Depois de uma longa carreira na Nestlé, onde liderou diferentes áreas de marketing e consumer, Teresa Roseta encontrou no desenvolvimento pessoal, na longevidade e no coaching uma nova missão. A antiga executiva defende que a liderança do futuro exige mais do que competências técnicas: exige líderes conscientes, alinhados com os seus valores e capazes de inspirar confiança através da autenticidade.
Para Teresa Roseta, a maior aprendizagem de décadas em cargos de liderança foi perceber que o autoconhecimento está na base de todas as grandes decisões. Conhecer quem somos, compreender os nossos valores, identificar os medos e definir o propósito que orienta as nossas ações são, na sua perspetiva, elementos fundamentais para liderar equipas de forma consistente e criar relações de confiança. “Quando assumi pela primeira vez a liderança da equipa de que fazia parte, a minha maior preocupação não era a estratégia. Era conquistar a confiança dos meus antigos colegas. Foi nesse momento que comecei a refletir sobre quem queria ser enquanto líder”.
Foi desta reflexão que nasceu o conceito de Liderança com Coragem, uma abordagem que ajuda líderes a desenvolverem-se a partir do autoconhecimento, da autenticidade e da capacidade de agir em coerência com os seus valores. Segundo explica, um líder que se conhece é também um líder mais autêntico. Essa autenticidade cria um ambiente de confiança, indispensável para equipas de elevado desempenho. No entanto, reconhece que o ritmo acelerado das organizações deixa pouco espaço para a reflexão pessoal, uma realidade que considera um dos maiores desafios da liderança contemporânea.
Outra das conclusões que retirou da sua experiência é que períodos de transformação organizacional não têm necessariamente de ser sinónimo de conflito. Para Teresa Roseta, mudanças profundas podem ser vividas com serenidade, desde que o líder saiba criar o contexto adequado para as equipas. Mais uma vez, tudo começa pelo autoconhecimento: “Quem quero ser enquanto líder durante um processo de mudança?” é, para si, uma pergunta essencial.

Da liderança corporativa ao coaching para a longevidade
A transição da multinacional para uma atividade centrada no coaching e na longevidade surgiu de um processo pessoal de reflexão, iniciado por volta dos 40 anos, e reforçado por investigação desenvolvida sobre o impacto da longevidade nas empresas e na sociedade.
Só que para aumentar os anos vividos com saúde é preciso ter uma perspetiva holística da mesma, tomando consciência e cuidando do corpo, da mente e das emoções, permitindo assim que as pessoas vivam mais anos com mais propósito e bem estar. Para Teresa Roseta, a longevidade é em si mesma um convite ao autoconhecimento.
A antiga gestora identifica dois grandes insights que mudaram a sua perspetiva. O primeiro é que hoje vivemos mais anos, o que representa uma oportunidade inédita para construir várias carreiras, reinventar percursos profissionais e viver diferentes fases de vida com novos propósitos.
O segundo prende-se com a diferença entre viver mais tempo e viver melhor. Apesar do aumento da esperança de vida, sublinha que os anos adicionais nem sempre são vividos com qualidade, devido à redução do chamado healthspan – o período da vida vivido com boa saúde. Daí defender que a longevidade deve assentar no cuidado do corpo, da mente e das emoções, permitindo que as pessoas vivam mais anos com propósito e bem-estar.
A falta de coragem na liderança
Quando questionada sobre as lacunas que identifica nas organizações, Teresa Roseta é clara: faltam líderes corajosos.
Mas faz questão de esclarecer o significado que atribui à coragem. Recordando a origem latina da palavra cor (coração), explica que liderar com coragem é literalmente agir com o coração, o que não significa agir por impulso ou emoção. Significa tomar decisões alinhadas com os valores, o propósito e a identidade de cada líder.
Na sua visão, a coragem nasce do conhecimento profundo de quem somos e traduz-se na capacidade de agir de forma coerente, mesmo perante contextos exigentes. É essa coerência que permite construir confiança e relações sólidas dentro das organizações.
Equipas multigeracionais são uma vantagem competitiva
O aumento da longevidade coloca também novos desafios às empresas, nomeadamente a convivência entre várias gerações nas equipas. Contrariando algumas ideias feitas, Teresa Roseta acredita que a diversidade geracional é uma enorme vantagem competitiva. A experiência dos profissionais mais seniores complementa a energia, a inovação e as novas competências dos colaboradores mais jovens, criando uma relação de aprendizagem mútua.
Na sua experiência, tanto os profissionais mais novos como os mais experientes valorizam esta troca de conhecimentos. Defende, por isso, que cabe às organizações criar condições para a atualização contínua dos colaboradores e promover equipas onde diferentes gerações possam aprender em conjunto.
O sucesso mede-se pelo equilíbrio
Para Teresa Roseta, o sucesso deixou de estar associado exclusivamente à carreira profissional. Acredita que resulta da integração equilibrada das diferentes dimensões da vida – família, trabalho, saúde, aprendizagem, lazer ou relações pessoais. Esse equilíbrio não é igual para todos nem permanece constante ao longo da vida. O mais importante é que cada pessoa reflita sobre as áreas que considera prioritárias e faça escolhas conscientes, ajustando-as às diferentes fases do seu percurso. No entender de Teresa Roseta, a liderança do futuro será cada vez mais construída a partir do autoconhecimento, da autenticidade e da coragem para agir em coerência com os próprios valores. Só assim será possível formar líderes capazes de responder aos desafios de organizações em constante transformação, promovendo equipas mais confiantes, colaborativas e preparadas para um futuro marcado pela longevidade e pela mudança contínua. Atualmente desenvolve programas de liderança, ações de formação, coaching individual, palestras e workshops para apoiar líderes e organizações na construção de culturas de confiança, autenticidade e desenvolvimento humano.








