Num setor cada vez mais pressionado por exigências ambientais, regulatórias e de mercado, a Balbino & Faustino tem vindo a afirmar-se na linha da frente da gestão florestal responsável. Em entrevista, o Conselho de Gestão sublinha uma aposta consistente na integração da sustentabilidade no modelo de negócio – não como uma tendência conjuntural, mas como um princípio estruturante – combinando certificações internacionais, rastreabilidade e inovação com uma visão de longo prazo para a fileira florestal em Portugal.
A Balbino & Faustino tem vindo a afirmar-se pela gestão florestal responsável e pela implementação de certificações internacionais. Como é que estas certificações reforçam não só o compromisso ambiental da empresa, mas também funcionam como um diferencial competitivo nos mercados nacional e internacional?
Se queremos empresas bem geridas essa gestão não pode ser confinada a uma mera análise matemática de algumas folhas de cálculo e rácios. Uma empresa é muito mais que números, num mundo cada vez mais global importa ter uma visão geral e compreender as necessidades de todas as partes interessadas relevantes. É nesse contexto que surge um forte compromisso com a sustentabilidade, não pela moda ou pela mera necessidade, mas como parte de um ADN que queremos marcar no mercado. Acreditamos que esta abordagem tem um impacto positivo, sobre a organização, sobre os seus trabalhadores e claro, sobre os seus clientes, sociedade e claro o meio ambiente.

A sustentabilidade está a redefinir os modelos de negócio no setor florestal. De que forma a Balbino & Faustino está a integrar práticas sustentáveis no seu núcleo estratégico, transformando-as num motor de inovação e de valorização dos recursos naturais?
A abordagem à sustentabilidade é transversal a toda a organização, quer nos produtos que comercializa, valorizando produtos de origens sustentáveis, quer nos seus processos, na escolha das matérias-primas utilizadas, na forma como fazemos ou na redução da produção de resíduos e o seu encaminhamento.
A sustentabilidade obriga a pensar, não é só uma palavra, mas uma fórmula que leva a organização a avançar, a tomar decisões e a observar os resultados das ações tomadas.
Num contexto de crescente pressão sobre os recursos florestais e de exigências ambientais mais rigorosas, qual é a visão da Balbino & Faustino para o futuro da indústria florestal em Portugal e como é que a empresa se está a preparar para estes desafios?
Na Balbino & Faustino sabemos que os recursos são limitados e que só uma boa gestão pode levar a bons resultados. Por outro lado, as regras e legislações, vão sendo melhoradas o que tem levado a uma crescente regulação do sector. A regulação por si própria é um fator importante até para a nivelação do nível concorrencial. Há muitos anos que asseguramos o controlo e rastreabilidade da madeira que usamos, que procuramos fontes de menor risco, que procuramos rentabilizar ao máximo os produtos naturais que usamos. Como empresa que procura estar na vanguarda, qualquer fator que contribua para melhorar e clarificar as boas práticas do mesmo será sempre bem-vinda e estaremos preparados para os implementar, se não estiverem já implementados.

A gestão florestal responsável envolve um equilíbrio delicado entre produção económica, conservação da biodiversidade e impacto nas comunidades locais. Como é que a Balbino & Faustino concilia estes três pilares na sua operação diária, e quais são os exemplos concretos desta abordagem integrada?
Sem presente não haverá futuro! Ora para poder produzir há que haver recursos, recursos que se pretende que sejam sustentáveis, e possam gerar mais valias localmente. O uso de madeiras de fontes sustentáveis é sem dúvida um forte contributo para a existência e garantia de renovação de recursos, respeitando as comunidades locais. Muitas vezes a procura é motivada a montante, sendo o consumidor o primeiro a pedir e a indústria a seguir as tendências, não foi este o caso da Balbino & Faustino no que concerne a procura de produtos de origens certificadas. Cedo percebemos a importância do tema e procuramos adaptar à organização. Procurando fontes certificadas, obtendo as certificações necessárias e minimizando os desperdícios. Assim e quando começaram paulatinamente a surgir os primeiros pedidos de encomendas de produtos certificados, já a organização estava preparada para responder ao desafio há mais de dois anos.
As certificações internacionais (como FSC ou PEFC) são cada vez mais exigidas pelos clientes e parceiros comerciais. Qual foi o processo de implementação destas certificações na Balbino & Faustino e que impacto tiveram na cadeia de valor da empresa, desde a floresta até ao produto final?
As preocupações com o ambiente e alterações climáticas, inevitavelmente trouxe mais para o dia a dia o olhar para a floresta e o que fazer para a proteger e usar de forma sustentável. Quando olhamos para as normas de certificação florestal, as mesmas surgem com pequenas diferenças, enquanto o FSC se foca na proteção das comunidades locais, o PEFC centra-se na reflorestação. Na prática ambos os esquemas convergem num princípio de respeito, consumo equilibrado e garantias de reflorestação. Não sendo a Balbino & Faustino operador florestal, nós estamos a meio do processo, fazendo parte da cadeia de custódia, garantindo a boa rastreabilidade a montante e jusante do processo. Na prática escolhendo fornecedores certificados ou não o sendo que ofereçam garantias de boas práticas florestais, avaliando o risco inerente a cada compra, garantindo a rastreabilidade de todo o processo, fazer uma boa gestão dos recursos e garantir que na venda essa rastreabilidade possa ser assegurando, garantindo assim a fluidez da cadeia de abastecimento do produtor ao consumidor.
A transição para uma economia mais sustentável exige não só mudança de práticas, mas também uma mudança de mentalidade no setor. Como é que a Balbino & Faustino está a promover a cultura de sustentabilidade internamente, entre os colaboradores, e externamente, junto do setor e das comunidades onde atua?
Vivemos tempos muito interessantes, por um lado a fileira florestal bastante conservadora, por outro um mundo em mudanças muito rápidas. As opções políticas nomeadamente no continente americano, as guerras nomeadamente no leste da europa ou as consequências de efeitos extremos de clima condicionam muito a oferta e disponibilidade de material no mercado. Em tempos de rápidas mudanças, a capacidade de uma organização se adaptar de conseguir responder as solicitações, de conseguir aproveitar as oportunidades que surjam são elementos altamente diferenciadores. Na Balbino & Faustino a cultura de mudança, de resiliência de adoção de uma cultura de sustentabilidade já surgiu há muito. É um caminho contínuo, com formação, sensibilização e busca por melhores práticas permanente, na procura de melhores soluções para a própria organização e para os seus clientes.








