Ao longo de 22 anos, a myPartner mudou com o setor tecnológico, mas manteve uma ideia como ponto de partida: compreender o negócio antes de propor a solução. Fundada em 2004, a empresa cresceu a partir do ecossistema Microsoft, expandiu-se para Lisboa, avançou para os mercados internacionais e, mais recentemente, passou também a desenvolver soluções próprias. Hoje, com cerca de 100 colaboradores, prepara-se para outra transformação: a Inteligência Artificial. Sara Sousa conhece esta evolução por dentro. Entrou na myPartner há 12 anos, através de um estágio profissional, começou como consultora e chegou à comissão executiva. O seu percurso acompanha a evolução de uma empresa que cresceu sem deixar cair a importância das relações.
Uma empresa construída para estar perto
Em 2004, Eduardo Nogueira e Carlos Alberto Gonçalves fundaram a myPartner com três pilares: clientes, pessoas e soluções. O primeiro traduzia uma ambição clara: “sermos parceiros dos nossos clientes muito antes de sermos fornecedores”, explica Sara. Ou seja, trabalhar “com” os clientes e não simplesmente “para” eles. A Microsoft tornou-se desde o início o principal parceiro tecnológico. Os fundadores acreditavam que o mercado português de Business Applications estava a mudar. “Há mais de 20 anos, as coisas não eram assim tão claras como hoje em dia”, recorda Sara. Cerca de um ano e meio depois da fundação, a empresa atingiu o breakeven. Em 2008/2009, expandiu a operação ao mercado de Lisboa, reforçando a proximidade aos clientes. “Ninguém conhece melhor o seu próprio negócio do que as pessoas que vivem nele”, explica Sara.
Em 2011, chegou a internacionalização. Os projetos fora de Portugal permitiram diversificar o negócio, ganhar experiência e trazer novas práticas para a empresa. A determinada altura, a atividade internacional chegou a representar 50% do negócio de serviços. Hoje pesa menos, mas a ambição mantém-se: voltar a crescer nos mercados internacionais.

Da implementação à transformação
Durante grande parte da sua história, a myPartner foi implementadora e revendedora de soluções Microsoft. Há cerca de três anos, acrescentou o desenvolvimento de produto próprio.
Foi criada uma equipa interna para desenvolver soluções verticais assentes no ecossistema Microsoft, destinadas a setores com necessidades específicas, como seguros e moda. Para o setor segurador, a empresa desenvolveu o myCRM for Insurance, uma solução própria assente no Microsoft Dynamics 365 CRM. No setor da moda, encontra-se a desenvolver o myFashion, uma solução especializada baseada no ERP Microsoft Dynamics 365 Business Central. De forma transversal a vários setores de atividade, disponibiliza ainda o myWMS, uma solução de mobilidade para a gestão avançada de armazéns integrada com o ERP Microsoft.
A mudança acompanha uma transformação mais profunda. A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta para digitalizar informação ou cumprir obrigações legais. Hoje, está ligada às decisões do próprio negócio. Sara sente essa mudança no contacto diário com os clientes. “A tecnologia, que antes era muito um tema do departamento da informática, hoje a tecnologia é um tema global e as empresas já o percebem como sendo parte da vantagem competitiva do seu negócio”. Também o papel da myPartner mudou. “Antes os clientes vinham ter connosco e esperavam que nós executássemos aquilo que eles faziam. Hoje é um bocadinho ao contrário”. A empresa assume cada vez mais uma função de conselheira: questionar processos, encontrar novas formas de trabalhar e tirar partido da tecnologia.
“É pôr-se na pele do cliente”, resume Sara. A verdadeira transformação digital, defende, não é apenas passar o papel para o computador. “É como é que nós mudamos a forma de trabalhar para sermos ainda melhores, mais rápidos, mais eficientes.”
Tecnologia à medida do negócio
O portefólio da myPartner está centrado nas soluções empresariais Microsoft, sobretudo ERP e CRM, mas inclui também Power BI, SharePoint e Power Platform. Existe uma base standard, depois adaptada às necessidades de cada organização.
É nessa adaptação que entram diferentes competências. As equipas técnicas reúnem profissionais de engenharia de software e ciências da computação. Ao lado estão consultores de economia e gestão, que fazem a ponte entre a tecnologia e o negócio.
Para as pequenas empresas existe o myBusiness, uma oferta mais standardizada, com três níveis de serviço e diferentes capacidades de investimento. Do outro lado estão empresas médias e grandes, incluindo grupos com vários negócios e presença internacional.

A Inteligência Artificial já mudou o jogo
Se há uma mudança que marca o próximo capítulo da myPartner, é a Inteligência Artificial. Mas o futuro já começou: todos os colaboradores têm uma licença de Copilot e já utilizam IA no dia a dia.
Sara compara o impacto da tecnologia ao da Revolução Industrial. “De repente, existem profissões que deixam de fazer sentido porque as máquinas substituem e existem novas que emergem”. A IA está a produzir uma mudança semelhante, com tarefas a tornarem-se obsoletas e outras a surgir. O Copilot cruza informação existente nas diferentes aplicações empresariais e pode apoiar colaboradores, fazer recomendações e acelerar tarefas. “O Copilot, como o próprio nome indica, é um copiloto, precisa do piloto”, sublinha Sara.
Para a myPartner, existe aqui uma oportunidade de crescimento, tanto internamente como naquilo que entrega aos clientes. A empresa quer também assumir um papel de consultora neste processo de transformação. Para Sara, a Inteligência Artificial é “uma realidade incontornável”, que vai ter um impacto muito profundo e veio para ficar.
Quando o projeto não termina no go live
Um projeto já não acaba quando o software começa a funcionar. Existe um serviço de suporte, mas o acompanhamento vai além da resolução de problemas. O chamado go live, que tradicionalmente podia marcar o fim do projeto, é hoje apenas o início de uma nova fase: perceber o que pode ser melhorado, onde é possível ganhar produtividade e como continuar a evoluir.
Essa lógica ajuda a explicar a longevidade de algumas relações. Grupo Bem Saúde, Grupo Finançor, Grupo Impetus e Cimertex começaram a trabalhar com a myPartner em 2004 e 2005 e continuam a ser clientes. Num setor em que a tecnologia muda rapidamente, manter relações durante mais de duas décadas é também uma questão de confiança. E a relação humana tem impacto no negócio: “Muitas vezes têm muitas vantagens comerciais. O facto de nos darmos bem é muito positivo para o negócio também.”
As pessoas por trás da tecnologia
Se clientes, pessoas e soluções são os três pilares da myPartner, as pessoas estão no centro da capacidade de entregar valor. A empresa recruta sobretudo através de estágios profissionais e universidades.
“Somos uma escola”, diz Sara. A ideia é criar condições para que as pessoas aprendam, cresçam e assumam novas responsabilidades.
Ela própria é um exemplo. Entrou há 12 anos como estagiária profissional, passou a consultora e chegou à comissão executiva. “Foi uma grande evolução. Foi uma grande jornada, foi um caminho”. Para Sara, esse percurso só foi possível porque existe uma ambição de fazer crescer o talento dentro da empresa.
Mas há outra palavra que surge quando fala das pessoas: felicidade. Criar um ambiente onde as pessoas se sintam bem e queiram permanecer é também uma prioridade.
É aí que entra o “espírito myPartner”, uma cultura de entreajuda, equipa e objetivos comuns que, segundo Sara, passa “de geração em geração”. Os team leaders procuram conhecer as pessoas para além da função. “Nós somos pessoas, somos um só”. A frase resume uma ideia que atravessa a cultura da empresa: aquilo que acontece na vida pessoal não fica necessariamente à porta do escritório.
Depois de anos essencialmente presenciais, a myPartner passou a funcionar em regime híbrido. Dependendo da função, há um ou dois dias de teletrabalho por semana, podendo existir mais em determinados casos. Mas a empresa mantém a valorização do contacto entre equipas e com os clientes. Hoje, a sede em Leça da Palmeira aproxima a empresa de muitos clientes industriais do Norte e beneficia das acessibilidades e da proximidade ao aeroporto. E depois há o mar. “É muito agradável trabalhar à beira do mar”, reconhece Sara. Há ainda churrascos ao almoço e sunsets depois do trabalho.
O próximo capítulo
Continuar a atrair e reter talento é uma prioridade. A myPartner procura-o nas universidades, em eventos e através de uma abordagem de recrutamento proativa.
Na Inteligência Artificial, o desafio é perceber como a tecnologia transforma a própria forma de trabalhar e ajudar os clientes a incorporá-la nos seus negócios. O objetivo continua a ser acrescentar valor e ajudar organizações a serem mais eficientes, eficazes, produtivas e ágeis. Ao longo de 22 anos, a myPartner mudou várias vezes: passou da implementação ao desenvolvimento de produto, abriu portas a outros mercados e está agora a adaptar-se à Inteligência Artificial. Mas há uma coisa que não mudou: a convicção de que tecnologia, pessoas e negócio não podem ser pensados separadamente.
Talvez seja essa a melhor forma de contar esta história. Não como uma sucessão de tecnologias, mas como uma sucessão de mudanças feitas lado a lado com quem está do outro lado da mesa.
Antes de fornecedores, parceiros.








