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Viver melhor com Lipedema: O poder da alimentação

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Junho é o mês dedicado à sensibilização para o Lipedema, uma doença crónica e progressiva que se estima que afete pelo menos 11% das mulheres. Esta doença, descrita pela primeira vez em 1940, caracteriza-se pela acumulação desproporcional de gordura subcutânea, com maior frequência nas pernas e coxas e, em alguns casos, nos braços, sem afetar os pés nem as mãos. A acumulação de gordura ocorre de forma simétrica e associa-se a dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, inchaço e facilidade para hematomas, o que compromete o bem-estar físico, a auto-estima e a saúde mental da mulher. Na origem da doença participam fatores genéticos e hormonais, sendo a puberdade, a gravidez e a menopausa períodos críticos para o seu desenvolvimento e/ou agravamento.

 

Prof. Doutora Inês Tomada Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica (Inscrita na Ordem dos Nutricionistas com cédula profissional 0045N) Nutricionista na ALLURE CLINIC, Porto e no INSTITUTO PORTUGUÊS DO LIPEDEMA da MS Medical Institutes, Lisboa Professora Convidada da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa

 

O Lipedema é muitas vezes confundido com obesidade, seja por desconhecimento seja porque é muito frequente as duas doenças coexistirem. Apesar do Lipedema não ser causado pelo excesso de peso e poder, inclusivamente, ocorrer em mulheres magras, entre as estratégias mais poderosas para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas, estão o controlo do peso corporal e os hábitos alimentares. Uma alimentação adequada pode transformar a vida destas mulheres.

Uma vez que o Lipedema está associado a um processo inflamatório crónico, uma alimentação adequada, rica em alimentos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias (como frutos vermelhos, vegetais de cor verde-escura, frutos oleaginosos e sementes, fontes de proteína de boa qualidade, peixes ricos em ómega-3 e azeite) é uma aliada poderosa, que atua na redução da inflamação e, como consequência, na redução significativa da dor e dos restantes desconfortos. É muito importante frisar que dietas restritivas não só não funcionam (a gordura do Lipedema é resistente aos métodos tradicionais de perda de peso), como podem agravar o panorama, levando à perda de massa muscular, à frustração e, claro, ao bem conhecido efeito iô-iô. Ou seja, o segredo não está em comer pouco, está em comer bem, e em ficar longe dos inimigos silenciosos que alimentam o Lipedema como o álcool e refrigerantes, e os alimentos processados ricos em sal, açúcares e farinhas refinadas, gorduras saturadas, hidrogenadas e trans.

 

 

 

 

Atualmente, desconhece-se a cura para o Lipedema, mas as evidências científicas têm vindo a demonstrar de forma consistente, que a alimentação é uma das armas mais poderosas para o seu tratamento e na prevenção da sua progressão e desenvolvimento de complicações. Por isso, a atitude mais assertiva de uma mulher que suspeita ser portadora de Lipedema é, em primeiro lugar, confirmar o diagnóstico com um médico especialista na área. Confirmada a condição, o passo seguinte é recorrer ao acompanhamento de um nutricionista qualificado e experiente, capaz de oferecer orientações nutricionais e alimentares personalizadas e eficazes. Um acompanhamento livre de julgamentos e extremismos, promovendo mudanças alimentares conscientes, sustentáveis e adaptadas à realidade de cada mulher.

Comer bem, é um dos pilares essenciais do estilo de vida da mulher que vive com Lipedema. Até porque, comer bem é a forma de cuidar da saúde cujos efeitos secundários serão seguramente viver mais, melhor e sem dor!

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