Os olhos ardem, lacrimejam, e ficam vermelhos. A visão oscila e fica cansada facilmente. Para muitas pessoas, isto faz simplesmente parte do verão. Na realidade, pode ser o sinal de uma das doenças oculares mais frequentes, mas também uma das mais sub-diagnosticadas: a doença do olho seco.
Julho é, desde 2017, o Mês da Consciencialização do Olho Seco, uma iniciativa da TFOS (Tear Film & Ocular Surface Society) que procura alertar a população para esta doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, muitas das quais desconhecem que os seus sintomas têm um nome e, mais importante, solução.

Ao contrário do que muitos pensam, olho seco não significa apenas «ter pouca lágrima». Trata-se de uma doença complexa da superfície ocular, na qual alterações da composição da lágrima, inflamação e alterações nas pálpebras desempenham um papel central. Na realidade, é frequente que um olho seco lacrimeje em excesso: trata-se de uma resposta reflexa à irritação da superfície ocular, mas essas lágrimas não conseguem proteger os olhos adequadamente.
O verão, apesar de associado a bem-estar e lazer, é uma das épocas mais desafiantes para quem sofre desta doença. O calor intenso, o ar condicionado, as exposições ao sol, ao vento e à água do mar, aceleram a evaporação do filme lacrimal, agravando sintomas como ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, visão flutuante e desconforto durante a leitura, a condução ou o uso de ecrãs. O diagnóstico começa, muitas vezes, na valorização destes sinais. Atualmente, dispomos de múltiplos exames que permitem identificar os principais mecanismos da doença e adaptar o tratamento às necessidades individuais de cada doente.
A prevenção passa por gestos simples: usar óculos de sol, evitar a exposição direta a correntes de ar e partículas, fazer pausas regulares durante o trabalho com ecrãs, manter uma boa hidratação e, sempre que possível, reduzir o tempo em ambientes excessivamente climatizados.

Nos casos mais complexos, também o tratamento evoluiu de forma muito significativa. Muito para além das lágrimas artificiais, existem hoje terapêuticas anti-inflamatórias, tratamentos com tecnologias de luz pulsada e novos dispositivos de libertação prolongada de lubrificantes oculares.
O desafio já não é a falta de opções terapêuticas, mas sim o reconhecimento precoce da doença e a escolha do tratamento mais adequado para cada caso.
Neste Mês da Consciencialização do Olho Seco, o foco é simples mas essencial: viver com desconforto ocular persistente não é normal e não deve ser desvalorizado. Na maioria dos casos existe tratamento eficaz. A saúde ocular também se conquista com conhecimento e cuidado atempado.








