Solange Moreira, CEO da UKINO Hotels, define o posicionamento da marca como o de um parceiro estratégico do proprietário, capaz de transformar cada ativo num projeto distinto, rentável e com identidade própria, assente em pilares de gestão à medida, excelência operacional e criação de valor duradouro.
De que forma define hoje o posicionamento da UKINO Hotels e quais os pilares estratégicos que sustentam essa diferenciação?
A UKINO nasceu para questionar modelos estabelecidos e elevar a forma como os ativos hoteleiros são pensados, geridos e valorizados. Não somos apenas operadores. Somos parceiros estratégicos do proprietário, com uma visão integrada que une hospitalidade, gestão, investimento e criação de valor.
O nosso ponto de partida é simples, mas determinante: nenhum hotel é igual a outro. Cada projeto exige uma solução própria, construída a partir do ADN do destino, da identidade da unidade, das expectativas do proprietário e da relação emocional que existe com o ativo.
Não replicamos fórmulas. Escutamos, analisamos e desenhamos modelos de gestão à medida, capazes de transformar cada hotel num projeto distinto, relevante e financeiramente sólido.
A nossa diferenciação vive no equilíbrio entre visão e detalhe. Criamos conceitos e experiências que marcam o posicionamento, mas acompanhamos com o mesmo rigor cada indicador operacional, financeiro e comercial. Procuramos sempre maximizar a rentabilidade, valorizar o ativo e proteger os interesses do proprietário, sem comprometer a qualidade do serviço nem a autenticidade da experiência. As pessoas ocupam um lugar central neste modelo. Sabemos que a excelência sentida pelo hóspede começa na forma como cuidamos, envolvemos e capacitamos as nossas equipas. A experiência internacional que reunimos permite pensar à escala global e executar com proximidade, agilidade e profundo conhecimento local. Somos uma empresa jovem, mas os resultados já demonstram a consistência da nossa visão. Crescemos com ambição, discrição e sentido de responsabilidade, porque o nosso objetivo é criar valor duradouro, elevar cada projeto e deixar uma marca positiva nas pessoas, nos proprietários e nos destinos.

Como é que a UKINO traduz o conceito de hospitalidade de excelência em práticas concretas ao longo da jornada do hóspede?
A hospitalidade de excelência não é um gesto isolado nem um protocolo. É uma cultura que se sente em cada contacto e que começa muito antes da chegada do hóspede. Está presente no conceito que criamos, na forma como posicionamos e comunicamos cada hotel e na promessa que lançamos ao mercado.
Procuramos que exista coerência e emoção em toda a experiência. O produto, o serviço, o espaço, as pessoas e o momento devem ligar-se de forma natural, criando vivências diferenciadoras que permaneçam na memória. É essa conexão emocional que transforma uma estadia numa experiência verdadeiramente marcante e um hóspede num embaixador da marca.
Ao longo da jornada, esta visão traduz-se na atenção ao detalhe, na personalização e na capacidade de antecipar expectativas. Desafiamos continuamente as nossas equipas a observar, escutar e agir com autonomia, criatividade e sensibilidade. A excelência acontece quando conseguimos surpreender de forma genuína, resolver com rapidez e fazer com que cada hóspede se sinta verdadeiramente reconhecido. Mas nenhuma experiência memorável se constrói sem pessoas envolvidas e valorizadas. Por isso, cuidamos primeiro de quem cuida. Quando as equipas compreendem o propósito, sentem orgulho no projeto e sabem que a sua voz é ouvida, o serviço deixa de ser apenas eficiente e torna-se autêntico. A jornada não termina na partida. Escutamos o feedback e transformamo-lo em melhoria contínua, sempre com a inquietude de inovar e encontrar novas formas de criar valor. O nosso objetivo é que o hóspede não recorde apenas onde esteve, mas sobretudo como se sentiu. Essa memória é, para nós, a expressão mais genuína da hospitalidade.
A valorização dos destinos onde estão inseridos parece ser uma preocupação clara da marca. Como é que a UKINO Hotels integra a identidade local e contribui para o desenvolvimento sustentável desses territórios?
Um hotel não deve viver separado do território que o acolhe. Deve respeitá-lo, interpretá-lo e contribuir ativamente para a sua valorização. Na UKINO, a identidade local está presente desde a construção do conceito, refletindo a cultura, a gastronomia, as tradições e a forma de viver de cada destino no produto, no serviço e nas experiências que proporcionamos. Esta filosofia começa logo na forma como comunicamos e promovemos as nossas unidades. Antes de apresentarmos o hotel, damos a conhecer o destino, as suas particularidades, os seus atrativos e aquilo que o torna verdadeiramente especial. Só depois estabelecemos a ligação com a unidade e mostramos como esta permite viver e sentir esse território. Convidamos o hóspede a descobrir um lugar e posicionamos o hotel como parte integrante dessa experiência.
Esta ligação concretiza-se também na valorização das pessoas e da economia local. Sempre que possível, integramos talento da região, privilegiamos fornecedores e produtores locais e criamos experiências que levam o hóspede a descobrir o que existe para além do hotel. Desta forma, contribuímos para distribuir valor pela comunidade e reforçar a autenticidade do destino.
Entendemos a sustentabilidade nas suas três dimensões: ambiental, social e económica.
Para além das certificações e das práticas de eficiência implementadas nas unidades, promovemos ações de limpeza de praias, apoiamos corporações de bombeiros e populações afetadas por incêndios ou cheias e colaboramos com organizações como a Make A Wish. A nível corporativo, apoiamos também jovens atletas de alta competição, através de bolsas que lhes permitem prosseguir o seu percurso. Acreditamos que o sucesso de um hotel só é verdadeiramente sustentável quando gera prosperidade partilhada. O nosso compromisso é crescer com os destinos, proteger aquilo que os torna únicos e deixar uma marca positiva que permaneça muito para além da estadia.
Como caracteriza o seu estilo de liderança na UKINO Hotels e de que forma este influencia as equipas?
A minha forma de liderar continua em construção. Foi sendo moldada pelas pessoas com quem trabalhei, pelas diferentes culturas que conheci, pelos desafios que enfrentei e, de forma muito especial, pelas equipas que tive o privilégio de acompanhar. Com todas elas aprendi que um cargo pode conferir autoridade, mas a liderança conquista-se todos os dias.
Procuro exercer uma liderança próxima, exigente e humana. Gosto de escutar quem conhece a operação, quem está próximo do hóspede e quem identifica diariamente os problemas e, muitas vezes, também as melhores soluções. Não acredito que o líder tenha todas as respostas. Acredito que deve saber fazer as perguntas certas, reconhecer o talento à sua volta e criar espaço para que as pessoas possam contribuir, crescer e surpreender.
Liderar exige definir uma direção, assumir responsabilidades e manter o rumo quando existe um propósito claro. Tento equilibrar empatia e exigência, proximidade e autoridade, sabendo que nem sempre é fácil e que também eu continuo a aprender. A empatia sem exigência pode tornar- se complacência, tal como a exigência sem empatia pode transformar-se em autoritarismo.
Procuro incentivar equipas autónomas, curiosas e criativas, nas quais cada pessoa compreenda o impacto do seu trabalho no projeto coletivo. Quero que sintam que a sua voz é ouvida, mas também que são desafiadas a evoluir e a elevar continuamente a fasquia. Se a minha liderança influencia positivamente as equipas, espero que seja sobretudo através da coerência, da confiança e do exemplo. Mais do que demonstrar poder, procuro merecer o respeito das pessoas com quem trabalho. Porque liderar, para mim, é construir o caminho em conjunto, sem deixar de assumir a responsabilidade pela direção.
Num contexto global marcado por rápidas mudanças no turismo, que tendências considera mais relevantes e como está a UKINO Hotels a adaptar-se a essas novas exigências do mercado?
A mudança mais relevante não está apenas na forma como as pessoas viajam, mas naquilo que esperam sentir quando viajam. O hóspede está mais informado, mais exigente e procura experiências personalizadas, autênticas e coerentes com os seus valores.
A tecnologia, a Inteligência Artificial e a utilização inteligente dos dados estão também a transformar toda a jornada, desde a inspiração e a reserva até à personalização da estadia. Na UKINO, encaramos esta evolução como uma oportunidade para conhecer melhor o hóspede, antecipar necessidades, tornar os processos mais simples e reforçar o canal direto. Contudo, temos uma convicção clara: a tecnologia deve libertar tempo para cuidar melhor das pessoas, nunca substituir a dimensão humana da hospitalidade.
Outra tendência é a procura de um turismo mais responsável, ligado ao território e capaz de gerar impacto positivo. Por isso, integramos a sustentabilidade ambiental, social e económica nas nossas decisões e valorizamos a identidade dos destinos, as comunidades, o talento e os fornecedores locais. O viajante procura cada vez mais autenticidade, mas exige também coerência entre aquilo que uma marca comunica e aquilo que efetivamente pratica.
Perante um mercado em permanente mudança, a nossa resposta assenta na agilidade, na criatividade e na capacidade de adaptação.
Queremos antecipar o futuro, mas preservar aquilo que será sempre essencial: a capacidade de escutar, surpreender e criar uma ligação genuína entre o hóspede, o hotel e o destino.
Quais as principais ambições da UKINO e que papel pretende desempenhar no panorama hoteleiro?
A nossa ambição é afirmar a UKINO como uma referência independente na gestão hoteleira, reconhecida pela capacidade de transformar ativos em projetos distintos, rentáveis e com identidade própria. Queremos criar conceitos que marquem a diferença e modelos de gestão capazes de maximizar a rentabilidade, proteger o investimento e aumentar o valor patrimonial do imóvel através de uma operação eficiente e de um posicionamento correto e diferenciador.
Temos vários projetos em diferentes fases de análise e negociação, tanto em Portugal como noutros mercados internacionais. Posso afirmar que estamos a preparar o futuro com ambição, critério e uma visão muito clara sobre o crescimento que queremos construir.
Cada nova oportunidade deve respeitar os nossos princípios, estar alinhada com a visão do proprietário e permitir preservar a proximidade e a atenção ao detalhe que nos distinguem.
No panorama nacional, pretendemos contribuir para uma hotelaria mais profissional, inovadora e capaz de valorizar a singularidade dos destinos portugueses. Internacionalmente, queremos levar um modelo de gestão que combina experiência global, conhecimento dos mercados emissores e capacidade de adaptação a cada cultura, território e ativo.
A nossa visão de futuro passa por continuar a investir nas pessoas, na tecnologia, na sustentabilidade e na criação de experiências que estabeleçam uma ligação emocional com o hóspede. Fazêmo-lo com um compromisso muito claro com a rentabilidade, a eficiência operacional e financeira e a valorização dos ativos que nos são confiados. Mais do que construir um portefólio, queremos construir uma reputação e um legado. Que a UKINO seja reconhecida não apenas pelos hotéis que gere, mas pela forma como os transforma, pelo valor que acrescenta aos ativos, pelos resultados que entrega, pelas pessoas que faz crescer e pelo impacto positivo que deixa nos destinos onde está presente.








