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Preservar o mar, formar o futuro

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Matosinhos continua a viver do mar, mas as profissões que o mar sustenta estão a mudar rapidamente. Do Porto de Pesca ao Porto de Leixões, o FOR-MAR assume-se como parceiro estratégico do território, formando profissionais que combinam saber-fazer tradicional com tecnologia e sustentabilidade, explica Olga Vide, Diretora de Coordenação Operacional da entidade.

O mar tem uma dimensão estruturante da identidade e da economia de Matosinhos, mas as profissões marítimas estão a mudar profundamente. Que transformação tem o FOR-MAR observado nas competências que hoje são exigidas aos profissionais do setor e o que nos diz essa evolução sobre o futuro do trabalho ligado ao mar?

O FOR-MAR  tem acompanhado a transformação verificada nas profissões ligadas ao mar. Em toda a área marítima, mas particularmente na Pesca, as profissões ligada aos Mar estão a deixar de depender apenas do saber-fazer tradicional. O futuro do trabalho ligado ao mar está cada vez mais tecnológico, mais seguro e mais sustentável. Em Matosinhos, onde a relação com o mar faz parte da identidade económica e cultural, isto significa que é fundamental preservar o conhecimento e a experiência das profissões tradicionais, mas articulando-as com novas competências.

Neste contexto o desafio da formação profissional é preparar pessoas para profissões que estão a mudar, sem perder a ligação ao conhecimento acumulado ao longo de gerações. O mar continuará a criar emprego, mas cada vez mais para profissionais capazes de combinar experiência prática com tecnologia, segurança  e práticas de preservação  ambiental.

 

Olga Vide, Diretora de Coordenação Operacional

 

Entre a tradição da pesca e das atividades portuárias e a emergência de novas áreas ligadas à tecnologia, à sustentabilidade e à economia azul, que papel deve assumir a formação profissional na preparação de uma nova geração de trabalhadores do mar?

A pesca é um setor que faz parte da própria identidade de Matosinhos. Tem uma importância histórica, económica e cultural que atravessa gerações e que continua a marcar profundamente a relação da cidade com o mar. Ainda assim, esta realidade alterou-se significativamente nos últimos anos. O número de profissionais da pesca residentes no concelho diminuiu de forma muito acentuada e, atualmente, muitas das embarcações que descarregam em Matosinhos são provenientes de outras localidades, nomeadamente das Caxinas e da Póvoa de Varzim.

Porém esta mudança de cenário não significa que devamos perder a ligação à pesca. É essencial preservar esse legado, contudo, preservar não significa ficar preso ao passado. Significa garantir que o conhecimento, a experiência e a identidade construídos ao longo de gerações continuam a ter lugar num setor marítimo que está hoje em profunda transformação.

A Formação Profissional desempenha, assim, um papel fundamental, valorizando o saber-fazer transmitido pelas gerações anteriores, mas, simultaneamente, acrescentando novas ferramentas e novas competências.  A Formação prepara profissionais capazes de responder aos desafios atuais e futuros do setor, nomeadamente nas áreas da tecnologia, da segurança, da sustentabilidade e da gestão dos recursos marinhos. Esta combinação entre experiência, inovação e sustentabilidade é essencial para criar oportunidades de emprego e garantir que o mar continua a ser, para Matosinhos, um espaço de desenvolvimento e de futuro.

Porém, a  ligação de Matosinhos ao mar não se limita à pesca. O Porto Comercial de Leixões é uma infraestrutura fundamental para a atividade marítima portuguesa e tem uma importância estratégica para o desenvolvimento económico do concelho.

O Porto de Leixões está ligado a um conjunto muito diversificado de atividades e profissões com enorme potencial para a Economia Azul enquanto área de formação e qualificação.

Em síntese, formar para o futuro do mar não é abandonar a tradição, é dar-lhe novas competências para que possa continuar a evoluir. É preservar aquilo que somos, mas preparar as pessoas e o território para aquilo que o mar pode representar para as gerações futuras.

O polo do FOR-MAR no Porto de Pesca de Matosinhos aproxima a formação das pessoas e da realidade do território. Que impacto tem esta presença local na capacidade de identificar necessidades, atrair novos públicos e responder de forma mais ajustada aos desafios das empresas e dos profissionais?

A presença local do FOR-MAR em Matosinhos permite estabelecer uma ligação muito mais próxima e permanente às pessoas, às empresas e às dinâmicas reais do território. A atuação do Centro não se limita a dar resposta às necessidades dos candidatos à formação ou das empresas do concelho. O polo de Matosinhos é um centro de concentração de formação, sendo procurado não apenas por pessoas do próprio concelho, mas também por formandos provenientes de muitas outras regiões do país. O FOR-MAR em Matosinhos assume, assim, uma relevância particularmente expressiva no contexto nacional, representando cerca de 25% de toda a formação realizada pelos 12 polos do FOR-MAR. O FOR-MAR caminha no sentido de chegar a públicos distintos, incluindo trabalhadores do setor, pessoas em situação de desemprego e jovens ou adultos que procuram uma reconversão profissional. Esta capacidade de chegar a diferentes perfis e territórios assume particular relevância num setor em constante transformação e com necessidades específicas de qualificação. Mais do que uma formação concebida de forma genérica, existe a possibilidade de construir respostas mais flexíveis, práticas e alinhadas com a evolução tecnológica, e as exigências regulamentares. Por outro lado o FOR-MAR procura não só a responder às necessidades identificadas, mas também a antecipá-las, transformando os desafios e as oportunidades do setor em respostas formativas concretas, relevantes e com impacto. O FOR-MAR afirma-se como um parceiro estratégico do território e do setor marítimo, contribuindo igualmente para posicionar o concelho de Matosinhos como um território de referência na formação e qualificação dos profissionais marítimos.

O que é necessário fazer para tornar as profissões marítimas mais atrativas para os jovens e para mostrar que trabalhar no mar pode significar hoje uma carreira qualificada, especializada e com futuro?

É fundamental mudar a perceção que ainda existe sobre as profissões marítimas e mostrar aos jovens que trabalhar no mar pode representar uma carreira qualificada, especializada e com futuro.

Para isso, é importante apostar em aspetos como:

  • Dar a conhecer as profissões marítimas, sobretudo junto das escolas, para que os jovens conheçam melhor as oportunidades que existem no setor e as diferentes áreas em que podem trabalhar.
  • Valorizar estas profissões e dar-lhes maior visibilidade, mostrando exemplos concretos de profissionais e de percursos de carreira no setor marítimo.
  • Reforçar a formação, garantindo que está adequada às novas exigências e à evolução tecnológica do setor.
  • Melhorar e valorizar as condições de trabalho, criando condições para atrair e, sobretudo, para manter os jovens no setor, nomeadamente através de oportunidades de progressão, remuneração adequada, conciliação entre a vida profissional e pessoal e valorização das competências.
  • Aproximar escolas, entidades de formação, empresas, municípios e outras entidades do setor, criando uma ligação mais direta entre a formação e as oportunidades reais de emprego.

Olhando para Matosinhos daqui a dez anos, que competências considera que serão decisivas para que o concelho continue a afirmar a sua vocação marítima – e que papel gostaria que o FOR-MAR desempenhasse nessa transformação?

Considero que Matosinhos continuará a ter no mar uma das suas principais fontes de desenvolvimento e cada vez mais ligada à inovação, à tecnologia e à sustentabilidade. Neste contexto, gostaria que o FOR-MAR tivesse um papel cada vez mais próximo das empresas, das escolas, dos jovens, do poder local,  ajudando a antecipar as necessidades de competências do setor e garantindo uma formação que responda, de forma concreta, aos desafios da economia do mar. Gostaria ainda que mantivesse esta procura por parte de candidatos e empresas de outros territórios  porque isso é também  sucesso para o concelho. Mais do que formar para os empregos de hoje, o FOR-MAR deve contribuir para preparar pessoas para as profissões marítimas de amanhã, mantendo Matosinhos ligado ao mar e criando oportunidades para que os jovens possam construir aqui o seu futuro.

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