Cristina Cruz, Fundadora da Soilvitae, defende que a biodiversidade do solo é chave para a resiliência e produtividade agrícola. Com raízes na investigação científica, a empresa portuguesa aposta em biosoluções personalizadas que aliam inovação e sustentabilidade, contribuindo para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
A Soilvitae tem vindo a afirmar-se no setor das biosoluções. Que papel acredita que a biodiversidade do solo desempenha na resiliência e produtividade dos sistemas agrícolas?
A Soilvitae, fundada em 2014 por investigadores peritos em nutrição vegetal e ecologia do solo, nasceu no seio da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com uma missão: acelerar a transferência de conhecimento científico sobre a relação entre biodiversidade do solo e a produtividade e resiliência dos agrossistemas para a prática agrícola. Sendo um capital natural, a biodiversidade do solo é instrumental para o aumento da produtividade e resiliência dos sistemas agrícolas, principalamente, em condições adversas.

De que forma a vossa abordagem à saúde do solo se diferencia das soluções convencionais e como tem sido recebida pelos agricultores em termos de eficácia e retorno sustentável?
Em vez de aplicar soluções uniformizadas, a Soilvitae desenvolve consórcios microbianos personalizados e ajustados a cada exploração. Complementa esta oferta com serviços de diagnóstico da fertilidade e sanidade das culturas − incluindo um novo serviço baseado em tecnologia NIR (Near Infra-Red) para avaliação em tempo real − e com programas de capacitação dos diferentes agentes do setor. Apesar da prudência inicial dos agricultores, os resultados demonstrados têm levado à rápida expansão da aplicação das biosoluções desenvolvidas pela empresa. A Soilvitae tem sabido posicionar-se como parceira de confiança, promovendo uma relação de proximidade com o setor produtivo e criando valor tangível no terreno.
Num cenário de alterações climáticas e pressão sobre os recursos naturais, como é que a Soilvitae integra inovação e conhecimento científico para desenvolver soluções regenerativas e adaptadas ao território nacional?
A nossa lógica de intervenção assenta numa perspetiva funcional da biodiversidade do solo, pelo que as soluções que propomos não só contribuem para reduzir o uso de insumos sintéticos, como potenciam o sequestro de carbono, a retenção de água e a valorização dos serviços de ecossistema − elementos que adquirem especial relevância no contexto das alterações climáticas. Conhecendo o potencial funcional das soluções microbianas que desenvolvemos, e os seus mecanismos de ação, conseguimos alear aumentos de produtividade e resiliência à sustentabilidade dos agrossistemas em condições de maior seca e calor como os que se prevêem no âmbito da crise climática que vivemos.

Quais são os principais objetivos da vossa participação na Feira Nacional de Santarém e que tipo de colaborações ou parcerias esperam potenciar a partir deste evento?
Participar na FNA insere-se nesta estratégia de crescimento e consolidação. Para além da divulgação de novos serviços e produtos, a presença no evento representa uma oportunidade para reforçar parcerias com agricultores, instituições académicas e empresas do setor. A FNA é, assim, uma montra privilegiada para sublinhar o compromisso da Soilvitae com a inovação, a sustentabilidade, a cooperação e a competitividade da agricultura nacional.




