a BlocoCelular®, uma empresa que aposta num material leve, resistente e amigo do ambiente, desafiando a forma como Portugal pensa e pratica a construção civil.

Da Alemanha para o futuro da construção portuguesa

Quando Fernando decidiu emigrar para a Alemanha, em 2012, levava na mala a esperança de encontrar um novo rumo. Tinha 32 anos e via no estrangeiro a oportunidade de aprender o que o mercado português, em plena crise económica, não lhe podia oferecer: estabilidade, conhecimento e uma nova perspetiva sobre o setor da construção. O que ele não imaginava era que, dez anos depois, regressaria com uma ideia capaz de transformar a forma como se constrói em Portugal.

Fernando Amazonas, trouxe de volta a Portugal a experiência internacional adquirida na Alemanha e a visão de um setor da construção mais eficiente e sustentável. A empresa trabalha com o betão celular autoclavado, um material leve e resistente, cozido a vapor e repleto de microbolhas de ar que conferem isolamento térmico e acústico, reduzindo custos e esforço em obra, sem comprometer a solidez das construções. Além de comercializar o material, a BlocoCelular® também constrói aplicando o seu próprio sistema construtivo em projetos residenciais e comerciais. Casas unifamiliares, moradias de luxo, pequenas e grandes edificações empresariais já foram erguidas integralmente com blocos celulares, provando na prática a rapidez e eficiência do processo.

 

 

Eficiência aprendida no rigor alemão

“Na Alemanha, fiquei impressionado com a eficiência do processo construtivo”, recorda. “Trabalhei cinco anos numa empresa onde, em cada dez casas construídas, oito eram feitas com este material. Em apenas seis semanas, tínhamos uma casa erguida do zero desde as fundações até às paredes”.

O ritmo, a precisão e o rigor alemães deixaram uma marca profunda. Quando regressou a Portugal, em plena pandemia, Fernando percebeu que o país começava finalmente a discutir temas como sustentabilidade, eficiência energética e inovação no setor da construção. Era o momento certo para agir. “Em 2021 decidi apostar tudo. Criei a BlocoCelular® e comecei por importar e comercializar o produto, com o objetivo de mostrar ao mercado português o seu potencial”.

O entusiasmo, porém, não se explica apenas pela experiência internacional. Há também um lado emocional, uma vontade de modernizar um setor ainda preso a métodos antigos. “O mundo mudou, mas a forma como construímos em Portugal pouco evoluiu. Continuamos a usar o tijolo como há cinquenta anos, quando já existem soluções mais eficientes, rápidas e económicas”.

Uma revolução leve e sustentável

O bloco celular autoclavado é, nas palavras de Fernando, uma “pequena revolução” silenciosa. Pesa cerca de 380 quilos por metro cúbico, enquanto o betão tradicional ultrapassa as duas toneladas e meia. Essa diferença de peso reduz custos de transporte, facilita o trabalho em obra e diminui o esforço físico dos operários. “Pode parecer um pormenor, mas o facto de o bloco ter pegas faz toda a diferença. Aumenta a produtividade e melhora as condições de trabalho dos pedreiros”, explica.

Mais surpreendente ainda é o facto de o bloco ser estrutural, dispensando pilares de betão armado. “O próprio bloco é a estrutura da casa”, diz Fernando. “A resistência à compressão é tão elevada que o edifício ganha estabilidade e solidez sem necessidade de reforços”.

Mas há outras vantagens, o material é altamente isolante, o que significa que reduz o consumo energético das habitações, uma questão cada vez mais relevante numa Europa que aposta na neutralidade carbónica. “O nosso bloco permite poupar energia no aquecimento e arrefecimento das casas. E como é um produto natural, composto essencialmente por cal, areia e cimento, tem uma pegada ambiental reduzida”.

 

 

 

Do ceticismo à mudança de mentalidades

O empresário sabe, contudo, que introduzir inovação num mercado tradicional não é tarefa simples. “Em Portugal, as pessoas ainda olham com desconfiança para o que é novo. Preferem aquilo que conhecem. É um desafio, mas acredito que, com informação e exemplos concretos, conseguimos mudar mentalidades”.

Curiosamente, o betão celular não é uma novidade absoluta em Portugal. “Nos anos 80 e 90, existiu uma fábrica perto de Setúbal que produzia este material”, recorda. “Muitas casas de habitação social foram feitas assim. O problema é que, naquela altura, o país não estava preparado. Era uma tecnologia à frente do seu tempo”. Hoje, o contexto é diferente. O aumento dos custos da energia, as exigências de eficiência térmica e a consciência ambiental fazem com que soluções como a da BlocoCelular® despertem cada vez mais interesse. “Recebo mensagens de pessoas que vivem em casas construídas com este material há mais de 30 anos. Dizem-me que praticamente não precisam de aquecimento no inverno. É a prova da durabilidade e eficácia do produto”.

Economia e sustentabilidade na prática

A nível económico, os números são claros. “Uma parede construída com o nosso bloco custa, em média, 38 euros por metro quadrado. Uma parede em tijolo tradicional de 11 centímetros ronda os 45 euros. A diferença pode parecer pequena, mas quando multiplicamos pela área total de uma casa, é uma poupança significativa”, explica Fernando.

O segredo está também na simplicidade do processo. “Enquanto o tijolo exige cerca de 52 quilos de argamassa por metro quadrado, o nosso sistema usa apenas dois quilos e meio. É tudo colado com uma fina camada de cola especial, o que reduz o desperdício e elimina a necessidade de serventes.” O resultado é uma obra mais limpa, rápida e sustentável.

A durabilidade do material é reforçada por uma característica natural: a resistência à humidade. As microbolhas de ar funcionam como um labirinto que impede a passagem da água. “A humidade que entra perde-se nesse percurso e não atravessa o bloco. Além disso, o material é naturalmente antifúngico, por conter cal, o que evita o aparecimento de bolor nas paredes”.

Ao longo da conversa, é evidente que Fernando fala com entusiasmo, mas também com conhecimento técnico. A sua experiência no estrangeiro foi determinante para moldar a visão da empresa. “Na Alemanha, a formação profissional é levada muito a sério. Um pedreiro faz um curso de três anos, com parte teórica e prática. Aprende a ler projetos, a conhecer os materiais e a aplicar as técnicas corretas. Essa cultura de rigor é algo que precisamos de valorizar em Portugal”.

Construir com propósito e inovação

A BlocoCelular® é, por isso, mais do que um projeto empresarial é uma missão pessoal. Fernando quer provar que é possível construir de forma mais inteligente e responsável. “O futuro da construção passa por três palavras: rapidez, eficiência e sustentabilidade. Não se trata apenas de levantar paredes, mas de criar casas que durem mais, gastem menos energia e ofereçam verdadeiro conforto”. Com um produto leve, resistente e amigo do ambiente, a empresa começa agora a conquistar o seu espaço. Reconhecida como uma das Top 5% Scoring no setor da construção sustentável, a BlocoCelular® destaca-se não só pela qualidade do material, mas também pela capacidade de o aplicar em obra, demonstrando resultados concretos e eficientes. “Estamos ainda numa fase de crescimento, mas já sentimos curiosidade e abertura por parte dos arquitetos e construtores. Muitos procuram soluções inovadoras e percebem que este sistema é o caminho natural da evolução”.

No final, quando lhe perguntamos o que o motiva, Fernando sorri. “Acredito naquilo que faço. Quando vejo uma casa construída com este material, sinto que estou a contribuir para algo maior para um futuro em que se constrói com mais consciência, menos desperdício e mais respeito pelas pessoas e pelo planeta”.

Num setor marcado pela rigidez das tradições e pela resistência a mudanças, Fernando emerge como um exemplo de visão e coragem. A sua abordagem mostra que o verdadeiro progresso na construção não se limita à robustez física das estruturas, mas envolve repensar processos, abraçar a inovação e integrar princípios de sustentabilidade desde a conceção até à execução. Ao unir eficiência, tecnologia e responsabilidade ambiental, ele não só desafia métodos enraizados, como também redefine o papel do construtor no século XXI: aquele que constrói casas com consciência, mas também um futuro mais equilibrado e inteligente para a sociedade. A leveza das ideias, assim, transforma-se no alicerce de uma mudança duradoura, provando que a evolução do setor depende tanto da mente quanto das mãos que erguem as paredes.

Newsletter

Últimas Edições

Artigos Relacionados

This will close in 5 seconds