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Portugal como plataforma, os EUA como oportunidade

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A KLEVIE nasceu da convicção de que crescer em mercados altamente competitivos exige muito mais do que boas ideias — exige estratégia, tecnologia e execução alinhadas desde o primeiro dia. Em entrevista à Revista Business Portugal, Ricardo Vasconcelos, CEO da KLEVIE, explica como esta visão se traduz no apoio a empresas portuguesas que procuram escalar nos Estados Unidos, num contexto onde o rigor, a confiança digital e a clareza estratégica são determinantes para competir e sustentar crescimento internacional.

A KLEVIE nasceu para ligar estratégia, tecnologia e execução, de que forma esta visão se materializa, na prática, nos projetos que desenvolvem para empresas portuguesas que querem operar ou escalar nos Estados Unidos?

Nascemos de uma leitura muito concreta do que significa crescer nos Estados Unidos. Estratégia, tecnologia e execução fazem parte do mesmo sistema porque o mercado norte-americano não tolera improviso nem aprendizagem lenta. Quando trabalhamos com empresas portuguesas que querem operar ou escalar neste contexto, essa visão traduz-se na forma como estruturamos o trabalho desde o início.

Começamos sempre pela estratégia certa para o contexto norte-americano. Não partimos de modelos europeus nem adaptamos frameworks genéricos. Analisamos o mercado, a categoria, a maturidade do produto, o modelo de vendas e o posicionamento competitivo. A questão é simples: onde faz sentido competir nos Estados Unidos e com que proposta clara de valor. A partir daí, a tecnologia sustenta as decisões e a execução avança em ciclos curtos, próximos da operação real, permitindo aprender, ajustar e ganhar tração com rigor desde o primeiro contacto com o mercado.

 

Ricardo Vasconcelos, CEO

 

O mercado de e-commerce norte-americano é um dos mais maduros e competitivos do mundo, mas também um dos que mais valoriza a inovação e os nichos. Que erros vê com mais frequência nas empresas portuguesas quando tentam entrar neste mercado e que papel pode a KLEVIE assumir para os evitar desde o primeiro momento?

O mercado norte-americano de e-commerce tende a expor fragilidades cedo. Observamos com frequência empresas portuguesas a entrar com propostas pouco diferenciadas, mensagens genéricas ou modelos de aquisição pensados para contextos menos competitivos. Também é comum investir em canais e tecnologia antes de existir clareza sobre nicho, pricing, logística e expectativas do consumidor local. O nosso papel começa antes desses erros acontecerem. Trabalhamos a entrada no mercado a partir do negócio, ajudando a definir onde existe vantagem real, que inovação é relevante naquele contexto e que estrutura operacional suporta essa ambição. Esse trabalho inicial permite que a execução avance com foco, decisões mais sustentadas e menos desperdício desde o primeiro momento.

Com base na atuação da KLEVIE em negócios de retalho omnicanal e serviços digitais orientados ao cliente, que especificidades têm sido identificadas nos processos de internacionalização digital para mercados de referência em escala e compliance digital – como os Estados Unidos e a Holanda – e de que forma esses insights influenciam o desenho das vossas soluções de e-commerce e segurança digital?

Na nossa atuação em retalho omnicanal e serviços digitais orientados ao cliente, a internacionalização digital revela diferenças estruturais claras entre mercados maduros. Nos Estados Unidos, a escala amplifica concorrência, custos de aquisição e impacto de falhas operacionais. Na Holanda, a sofisticação digital e o enquadramento regulatório elevam a exigência em temas como privacidade, pagamentos e interoperabilidade entre sistemas.

Estes contextos levam-nos a encarar e-commerce e serviços digitais como infraestruturas críticas. Compliance, segurança, gestão de dados e experiência do utilizador influenciam diretamente confiança e conversão. Por isso, desenhamos soluções onde arquitetura tecnológica, experiência omnicanal e requisitos legais são tratados de forma integrada desde o início, garantindo crescimento digital com robustez e previsibilidade.

 

 

Portugal afirma-se cada vez mais como um polo tecnológico e de startups com forte vocação internacional. Como é que a KLEVIE utiliza este contexto – talento, ecossistema e rede de parceiros – para construir pontes sólidas entre empresas portuguesas e hubs como Silicon Valley e o Texas?

Portugal afirma-se como um ponto de partida sólido para projetos tecnológicos com ambição global. Trabalhamos num ecossistema com talento técnico forte, equipas habituadas a operar em contexto internacional e uma rede de parceiros que permite acelerar decisões sem aumentar complexidade. Esse contexto dá-nos eficiência na construção, mas nunca define o destino final. Quando ligamos empresas portuguesas a hubs como o Silicon Valley ou o Texas, a prioridade não é replicar modelos nem forçar presença simbólica. Ajudamos a decidir quando faz sentido expor a organização a esses mercados e que funções devem estar próximas do terreno. Essa clareza reduz fricção operacional, limita ruído cultural e permite que talento, produto e execução se alinhem com expectativas locais desde o início. É assim que construímos pontes funcionais e sustentáveis entre Portugal e os principais centros de decisão tecnológica.

Como é que a KLEVIE mede o valor gerado pelas suas intervenções enquanto parceira de crescimento, nomeadamente ao nível da escalabilidade digital, da mitigação de risco e da entrada em mercados como os Estados Unidos?

Medimos o valor do nosso trabalho pelas mudanças concretas que ficam instaladas no negócio após cada intervenção. A escalabilidade digital reflete-se na forma como sistemas, processos e equipas respondem ao crescimento, mantendo consistência operacional à medida que o volume aumenta. Quando essa base está bem desenhada, a empresa ganha capacidade de evoluir com controlo. A mitigação de risco surge na qualidade das decisões tomadas ao longo do percurso. Estratégia clara, validação progressiva e execução disciplinada reduzem exposição a investimentos prematuros, arquiteturas inadequadas e apostas pouco informadas. Nos projetos de entrada nos Estados Unidos, este rigor traduz-se num caminho mais controlado, onde cada passo gera aprendizagem útil e reforça a previsibilidade do crescimento.

Para além do cumprimento regulatório, que standards de confiança digital a KLEVIE considera críticos para competir em mercados como o norte-americano, e como é que estes informam o vosso papel junto de empresas portuguesas em expansão internacional?

Para além do cumprimento regulatório, sabemos que competir em mercados como o norte-americano implica compreender onde a confiança é realmente construída. O enquadramento regulatório nos Estados Unidos tende a ser menos homogéneo e menos restritivo do que na Europa, o que cria maior liberdade operacional. Essa liberdade, no entanto, desloca a exigência para o mercado. A confiança deixa de ser validada sobretudo pela norma e passa a ser validada pela perceção, pela experiência e pela reputação pública.

É por isso que, no nosso trabalho com empresas portuguesas em expansão internacional, damos especial atenção a sinais de confiança visíveis, como consistência da experiência digital, fiabilidade operacional e prova social. Reviews, ratings e feedback de outros utilizadores têm um peso determinante na decisão de compra e na credibilidade da marca. Integramos estes fatores desde o desenho da operação digital, garantindo que tecnologia, experiência e comunicação estão preparadas para gerar confiança no mercado, reduzir fricções e sustentar crescimento em contextos altamente competitivos como o norte-americano.

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