Sob a liderança de Sandra Sousa, a Academia do Empresário está a transformar a forma como as PME portuguesas crescem, ao traduzir métodos das multinacionais em soluções simples, humanas e eficazes. Porque quando a gestão se torna acessível, a inovação deixa de ser um luxo — e passa a ser uma cultura.
Considerando a experiência de Sandra Sousa em PME, multinacionais e negócios familiares, como é que a Academia do Empresário adapta soluções de gestão, comunicação e organização para empresas com até 30 colaboradores, democratizando práticas das grandes estruturas?
O meu percurso deu-me uma perspetiva muito clara: os problemas são muitas vezes semelhantes, o que muda é a capacidade que as organizações têm para os resolver. Nas grandes empresas existem equipas, sistemas e processos estruturados.
Nas empresas mais pequenas, muitas vezes existe talento e esforço, mas falta tempo e estrutura para organizar o crescimento.
Durante anos, ouvi empresários dizerem: “Isso das multinacionais não funciona aqui”. A verdade é que funciona. Só não pode ser aplicado da mesma forma.
A Academia do Empresário nasceu precisamente para fazer essa tradução. Pegamos em conceitos de gestão que existem há décadas e transformamo-los em ferramentas que uma empresa com 10, 20 ou 30 pessoas consegue realmente aplicar no seu dia a dia.
Acreditamos, profundamente, que quando uma empresa começa a medir o que faz, deixa de viver permanentemente em modo de sobrevivência. Hoje, essa organização pode ser muito mais poderosa, porque a tecnologia permite às PME ter ferramentas de análise, automação e Inteligência Artificial que há poucos anos estavam reservadas às grandes empresas. O nosso papel é ajudar a integrar tudo isso de forma prática e adaptada à realidade de cada negócio.
De que forma o Mentoring Programme B2B, iniciado em 2024 e financiado pela Academia, tem superado barreiras de literacia em gestão junto de empreendedores iniciais, especialmente face à limitada resposta de instituições públicas como câmaras e associações?
O Mentoring Programme nasceu de uma inquietação muito simples: há muitas pessoas a querer empreender, mas com dificuldade em perceber o que significa realmente gerir um negócio.
Em 2024, criámos um programa onde a Academia do Empresário assumiu o financiamento total das bolsas para um grupo de dez empreendedores. Durante vários meses, acompanhámos diretamente esses negócios, aplicando as mesmas metodologias que usamos com empresas clientes. Foi um programa extremamente exigente para todos os envolvidos porque cada negócio foi acompanhado de forma altamente personalizada.
Contámos também com empresários e formadores que disponibilizaram o seu tempo para partilhar experiência real, sem romantizar o empreendedorismo. Ajudámo-los com conceitos de gestão financeira, processos, posicionamento de mercado, vendas, precificação, tomada de decisão e também de algo que raramente aparece nos manuais: a solidão e a pressão que muitas vezes acompanham quem lidera um negócio.
Alinhada à visão de ecossistema eficiente e com propósito, como é que a Academia transforma desafios comuns das PME em oportunidades de estratégia e automação, independentemente do tamanho ou setor?
Uma das coisas que mais nos distingue é o facto da Academia do Empresário ter consultores e técnicos no terreno a falar com as pessoas, a observar fluxos de trabalho, a mapear processos e a perceber como é que a empresa funciona realmente no dia a dia.
Porque aquilo que aparece num organograma ou num briefing inicial raramente corresponde exatamente à realidade operacional.
A nossa metodologia parte sempre de dados objetivos: indicadores, tempos de execução, fluxos de decisão, gargalos operacionais. Mas ao mesmo tempo sabemos que nenhuma empresa é igual a outra. As empresas são únicas sobretudo pelo fator pessoas.
Costumo dar um exemplo simples: o melhor programador da Microsoft pode ser um péssimo profissional na Apple e vice-versa. Não porque seja melhor ou pior, mas porque a cultura, o contexto e a dinâmica das equipas são diferentes. Por isso não acreditamos em soluções pré-formatadas.
Falamos com as pessoas, percebemos o momento em que estão, a forma como trabalham e a realidade que vivem dentro da empresa. Mas há um ponto que para nós é essencial: a tecnologia só cria valor quando as pessoas estão preparadas para trabalhar com ela.
Por isso, cada projeto da Academia combina organização, automação e desenvolvimento de competências dentro das equipas.
Como é que os projetos em que Academia do Empresário está a trabalhar antecipam tendências de 2026, como IA e automação, para posicionar os clientes da Academia na vanguarda da eficiência operacional em Portugal?
Nunca houve tanta tecnologia disponível e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil sentir-se perdido no meio de tantas ferramentas, plataformas e promessas de inovação.
Por isso, uma parte importante do trabalho da Academia passa por ajudar as empresas a perceber o que realmente faz sentido para o seu contexto.
Estamos, atualmente, a desenvolver, em parceria com empresas portuguesas, projetos que integram Inteligência Artificial, automação e análise de dados para simplificar processos de gestão e apoiar decisões operacionais.
Mas há algo que para nós é ainda mais importante do que a tecnologia: preparar as pessoas para trabalhar com ela. Como entidade formadora certificada, temos a responsabilidade de ajudar as equipas a desenvolver competências que lhes permitam utilizar estas ferramentas de forma inteligente.
A Inteligência Artificial pode automatizar tarefas repetitivas, tratar dados ou apoiar análises complexas. Mas a capacidade de interpretar esses dados e tomar decisões continua a ser profundamente humana.
Temos empresas onde um pedido inicial para melhorar a produtividade de um armazém acabou por evoluir para um programa interno de desenvolvimento de competências digitais.
Operadores que começaram a aprender lógica de programação, equipas que passaram a criar pequenas ferramentas para resolver problemas do dia a dia, processos que antes dependiam de trabalho manual passaram a ser automatizados.
Isto muda completamente a dinâmica das organizações.
Hoje, o desafio passa por ajudar as empresas a tornarem-se altamente competitivas com os recursos que já têm, combinando organização, tecnologia e desenvolvimento humano.






