Raquel Silva, Médica Dentista e Fundadora da Cliavintes, lidera atualmente uma equipa de 23 profissionais num setor marcado pela exigência e pela constante adaptação. O seu percurso profissional foi construído entre desafios, crescimento sustentado e uma aprendizagem contínua sobre liderança, gestão e relação humana, pilares que orientam a sua prática clínica e a organização da clínica que dirige.

Um percurso feito de crescimento e responsabilidade
Quando iniciou a sua atividade profissional, Raquel Silva não imaginava a dimensão que o seu projeto viria a alcançar. Atualmente, dirige a Cliavintes, uma clínica dentária com mais de 20 anos de existência, resultado de um crescimento gradual e sustentado. “Nunca pensei ter uma clínica deste tamanho, nem uma equipa como a que tenho hoje”, admite.
Ao longo do percurso, as circunstâncias obrigaram-na a assumir funções de liderança para as quais, como refere, não se sentia totalmente preparada. “As coisas foram acontecendo na minha vida e obrigaram-me a ser líder”, recorda. Esse processo foi acompanhado por uma consciência crescente da necessidade de continuar a investir na formação e no desenvolvimento pessoal, não apenas enquanto médica dentista, mas também enquanto gestora e líder de equipa.

A pandemia como ponto de viragem
Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi a pandemia de Covid-19. O impacto foi imediato e profundo: a clínica ficou praticamente sem equipa e limitada ao regime de urgência. “Cheguei a estar praticamente sozinha a assegurar três gabinetes”, conta.
O medo, a incerteza e a dificuldade em retomar a atividade normal tornaram esse período particularmente exigente. No entanto, foi também um momento de reflexão. “Percebi que era uma boa médica dentista, mas que me faltavam competências enquanto líder”, afirma. Essa constatação levou-a a procurar formação específica na área da gestão e liderança, frequentando programas como o Clínica de Sucesso e o Masters da Academia Negócios de Saúde.
Liderar na área da saúde
Para Raquel Silva, um dos maiores desafios da liderança na área da saúde é a gestão de pessoas. A formação académica, sublinha, não prepara os profissionais para essa dimensão. “Não somos ensinados a liderar, a ter uma empresa ou a gerir pessoas que dependem de nós”, explica.
A dificuldade em reter talento é outro obstáculo frequente, especialmente num contexto em que a mobilidade profissional é cada vez maior. Ainda assim, acredita que os valores e a forma de estar fazem a diferença. “Quando temos princípios bem definidos, isso torna-se um fator diferenciador face à concorrência”, defende.

Liderança feminina e empatia como valor central
A liderança feminina é, hoje, um tema cada vez mais debatido, e Raquel Silva considera que a empatia é o pilar fundamental do seu estilo de liderança. “O mais importante é conseguirmos colocar-nos no lugar do outro”, afirma. Para a médica dentista, liderar não passa por uniformizar comportamentos, mas por reconhecer as diferenças individuais. “Não queremos que as pessoas sejam iguais a nós”, sublinha, acrescentando que é precisamente na diversidade que se encontram competências complementares dentro de uma equipa.
Da vocação contrariada à realização profissional
O percurso de Raquel Silva na medicina dentária não começou de forma totalmente convicta. Inicialmente interessada em arquitetura, acabou por seguir a área da saúde. Foi apenas com a prática clínica que surgiu a verdadeira identificação com a profissão. “Quando comecei a trabalhar diretamente com pessoas, percebi que gostava mesmo disto”, recorda. Desde então, a sua carreira desenvolveu-se sempre dentro da medicina dentária, área onde encontrou realização profissional e pessoal.
A relação com o paciente como prioridade
A identidade profissional da médica dentista reflete-se diretamente na forma como a clínica se organiza e se relaciona com os pacientes. A empatia, o respeito e a confiança são valores transversais à equipa. “Tentamos afastar aquela distância tradicional entre médico e paciente”, explica.
Na sua visão, ouvir o paciente é essencial para adequar o plano de tratamento às suas necessidades reais. “Temos de perceber o que a pessoa sente e como podemos ajudar”, afirma, defendendo uma abordagem mais humana e personalizada.
Crescer, melhorar e desafiar-se
Conciliar a vida pessoal, familiar e profissional exige resiliência, mas Raquel Silva encontra motivação na própria natureza da profissão. “O que me motiva é a vontade de ajudar os outros”, afirma. A isso junta-se um espírito inquieto e orientado para a melhoria contínua. “Os desafios é que me movem”, confessa.
Atualmente, lidera uma equipa de 23 profissionais, entre colaboradores permanentes e prestadores de serviços, o que exige flexibilidade e capacidade de adaptação constantes.

Perspetivas de crescimento
Raquel Silva pretende continuar a evoluir, tanto a nível pessoal como profissional, mantendo a Cliavintes como referência na medicina dentária e fortalecendo a sua equipa. “Quero continuar a aprender e a fazer a diferença na vida dos meus pacientes e de quem trabalha comigo”, afirma.
Às mulheres que ambicionam liderar na saúde, deixa um conselho direto: “Tentem. O não é garantido”. O percurso de Raquel mostra que liderança não é apenas gerir pessoas ou processos, mas inspirar confiança, motivar talentos e transformar desafios em oportunidades. Com empatia, resiliência e visão estratégica, construiu uma clínica e uma equipa sólida, provando que é possível unir excelência profissional e valores humanos num setor exigente.






