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A visão do AccelBio para revolucionar a biotecnologia

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Nascida da vontade de unir academia, startups e indústria, o AccelBio está a transformar o ecossistema da descoberta de medicamentos em Portugal. Sob a liderança de Bárbara Gomes, o laboratório colaborativo aposta numa abordagem integrada, que alia rigor científico a visão empresarial, para converter descobertas biomédicas em soluções terapêuticas com impacto real. Nesta entrevista, a CEO explica como o AccelBio está a moldar o futuro da biotecnologia e a formar a próxima geração de líderes do setor.

O AccelBio atua como um laboratório colaborativo que conecta academia, startups e indústria para acelerar a descoberta de medicamentos. Como surgiu esta ideia e que impacto pretende ter no ecossistema nacional e internacional de biotecnologia?

No AccelBio, acreditámos desde o início que acelerar a descoberta de medicamentos exige um alinhamento efetivo entre a academia, as startups e a indústria.  A nossa génese surgiu da constatação das dificuldades em transformar descobertas inovadoras na área biomédica em ativos farmacológicos viáveis, com verdadeiro impacto para os doentes. Identificámos várias causas para este desafio, como a dissonância entre os contextos académico e industrial, as diferenças nos objetivos e metodologias de desenvolvimento de projetos, a ausência de uma linguagem comum e os constrangimentos financeiros. Foi neste contexto que criámos um laboratório colaborativo que integra competências científicas e empresariais, com o propósito de ultrapassar essas barreiras e converter ideias inovadoras em soluções concretas. O nosso objetivo é dinamizar o ecossistema nacional de inovação biomédica e posicionar Portugal como um ator relevante no panorama internacional da biotecnologia.

 

Bárbara Gomes, CEO

 

 

De que forma o AccelBio consegue equilibrar a inovação científica com a visão de negócios, garantindo que os projetos de descoberta de medicamentos avancem com sucesso até à prova de conceito pré-clínica?

Para nós, a inovação científica caminha lado a lado com uma gestão rigorosa, orientada por objetivos claros de negócio e do benefício para o doente. Complementamos grupos académicos e startups com competências essenciais no desenvolvimento farmacêutico, assegurando que os projetos estejam alinhados com os padrões da indústria, desde a validação de alvos até aos estudos pré-clínicos. Esta abordagem integrada permite-nos reduzir riscos e acelerar o progresso rumo à prova de conceito, concentrando-nos em fármacos com real potencial de licenciamento ou criação de spin-offs.

Considerando a diversidade de membros associados – desde centros académicos até grandes empresas farmacêuticas – como é que essa colaboração estratégica potencia os resultados e a criação de valor?

A diversidade de membros associados gera um ambiente rico em conhecimento e recursos complementares. Esta colaboração estratégica permite articular a inovação científica com a experiência industrial e a visão de mercado, acelerando os ciclos de desenvolvimento e aumentando significativamente as probabilidades de sucesso. As competências reunidas pelo AccelBio são diferenciadoras, o que se reflete tanto no número crescente de contactos que temos recebido, como na obtenção de financiamentos altamente competitivos.

Como o AccelBio tem contribuído para a formação da próxima geração de líderes em biotecnologia, e que importância atribuem a este papel educativo no contexto do setor?

A formação é um pilar essencial para o futuro do setor e do AccelBio. Além de workshops temáticos, colaboramos em programas de doutoramento com várias instituições académicas portuguesas, promovendo a capacitação de jovens cientistas e empreendedores através do envolvimento em projetos translacionais. Para criar novas empresas, é fundamental garantir recursos humanos qualificados que possam liderar e desenvolver estas organizações. Paralelamente, ao longo dos últimos dois anos, conseguimos atrair de volta talento português altamente qualificado, cuja experiência em contextos internacionais e ecossistemas de inovação tem trazido uma perspetiva enriquecedora.

 

 

 

Que tecnologias ou plataformas exclusivas desenvolvidas pelo AccelBio se destacam atualmente e que impacto esperam que tenham no desenvolvimento de novos medicamentos?

Destacamos o nosso foco em plataformas inovadoras que combinam avanços tecnológicos e biológicos para transformar a descoberta de medicamentos. Desenvolvemos modelos de organoides baseados em células pluripotentes induzidas (hiPSC), que reproduzem de forma mais fiel a complexidade dos tecidos e órgãos humanos em laboratório. Utilizamos ferramentas de inteligência artificial que apoiam várias fases do processo de descoberta e desenvolvimento de fármacos. Estas tecnologias permitem acelerar significativamente a fase pré-clínica, melhorando a preditividade dos ensaios e reduzindo os custos associados.

 

 

Olhando para os próximos anos, quais são as principais metas do AccelBio e que avanços esperam alcançar na aceleração da descoberta de medicamentos em Portugal e além-fronteiras?

Nos próximos anos, pretendemos consolidar o AccelBio como um polo de excelência na descoberta de medicamentos, ampliando parcerias nacionais e internacionais e promovendo um pipeline sólido de ativos biomédicos validados. Ambicionamos acelerar a criação de spin-offs e o licenciamento de tecnologia, contribuindo para um setor farmacêutico mais inovador em Portugal e no estrangeiro.

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