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O poder da nutrição e da empatia no caminho para o bem-estar

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Diana Rocha Silva é Nutricionista e uma das vozes mais inspiradoras na luta por uma vida com mais leveza e consciência para mulheres com lipedema. Com uma visão que alia ciência, empatia e experiência pessoal, Diana tem transformado a forma como se fala de nutrição e autoestima nesta condição ainda pouco compreendida. Acredita que o caminho para o bem-estar começa na compreensão profunda do corpo e na criação de hábitos sustentáveis, capazes de reduzir a inflamação e transformar não só o físico, mas também a forma como cada mulher se relaciona consigo própria. O seu discurso mistura conhecimento técnico com sensibilidade humana, inspirando outras profissionais de saúde a liderar com propósito e autenticidade. Nesta entrevista à Revista Business Portugal, partilha a importância da nutrição no controlo do peso e no alívio dos sintomas do lipedema, os desafios de manter estratégias eficazes a longo prazo e o poder de uma abordagem verdadeiramente empática e transformadora.

Como considera que a nutrição desempenha um papel crucial no controlo do peso e no alívio dos sintomas do lipedema, e quais são os principais desafios para garantir que estas estratégias sejam eficazes a longo prazo?

A nutrição tem um papel central no peso e no alívio dos sintomas do lipedema, porque esta é uma condição marcada por inflamação crónica, retenção de líquidos e alterações no metabolismo da gordura. Com a alimentação certa, conseguimos atuar diretamente nesses mecanismos, reduzir inflamação, melhorar a circulação e dar aquela sensação de leveza que todas queremos sentir nas pernas. O maior desafio é a sustentabilidade a longo prazo. Muitas mulheres já passaram por dietas restritivas que não funcionaram ou até pioraram os sintomas. Por isso, o meu foco é sempre ensinar uma mudança de estilo de vida, e não apenas “fazer uma dieta”. É compreender o corpo, identificar o que causa inflamação e aprender a fazer escolhas conscientes todos os dias. Eu, enquanto nutricionista e portadora da doença, sei que cada mulher tem o seu metabolismo, a sua história e a sua relação com a comida. Quando combinamos uma alimentação anti-inflamatória com hábitos consistentes e boa gestão emocional, os resultados deixam de ser temporários e tornam-se transformadores de verdade.

 

Diana Rocha Silva, Nutricionista

 

 

Tendo em conta a sua experiência, que características enaltece como essenciais para inspirar e motivar as mulheres que enfrentam esta condição?

Na minha experiência, o que mais inspira e motiva as mulheres com lipedema é perceber que não estão sozinhas e que é possível viver com leveza, mesmo com uma condição crónica.

A empatia é fundamental, porque muitas chegam até mim depois de anos de frustração e incompreensão com o próprio corpo. A verdadeira transformação começa quando há conhecimento. Quando entendemos o que se passa no corpo e descobrimos estratégias reais para melhorar, surge uma força interior enorme. É isso que procuro transmitir todos os dias: confiança, clareza e a certeza de que é possível sentir-se bem no próprio corpo, desde que o processo seja feito com respeito e consistência.

Para mim, inspirar é também dar o meu exemplo. Mostrar que é possível ter energia, autoestima e equilíbrio, mesmo com esta condição. A inspiração não vem só do que dizemos, mas do que vivemos e do impacto que conseguimos gerar através do nosso trabalho.

 

 

 

Como concilia o impacto científico da nutrição no lipedema com uma abordagem empática e personalizada, especialmente quando se dirige a mulheres que lidam com questões emocionais associadas à doença?

A ciência é a base de tudo o que faço, mas o verdadeiro impacto acontece quando conseguimos trazer isso para a vida real, de forma humana e prática. No lipedema, não basta prescrever um plano alimentar; é preciso compreender a história, as emoções e os desafios de cada mulher. Muitas viveram anos sem diagnóstico e chegam com sentimentos de culpa por não conseguirem perder peso, quando o problema é metabólico e inflamatório. Por isso, o meu trabalho vai muito além da nutrição: envolve escuta, empatia e motivação. Conciliar ciência e empatia significa unir evidência científica com cuidado humano, ajudando cada mulher a recuperar não só o controlo do corpo, mas também a autoestima e a confiança em si mesma. É este equilíbrio que torna a mudança sustentável.

Que conselhos daria às mulheres que desejam assumir um papel de liderança na área da saúde, preservando a sua autenticidade e contribuindo para o empowerment feminino?

O meu conselho é simples: mantenham-se autênticas. Na saúde, é fácil sentirmo-nos pressionadas a ser como “se espera”, mas o verdadeiro impacto acontece quando comunicamos com verdade, mostramos a nossa essência e colocamos o coração no que fazemos.

Ser líder não é só ter conhecimento, é inspirar pelo exemplo, ter coragem para inovar, questionar e criar um espaço onde outras mulheres se sintam capazes de crescer. E nunca se esqueçam: cuidar dos outros começa por cuidar de nós próprias. A liderança feminina deve ser feita com empatia, equilíbrio e propósito. Quando estamos alinhadas com os nossos valores e usamos o nosso trabalho para algo maior, o sucesso vem naturalmente e inspira outras mulheres a fazerem o mesmo.

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