Na visão de Paulo Simões, Secretário Executivo da OesteCIM, o novo ciclo de financiamento europeu representa uma oportunidade decisiva para reforçar a competitividade e a coesão territorial do Oeste.
Que prioridades estratégicas identifica para o próximo ciclo de financiamento europeu e como se refletem nas áreas da sustentabilidade, mobilidade e inovação?
As prioridades definidas para o próximo ciclo de financiamento enquadram-se nos eixos estratégicos da Boa Governança, Território, Ação Climática e Descarbonização, Sociedade Digital, do Conhecimento e Inovação e Inclusão Social e Igualdade.
Estão previstos investimentos estruturantes em áreas determinantes para a transformação e valorização do território, nomeadamente: digitalização da Administração Pública, investimento empresarial produtivo, infraestruturas e equipamentos de apoio à competitividade, eficiência energética na Administração Pública e na habitação, autoconsumo e comunidades de energia renovável, proteção civil e gestão de riscos, gestão da água e dos resíduos, conservação da natureza, mobilidade sustentável e igualdade de acesso aos serviços públicos.
Através do Investimento Territorial Integrado do Oeste, a Comunidade Intermunicipal reafirma o seu compromisso com o reforço da competitividade e atratividade empresarial, a transição digital da região e a afirmação do Oeste como território de sustentabilidade ambiental, inovação social e coesão territorial.

A região Oeste tem procurado afirmar-se como um território de equilíbrio entre desenvolvimento e qualidade de vida. Que políticas concretas estão a ser implementadas para garantir essa harmonização?
A OesteCIM tem vindo a implementar políticas públicas orientadas para o desenvolvimento equilibrado e a coesão territorial, com especial foco no setor da mobilidade universal, sustentável e tendencialmente gratuita.
O Passe M Oeste constitui uma iniciativa inovadora da Comunidade Intermunicipal e dos doze municípios que a integram, disponibilizando transporte rodoviário gratuito a residentes, trabalhadores e estudantes da região. Para as ligações entre o Oeste e Lisboa, o custo máximo é de 40 euros, contemplando ainda benefícios adicionais: os jovens até aos 23 anos estão isentos de pagamento, e os cidadãos com 65 ou mais anos usufruem de um desconto adicional. Esta medida contribui de forma significativa para a descarbonização, a redução dos custos das famílias e a democratização do acesso à mobilidade.
Em complemento, o serviço de Transporte a Pedido, atualmente em expansão, assegura a ligação das populações em zonas menos servidas, reforçando a inclusão social e a coesão territorial.
Estas ações, articuladas com investimentos em reabilitação urbana, qualificação de espaços públicos e modernização de equipamentos sociais, promovem um território mais sustentável, acessível e centrado na qualidade de vida das pessoas.
Num contexto de crescente digitalização e transição energética, que papel pretende a OesteCIM assumir enquanto plataforma de articulação entre municípios, empresas e cidadãos?
A OesteCIM pretende consolidar-se como uma entidade empreendedora e pioneira na utilização de dados como base para a tomada de decisões de políticas públicas fundamentadas, promovendo uma gestão territorial inteligente, integrada e orientada por evidências factuais. Enquanto agente impulsionador da transição energética e digital, a Comunidade Intermunicipal atua na promoção de redes de partilha de conhecimento e capacitação, estimulando a inovação, a gestão eficiente dos recursos e a participação informada dos cidadãos.
Com o desenvolvimento do Centro de Inteligência Territorial e a implementação de políticas de governação digital colaborativa, o Oeste afirma-se como uma Smart Region, isto é, um território de vanguarda, onde os dados, a inovação e a sustentabilidade se unem para promover decisões estratégicas mais eficazes, reforçando a coesão social e a qualidade de vida das pessoas.




