A construção modular está a ganhar terreno em Portugal, impulsionada pela necessidade de responder à escassez de mão de obra, ao aumento dos custos e à urgência em acelerar prazos. Nesta entrevista, Marta Gregório explica como a FRACTUS está a industrializar o processo construtivo e a afirmar-se como uma solução mais eficiente, sustentável e alinhada com os desafios atuais do setor.
A FRACTUS apresenta-se como uma empresa que pretende transformar o paradigma da construção tradicional. De que forma a construção modular pode responder aos desafios atuais do setor, nomeadamente ao aumento dos custos, à falta de mão de obra e à necessidade de construir mais rapidamente?
A FRACTUS industrializou o processo de construção, transferindo para ambiente fabril atividades tradicionalmente executadas em obra, como a execução da estrutura e das paredes, ficando em obra essencialmente a montagem. O processo inicia-se com um modelo BIM de todo o edifício, que permite otimizar soluções ainda em fase de projeto, reduzir erros e garantir uma produção mais racional, sem desperdício de materiais. Os desenhos são depois enviados para a fábrica, onde a produção de painéis e estrutura decorre em paralelo com outras etapas do processo, nomeadamente a execução de fundações, encurtando significativamente o tempo de execução.
A montagem em obra é simples, rápida e previsível, resultando numa redução da quantidade e do tipo de mão de obra necessária face à construção tradicional. Por comparação, é mais rápido formar equipas e mais fácil recrutar profissionais para este modelo industrializado. O resultado global traduz-se em ganhos relevantes de prazo e de custos, com maior eficiência e controlo em todo o processo construtivo.

A sustentabilidade é um dos valores centrais da empresa. Que vantagens ambientais oferecem as soluções desenvolvidas pela FRACTUS quando comparadas com os métodos convencionais de construção?
Os edifícios FRACTUS são concebidos segundo normas rigorosas de eficiência energética e sustentabilidade, integrando soluções que reduzem significativamente o impacto ambiental face à construção convencional. A produção em fábrica dos painéis FRACTUS, não requere o consumo de água, e o fabrico de acordo com desenhos definidos, permite minimizar o desperdício de materiais. Nos nossos edifícios, o betão é utilizado apenas nas fundações e em lajes mistas, contribuindo para uma menor emissão de CO2 em comparação com uma construção tradicional. Os painéis FRACTUS exteriores asseguram elevado isolamento térmico, o que resulta em maior conforto e menores necessidades de climatização. Como resultado, os edifícios destacam-se pela sustentabilidade, elevada eficiência energética ao longo da sua vida útil e uma pegada ecológica inferior.
A FRACTUS foi distinguida com o Prémio Empresas Gazela. Que importância teve este reconhecimento para a consolidação da empresa e de que forma este tipo de distinção influencia o vosso posicionamento no setor da construção modular?
O Prémio Empresas Gazela representa a confirmação de que a FRACTUS está a seguir o caminho certo. Este reconhecimento reforça a credibilidade da empresa e consolida o seu posicionamento como uma referência na construção modular, valorizando a aposta na inovação e no crescimento sustentado.
O setor da construção está a atravessar uma fase de forte transformação tecnológica. Que papel terão a inovação, a digitalização e os sistemas modulares no futuro da habitação em Portugal?
A inovação, a digitalização e a construção modular serão determinantes para responder ao desafio da habitação em Portugal. A industrialização do setor permite construir mais depressa, com maior qualidade e controlo de custos, tornando possível disponibilizar habitação a preços mais acessíveis e na escala necessária para responder à crescente procura.








