Parabéns à Revista Business Portugal pelo seu 15.º aniversário!
Celebrar 15 anos é, antes de mais, reconhecer um percurso. É também uma oportunidade para olhar para o futuro. E poucas vezes, como hoje, essa reflexão foi tão necessária. É precisamente sobre esse olhar que recai este artigo de opinião.
Portugal e o mundo atravessam uma fase de profundas e aceleradas transformações, marcada por incerteza geopolítica, fragmentação das relações económicas, transições tecnológica e energética, alterações demográficas e uma crescente pressão sobre a competitividade das economias.
Neste contexto, o desafio de Portugal é claro: transformar a incerteza em capacidade de adaptação e a mudança em oportunidade de crescimento.

Apesar das enormes dificuldades, nomeadamente, em resultado de sucessivos choques, temos razões para encarar o futuro com confiança. Portugal dispõe de empresas mais internacionalizadas, de uma economia mais diversificada, de recursos humanos qualificados, de uma localização estratégica e de uma capacidade de inovação que importa continuar a potenciar. Mas, não podemos confundir resiliência com complacência. A melhoria da competitividade exige escolhas.
O primeiro desafio é criar condições para que as empresas invistam. Precisamos de mais investimento produtivo, capaz de elevar a produtividade, incorporando tecnologia e reforçando a capacidade de inovação. Uma economia que não investe compromete o seu crescimento futuro.
Paralelamente, precisamos de uma economia ainda mais aberta e diversificada. As exportações são uma das principais alavancas do crescimento e da afirmação de Portugal no mundo, pelo que a diversificação dos mercados e a procura de novos parceiros são hoje ainda mais importantes perante um contexto internacional marcado por tensões comerciais e geopolíticas.
Simultaneamente, Portugal tem de enfrentar constrangimentos que há demasiado tempo condicionam a atividade empresarial. A burocracia, a morosidade administrativa, a complexidade regulatória, os custos da energia, a escassez de recursos humanos e a complexa e elevada carga fiscal, que continuam a limitar a capacidade das empresas para crescer.
Por isso, precisamos de reformas estruturais. Uma reforma do Estado que aumente a eficiência dos serviços públicos e elimine os custos de contexto. Uma política económica que privilegie o investimento e a competitividade. E uma estratégia de qualificação que aproxime a formação das necessidades concretas das empresas.
Também a coesão territorial deve estar no centro desta agenda. O nível de desenvolvimento de Portugal não pode concentrar-se apenas em determinados territórios. Precisamos de aproveitar plenamente o potencial económico de todas as regiões, reforçando infraestruturas, conectividade, atração e fixação de atividade e talento.
Neste mundo em transformação, não podemos escolher a velocidade da mudança. Podemos, contudo, escolher a forma como damos resposta aos múltiplos desafios.
É essa capacidade de antecipação, de adaptação e de ação permanente que determinará o nosso futuro. E é aqui que as empresas assumem um papel decisivo. São fundamentalmente as empresas que investem, inovam, exportam, criam emprego e geram riqueza.
Brevemente, entraremos no período de apresentação de propostas para o Orçamento do Estado para 2027. Portugal precisa de reforçar o seu compromisso com o crescimento, que coloque a competitividade no centro das políticas públicas e que reconheça nas empresas não apenas destinatárias dessas políticas, mas protagonistas da transformação económica e social.
As próximas décadas serão certamente diferentes das últimas. O nosso desafio é garantir que Portugal consiga ser mais produtivo, mais competitivo, mais internacionalizado e mais bem preparado para o futuro.








