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Sabor do Ano: O gosto da confiança

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Visionário e apaixonado pelo sabor em todas as suas formas, Willy Mansion construiu há três décadas o selo Sabor do Ano, hoje símbolo internacional de confiança e prazer à mesa. Ao celebrar dez anos em Portugal, o fundador reflete sobre a arte de conjugar rigor e emoção — dos testes sensoriais às cegas à integração de valores como a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. Entre o empreendedor e o homem que encontrou na música uma nova forma de falar de ecologia, nasce um testemunho sobre consumir melhor, com consciência e prazer.

Enquanto criador do Sabor do Ano, qual considera ter sido o maior desafio na expansão internacional do selo – de França para mercados como Portugal – e como a metodologia de testes com consumidores evoluiu para se manter relevante face a novas tendências alimentares?

O maior desafio foi conseguir expandir-nos sem nunca perder a nossa exigência inicial. A nossa força, há 30 anos, é uma metodologia rigorosa, construída com laboratórios de análises sensoriais. O nosso ADN é testar os produtos às cegas, sem referência da marca e com consumidores. E isso nunca quis alterar.  No entanto, foi necessário fazê-la evoluir. Os consumidores de hoje já não avaliam apenas o sabor. Olham para a composição, origem e impacto ambiental. Fomos, por isso, enriquecendo progressivamente o nosso dispositivo para integrar estas novas expectativas, mantendo o sabor como ponto de partida. É este equilíbrio entre consistência e adaptação que nos permite continuar relevantes, independentemente do país.

 

Willy Mansion, Fundador

 

Com o Sabor do Ano a celebrar 10 anos em Portugal, através da Global Quality Ibéria, que diferenças culturais ou de consumo observa entre o mercado francês e o português, e como isso influencia a seleção de produtos premiados?

É sempre delicado falar de diferenças, porque, no fundo, há sobretudo um ponto comum muito forte: são dois países de gastronomia. Tanto em França como em Portugal, gosta-se de cozinhar, partilhar e desfrutar da comida.

As diferenças situam-se mais nos hábitos, nos produtos do dia a dia, nas referências culturais. Mas o nosso papel não é julgar essas diferenças, é integrá-las. São os próprios consumidores portugueses que testam os produtos, com os seus valores e expectativas. É isso que garante a legitimidade do prémio. Não decidimos por eles; damos-lhes apenas os meios para se exprimirem. Trata-se de uma expressão independente e enquadrada por um caderno de encargos. Cada consumidor contribui para a construção de uma avaliação sólida.

No seu percurso como divulgador do consumo sustentável, de que forma o Sabor do Ano integra critérios ambientais nas avaliações de sabor, especialmente num ano em que categorias como Bio e “Made in Portugal” ganham destaque?

Iniciámos esta mudança há vários anos, com uma convicção forte: o sabor já não é suficiente. É necessário analisar o produto na sua globalidade. Concretamente, acrescentámos indicadores de impacto que complementam a avaliação sensorial: composição, valor nutricional, reciclabilidade, compromissos ambientais das marcas. Estes critérios baseiam-se em referenciais reconhecidos, para garantir a objetividade. Categorias como “Bio” ou “Made in Portugal” seguem essa lógica. Valorizam práticas mais responsáveis e locais. Mais uma vez, o nosso papel é dar visibilidade a iniciativas que contribuem para uma alimentação mais sustentável.

No espetáculo My Way, que homenageia Frank Sinatra, como usa a música para promover mensagens de sustentabilidade e qual a ligação conceptual entre o seu legado familiar e os valores do consumo consciente?

“My Way” nasceu de um segredo de família: a ligação entre a minha avó e Frank Sinatra, em Foggia, em 1945. Esta história íntima levanta uma questão muito mais ampla: o que deixamos realmente às gerações futuras? Posso ser neto de um crooner, mas sou sobretudo avô de uma criança que crescerá num planeta fragilizado. O nascimento do meu neto provocou em mim uma tomada de consciência ecológica profunda. Reinventei a minha empresa e a minha forma de viver. Por vezes, pensamos estar no topo, quando na realidade estamos à beira do abismo.

Perante isso, senti necessidade de explorar outra linguagem, que complementasse a da empresa – um espaço mais cru, mais visceral. Escrevi então um espetáculo para levar o público a uma ecologia positiva e alegre. É a primeira vez que um empresário cria um espetáculo para explicar a sua transição ecológica. Mas não com números, relatórios ou imposições – porque esquecemos algo essencial: a emoção. Eu faço-o através da música, com uma narrativa diferente e com muito humor.

E resulta! O espetáculo tem sido elogiado pela imprensa. Um jornalista escreveu: «Uma nova via da ecologia foi aberta».

No tempo de Sinatra, a elegância era consumir o máximo possível; hoje, é consumir melhor!

Após mais de 150.000 testes e 2.000 produtos reconhecidos globalmente, como diferencia o Sabor do Ano de outros prémios gastronómicos, e qual o impacto comprovado nos resultados comerciais das empresas galardoadas?

O que nos distingue profundamente é que não somos um júri de especialistas. O único juiz é o consumidor, com a sua experiência, o seu olhar neutro e a sua sinceridade. Cada produto é testado às cegas, sem referência à marca e sob a supervisão de um laboratório de análise sensorial acreditado. A nossa metodologia garante uma objetividade e credibilidade únicas. E essa credibilidade tem impacto direto. Quando um produto é premiado, torna-se uma referência de compra. Os consumidores confiam nele, porque sabem que foi validado por outros consumidores.

Para as empresas, é um forte acelerador. Representa não apenas um reconhecimento qualitativo, mas uma ferramenta estratégica de diferenciação no ponto de venda.

Mas, para além do desempenho comercial, é também um reconhecimento do trabalho bem feito.

Que evoluções estratégicas, como novas categorias focadas em produtos circulares ou parcerias com startups de foodtech, prevê para o Sabor do Ano nos próximos anos e como isso reforçará o seu papel como referência de qualidade sustentável?

Estamos num momento decisivo. A alimentação está em plena transformação, em toda a cadeia de valor. A inovação alimentar já não assenta apenas na receita ou no sabor (embora este continue a ser central). Se negligenciarmos o sabor e o prazer, não conseguiremos mobilizar os consumidores para a mudança.

Hoje, baseia-se numa combinação de fatores como:

  • Cadeias agrícolas mais sustentáveis
  • Alternativas de consumo
  • Inovações industriais e circulares
  • Garantia nutricional
  • Entre outros

O nosso papel é acompanhar este movimento, nomeadamente através da integração de novos critérios.

Além disso, surgem novos atores no mercado, como startups que estão a reinventar a alimentação do futuro. São muitas vezes elas que impulsionam a mudança. Criámos também mecanismos para as apoiar.

É importante que todos os agentes da mudança possam participar e ganhar visibilidade. Não quero deixar ninguém para trás.

O objetivo mantém-se: identificar, valorizar e acelerar iniciativas que contribuem positivamente. Se queremos continuar a ser uma referência, temos de antecipar o futuro, sem nunca perder o nosso foco: o consumidor e o prazer.

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