Fundada em 2016, a Viriathus Drinks nasceu para importar e distribuir mixers e destilados premium em Portugal. A ideia para o negócio, no entanto, começou a ser pensada por César Coutinho e Ralf Schmidt-Stosberg em 2011, vários anos antes de se concretizar. Antigo bartender e hoje Co-Founder e Manager da empresa, transformou a experiência atrás do balcão num projeto que atualmente representa algumas das marcas mais reconhecidas do setor das bebidas.
De bartender a empreendedor
Antes de se tornar empreendedor, César Coutinho passou vários anos no mundo da hotelaria e dos bares, experiência que acabaria por marcar profundamente o rumo da empresa. “No passado, fui bartender, inclusivamente trabalhei muitos anos fora de Portugal”, recorda. O percurso profissional passou por diferentes países e terminou, antes da criação do negócio, no Tivoli, em Lisboa, onde participou na abertura do Sky Bar.
Apesar de já ter uma carreira consolidada na área, o cansaço dos horários e a vontade de criar algo próprio e inovador começou a ganhar força. “Houve um dia que me cansei de hotelaria, não do trabalho em si, mas do horário e do cansaço que tinha nessa vida”, explica.
A ideia de criar um negócio já estava, no entanto, a ser construída há algum tempo. César Coutinho tinha reunido num caderno diferentes projetos e conceitos ligados ao universo do bar. Entre eles estava a possibilidade de trazer para Portugal produtos e marcas que via no estrangeiro, mas que ainda não tinham presença no mercado nacional.

O primeiro passo e o risco inicial
O momento decisivo chegou em 2010, quando decidiu arriscar e avançar com o projeto empresarial. “Dia 6 de setembro de 2010 abro a minha empresa, muito ingénuo, a pensar ‘vamos ver o que é que isto dá’”, conta. A estratégia inicial passava por criar uma plataforma online para vender produtos ligados ao universo da coquetelaria, algo ainda pouco comum em Portugal na altura. O objetivo era simples: aproximar bartenders e consumidores de produtos que ainda não estavam disponíveis no mercado nacional.
Entre as primeiras marcas contactadas estava a Fever-Tree, produtora britânica de mixers premium. Foi também através desse contacto que César Coutinho conheceu Ralf Schmidt-Stosberg, empreendedor ligado à distribuição de equipamentos e produtos para restauração. Esse encontro viria a revelar-se determinante para o futuro da empresa.
A aposta numa marca premium
Na altura, a Fever-Tree já estava presente em alguns mercados internacionais, mas a presença em Portugal era ainda muito reduzida. Coutinho acreditava, no entanto, no potencial do produto.
“Apresentei-lhe uma proposta e disse: acredito que este é o caminho certo para a marca em Portugal. Deixa-me desenvolvê-la e eu lanço-a ao mercado, recorda sobre a conversa com Stosberg.
Depois de negociações, os dois chegaram a acordo e iniciaram o projeto. Os primeiros resultados surgiram rapidamente. “Em três semanas vendemos tanto como se tinha vendido de 2007 até 2010”, conta. O crescimento inicial demonstrou que havia espaço no mercado português para produtos premium, mesmo num contexto em que esse segmento ainda era pouco conhecido.
As dificuldades de introduzir produtos premium
Apesar dos primeiros sinais positivos, a entrada no mercado não foi fácil. Um dos maiores desafios era convencer clientes e profissionais do setor a apostar em produtos mais caros (devido à sua qualidade) e menos conhecidos.
“Foi muito difícil lançar um produto premium que ninguém conhecia”, admite César Coutinho. “Custava três vezes mais do que a marca concorrente que estava no mercado e que já estava instalada há anos”.
A solução passou por um contacto direto com os profissionais do setor. Sem uma rede de distribuição nacional, a empresa começou literalmente a bater às portas de bares e restaurantes para apresentar os produtos.
“Tivemos de nos dar a conhecer na rua e começar a vender diretamente, a puxar portas frias”, explica.


Uma equipa que fala a mesma linguagem
A experiência como bartender acabou por influenciar também a forma como a empresa se organizou internamente. Desde cedo, César Coutinho apostou numa equipa composta maioritariamente por profissionais que tinham trabalhado em bares. “Montámos uma equipa de profissionais da área de bar, uns com mais conhecimentos, outros com menos, mas todos com experiência no setor”, afirma. Atualmente, a empresa conta com uma equipa comercial significativa, onde muitos dos colaboradores continuam ligados ao universo da coquetelaria. A proximidade com o setor tornou-se uma das vantagens competitivas da empresa. “Falamos a mesma linguagem dos bartenders e percebemos exatamente aquilo que eles procuram”, explica.
A criação da Viriathus Drinks
Depois de alguns anos de crescimento e consolidação do negócio, a empresa ganhou uma nova estrutura. Em 2016, nasce oficialmente a Viriathus Drinks, empresa dedicada à importação e distribuição de bebidas premium em Portugal, com três fundadores para além de César Coutinho e Ralf Schmidt-Stosberg juntou-se Miguel Carvalho.
A marca integra o Grupo Stosberg e representa atualmente várias referências internacionais no mercado nacional, entre elas Fever-Tree, Planteray Rum, Citadelle Gin, Tito’s Handmade Vodka, Giffard, Pallini Limoncello ou Ferrand Cognac.
Segundo a empresa, o objetivo passa por selecionar produtos de elevada qualidade e disponibilizá-los tanto a profissionais como a consumidores interessados no universo da coquetelaria.
Crescimento e reconhecimento no setor
Ao longo dos anos, o crescimento da empresa foi acompanhado por vários reconhecimentos no setor. Entre eles destaca-se o prémio de “Melhor Embaixador de Marca”, atribuído a César Coutinho no Lisbon Bar Show em 2016 e 2017.
A Viriathus Drinks foi também distinguida pela revista Drinks Diary e pela Associação de Barmen da Madeira.
Apesar do reconhecimento, Coutinho garante que nunca trabalhou com os prémios como objetivo principal. “Nunca pensei sequer no primeiro prémio, quando veio, fiquei feliz, mas nunca foi isso que nos moveu”, afirma.
O impacto do boom do gin
Um dos momentos que mais impulsionou o crescimento da empresa foi o chamado “boom do gin” em Portugal, fenómeno que levou à popularização do gin-tónico e ao aumento da procura por mixers premium.
César Coutinho reconhece que esse movimento teve impacto direto na evolução da empresa. “O boom ajudou-nos muito, como é óbvio, e eu também fui um dos impulsionadores desse mundo”, admite.
Ainda assim, a estratégia passou sempre por manter uma visão de longo prazo. “Sabíamos que aquilo podia cansar as pessoas e que o mercado ia mudar”, explica.
Valores e estratégia de crescimento
Ao longo do tempo, a empresa definiu três princípios fundamentais para orientar o crescimento: consistência, qualidade do produto e confiança com os clientes “Nunca falhar com o cliente, cumprir a palavra e ter consistência no trabalho”, resume César Coutinho.
Essa relação de confiança tem permitido consolidar a posição da empresa no mercado. Segundo o responsável, muitos clientes passaram a confiar na seleção de produtos feita pela Viriathus Drinks. “Hoje em dia, basta mostrarmos uma fotografia de um produto novo e os clientes dizem logo: ‘manda vir, porque sabemos que é vosso e que é de qualidade”, afirma.

Olhar para o futuro
Após mais de uma década de atividade, a empresa continua a apostar na expansão do portefólio e na introdução de novas marcas no mercado português. Entre os projetos previstos está a entrada de novas bebidas no catálogo, incluindo destilados e outras referências internacionais.
Para César Coutinho, o objetivo mantém-se simples: continuar a crescer de forma sustentada e manter a confiança conquistada no mercado. “Nunca mudar a metodologia de trabalho e acreditar sempre nos nossos valores”, afirma.
O percurso da empresa reflete essa evolução: nos primeiros três meses de atividade, a faturação rondava os seis mil euros, enquanto atualmente o negócio ultrapassa os oito milhões de euros anuais.
Depois de 15 anos ligados ao setor, o empreendedor acredita que a aposta na qualidade e na relação com os profissionais continuará a ser a base do sucesso da empresa, uma filosofia que começou atrás de um balcão e que hoje se reflete num negócio consolidado no mercado português das bebidas premium.






