Ao celebrar 65 anos em Portugal, a Boehringer Ingelheim reforça o papel do país como parceiro estratégico na inovação em saúde. Sandra Marques, General Manager da Boehringer Ingelheim Portugal, sublinha a aposta em investigação clínica, acesso a terapias inovadoras e numa visão integrada de saúde humana e animal.
A Boehringer Ingelheim celebra 65 anos de presença em Portugal. Quais os marcos mais relevantes da atuação da Boehringer Ingelheim ao longo da sua trajetória no nosso país?
Celebrar 65 anos em Portugal é reafirmar o nosso compromisso com a saúde dos portugueses, através da inovação e da colaboração com todos os atores do sistema de saúde. Ao longo destas décadas, temos investido fortemente em investigação clínica, garantindo acesso precoce a terapias inovadoras, e desenvolvemos soluções em áreas críticas da saúde humana e animal.
Acreditamos numa visão integrada, onde a saúde das pessoas e dos animais está profundamente interligada. Por isso, os marcos mais relevantes são inúmeros, sobretudo pelo nosso contributo para colocar Portugal no circuito da investigação internacional, nas parcerias que temos estabelecido com instituições académicas e hospitais e pela nossa cultura, assente em verdadeira colaboração e inovação, que promove um impacto duradouro nas comunidades.
Tudo isto sem esquecer a questão da educação, sensibilização e literacia em saúde. Exemplos de projetos que realizamos em Portugal não faltam, desde a campanha recente ‘O Rim não Dói’, uma iniciativa da APIR com o apoio institucional da Boehringer Ingelheim, que visa reforçar a importância da saúde renal e do diagnóstico precoce; o projeto BI Inspiring Stories, que leva os nossos colaboradores a ler para crianças, em hospitais e escolas, contos que abordam, de forma leve e divertida, temas relacionados com a saúde ou ainda o estudo realizado com o apoio da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, de avaliação da qualidade do ar ambiente na envolvente de unidades de saúde em Lisboa, Porto e Coimbra.
Estes são apenas alguns exemplos de projetos e iniciativas que, ao longo da nossa história em Portugal, temos implementado com o objetivo de criar um ecossistema de saúde mais informado, inclusivo e sustentável e que ajudam a definir verdadeiramente quem somos e como queremos continuar a contribuir para a saúde dos portugueses, hoje e no futuro.

Qual é o posicionamento atual da Boehringer Ingelheim no mercado farmacêutico em Portugal e que áreas terapêuticas representam os seus principais focos de atuação?
A Boehringer Ingelheim está entre as principais empresas farmacêuticas em Portugal, com um crescimento consistente nos últimos anos e com um posicionamento que assenta numa estratégia de especialização em áreas terapêuticas onde podemos fazer uma diferença real.
Na saúde humana concentramo-nos, por isso, em algumas áreas principais: respiratória, onde temos um papel de destaque com terapêuticas para doenças fibrosantes; doenças cardio-reno- metabólicas, incluindo diabetes, insuficiência cardíaca e doença renal crónica; oncologia, com foco em cancros com poucas opções terapêuticas e imunologia. Na área da saúde animal, ocupamos uma posição de destaque no mercado português de vacinas, antiparasitários e agentes terapêuticos, quer para animais de companhia quer para animais de produção.
O que nos distingue é o nosso modelo de negócio e a nossa cultura única, mantendo o espírito de empresa familiar que nos caracteriza desde a fundação, em 1885. Esta herança familiar traduz-se numa visão de longo prazo, em decisões orientadas pelos valores e não apenas pelos resultados trimestrais, e numa proximidade genuína com os doentes e os profissionais de saúde. Esta abordagem permite-nos investir mais recursos em Investigação e Desenvolvimento e oferecer soluções mais eficazes aos profissionais de saúde portugueses, sempre com o compromisso de transformar vidas ao longo de gerações.
Como é que a Boehringer Ingelheim tem impulsionado a inovação nas áreas da saúde humana e animal, e de que forma essas duas dimensões se interligam na sua estratégia em Portugal?
A nossa inovação materializa-se através de três pilares concretos: investigação clínica, parcerias estratégicas e iniciativas de apoio ao ecossistema de saúde português. No que diz respeito à investigação, a Boehringer Ingelheim tem cerca de 90 projetos clínicos e pré-clínicos em todo o mundo nas áreas das doenças cardio-reno-metabólicas, imunologia, doenças respiratórias e oncologia, e Portugal participa ativamente nestes estudos globais, contribuindo para o desenvolvimento de terapêuticas inovadoras. Neste momento, temos a decorrer 14 ensaios clínicos, no nosso país, e 6 em avaliação de exequibilidade.
A nível global, a empresa encontra-se envolvida em dezenas de parcerias de investigação com instituições académicas, um exemplo concreto do nosso compromisso com a colaboração científica, e que tem eco também no nosso país, onde mantemos uma relação estreita com a academia e os centros de investigação.
Uma abordagem colaborativa que se traduz também em iniciativas como o BI Award for Innovation in Healthcare, uma parceria com a Ordem dos Médicos cujo grande objetivo das edições já realizadas foi dar resposta às necessidades específicas dos cuidados de saúde, apoiando ideias inovadoras com potencial para impactar o Sistema Nacional de Saúde e, consequentemente, melhorar a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos e a vida dos profissionais de saúde.
Na interligação entre saúde humana e animal, aplicamos o conceito One Health não apenas como filosofia, mas através de muitos colaboradores em I&D nas áreas de Saúde Humana e Saúde Animal que trabalham de forma integrada. Uma sinergia que nos permite desenvolver soluções que reconhecem a interconexão fundamental entre a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente.
Que novos produtos estão em fase de lançamento e deverão contribuir para o reforço do portefólio da empresa em Portugal?
Estimamos consolidar e reforçar, nos próximos dez anos, o papel da Boehringer Ingelheim em Portugal como um verdadeiro agente de inovação em saúde. O nosso foco continuará a ser a inovação terapêutica, sobretudo nas doenças crónicas complexas, onde existem ainda tantas necessidades por suprir. Como já referi, temos, à data de hoje, cerca de 90 projetos de investigação em curso a nível global e o nosso objetivo é trazer pelo menos 20 novos medicamentos relevantes para o mercado até 2035. Paralelamente, vamos continuar a reforçar a investigação clínica em Portugal, através de parcerias sólidas com centros académicos e hospitais, garantindo que os doentes portugueses tenham acesso precoce a terapias inovadoras. Ao mesmo tempo, estamos a apostar em soluções digitais e em novos modelos de acesso e avaliação de valor, sempre com um propósito claro: assegurar que a inovação chega aos doentes com equidade, rapidez e impacto real na sua qualidade de vida.
Num setor altamente competitivo e regulado como o farmacêutico, de que forma a empresa equilibra inovação científica com acessibilidade e sustentabilidade no mercado português?
O equilíbrio entre inovação e acessibilidade é um dos maiores desafios estratégicos quando se trata da área da saúde, e é urgente abordá-lo, algo que fazemos de diferentes formas. Fazemos através da inovação científica, que é uma parte central da nossa visão, e que vai ao encontro de um dos nossos lemas: Life Foward. Em Portugal, isso tem sido constante, tal como confirma o investimento de mais de 20 milhões de euros em investigação e desenvolvimento nos últimos 10 anos, que inclui a realização de ensaios clínicos em parceria com hospitais e universidades portuguesas; o desenvolvimento de novas terapêuticas; a aposta em soluções digitais e na medicina personalizada, promovendo uma abordagem mais preventiva e eficiente.
Mas faz-se também através de um compromisso com o acesso equitativo à saúde; com um investimento na formação contínua de profissionais de saúde, garantindo que os tratamentos são utilizados com base em evidência científica atualizada e com o desenvolvimento de soluções integradas que visam melhorar o acesso a medicamentos inovadores, sobretudo em áreas como doenças cardiovasculares, metabólicas e respiratórias. É ainda impossível falar deste equilíbrio sem referir a sustentabilidade, que faz parte integrante da nossa estratégia, seja na saúde humana ou animal, promovendo práticas de prevenção e tratamento que reduzem o impacto ambiental.

A integração de Portugal na estratégia global da Boehringer Ingelheim tem-se intensificado. Que vantagens competitivas identifica no ecossistema português de saúde e inovação que possam posicionar o país como um hub estratégico?
Portugal reúne condições muito favoráveis para se afirmar como um polo estratégico de saúde e inovação. O País dispõe de um ecossistema científico altamente qualificado, com centros académicos e de investigação de excelência e profissionais de saúde reconhecidos internacionalmente. Esta competência técnica, aliada a uma forte cultura de colaboração, torna Portugal particularmente atrativo para ensaios clínicos e parcerias de investigação. O Sistema Nacional de Saúde é igualmente um parceiro determinante, pela sua dimensão e capacidade de gerar dados clínicos robustos, essenciais para acelerar a inovação com impacto real nos doentes. Acresce a dimensão do País e a agilidade das equipas locais, que permitem implementar projetos-piloto de forma mais rápida e eficiente. Estas características fazem de Portugal um terreno fértil para testar novos modelos de acesso, soluções digitais e abordagens inovadoras de acompanhamento clínico, posicionando-o como um país de referência para o futuro da saúde.





