O candidato presidencial André Ventura foi o orador convidado do almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, onde defendeu uma rutura com o atual sistema político e afirmou pretender ser recordado como “herdeiro de Francisco Sá Carneiro”, evocando a coragem e o inconformismo do fundador do PSD.
André Ventura, foi o orador e convidado de honra do almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, realizado no dia 4 de novembro, sob o tema “Portugal e o futuro do sistema político”.
Durante a sessão, Ventura afirmou que, caso venha a ser eleito, pretende ser recordado como “herdeiro de Francisco Sá Carneiro”, antigo primeiro-ministro e fundador do PSD. “O Sá Carneiro chegou a estar contra o seu próprio partido, por achar que o país ia no caminho errado (…). Daqui a 30 anos dirão que o André Ventura era, na altura, muito calmo e muito moderado. E outros dirão que era o Chega, na altura, quem fazia a mossa e a revolução e a transição e a transformação”, destacou.

Reconhecendo que as ideias do histórico social-democrata eram diferentes das suas, sublinhou, contudo, a coragem de Sá Carneiro “para defender o que acreditava, mesmo que isso implicasse contrariar o próprio partido”.
Ventura assegurou ainda que não irá adotar um discurso moderado nesta corrida presidencial, afirmando, ao parafrasear um versículo bíblico, que “aos mornos, Deus vomita”, motivo pelo qual prefere “ser quem é”.
Na sua intervenção, dirigiu críticas aos principais adversários nesta eleição, nomeadamente Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Referindo-se ao primeiro, afirmou que “sempre que Gouveia e Melo fala, adormece qualquer pessoa”, criticando as declarações em que o ex-chefe da Armada defende a não discriminação racial. “Se é para dizer que em Portugal somos todos iguais, sejam imigrantes ou não, tenham sido condenados por corrupção ou não, sejam de Bangladesh ou de Lisboa, não precisava de concorrer a Belém”, ironizou.
André Ventura considerou que as sondagens demonstram “que o país quer uma alternativa que abane o sistema” e reiterou estar “farto de políticos de plástico que dizem o que acham que as pessoas querem ouvir naquele momento”.
Questionando uma das ideias mais repetidas no discurso político nacional, afirmou: “De que nos valem andar a dizer ‘precisamos de crescer, precisamos de crescer’ sem nenhuma ideia nova sobre o que é a economia?”.
Com críticas diretas aos seus adversários e à falta de visão na política nacional, André Ventura reafirmou a intenção de manter um discurso frontal e disruptivo, apresentando-se como o candidato disposto a desafiar o sistema e a provocar a mudança que, segundo defende, o país exige.






