A Quinta Dona Sancha afirma-se como um dos nomes mais relevantes do Dão contemporâneo, unindo à herança histórica da região uma filosofia de respeito absoluto pela terra. Liderado por Rui Parente, o projeto tem vindo a consolidar-se através de vinhos autênticos, fiéis ao terroir de Silgueiros, e de uma visão que alia tradição, detalhe e inovação.
A Quinta Dona Sancha tem vindo a conquistar um lugar de destaque no Dão. Como se construiu este trajeto de sucesso e o que distingue o projeto?
A Quinta Dona Sancha surge para “honrar o que a terra oferece”, lema que aplicamos ciclo após ciclo, na vinha e na adega. Envolve o peso da história e mantemos a sua nobreza através da homenagem ao território. É a capacidade de manter viva a tradição e a ligação ao território, que nos distingue, por isso priorizamos mão-de-obra local e realizamos processos culturais manualmente. A equipa de enologia – Paulo Nunes, Diogo Santos e Filipe Oliveira – reúne valências e experiência curricular que complementa as áreas de viticultura e enologia, garantindo conhecimento e qualidade. Queremos representar com rigor o terroir histórico do Dão e a sub- região de Silgueiros, com a criação de vinhos autênticos.

Com diversos vinhos premiados, como este reconhecimento influencia a exigência interna desde a vinha até ao copo?
O pilar da nossa enologia assenta no olhar para modelos de viticultura que tiveram sucesso no seu tempo, trazendo à atualidade processos que garantam a mais alta qualidade de matéria prima. O reconhecimento, que muito nos orgulha, é consequência deste valor que se cria desde logo na vinha, onde todas as decisões aportam enorme importância. Executamos trabalhos de pesquisa parcela a parcela, cruciais para a preservação de castas autóctones antigas, como tinta pinheira ou tinta carvalha, variedades que reintroduzimos, reforçando a genuinidade da produção. O nível de exigência é crescente, mas estou certo de que a estrutura é coesa e estamos muito motivados.

Este ano lançaram novos vinhos para o mercado. Que decisões de enologia e posicionamento presidiram ao nascimento destas referências? Quais são as expectativas num futuro próximo?
O aumento do portfolio reflete a maturidade do projeto. Vinhos elegantes que resultam de um trabalho rigoroso e de uma leitura das vinhas antigas e do seu enquadramento. Em 2025 lançamos um monovarietal tinto de casta emblemática – Jaen – e dois vinhas velhas, com mais de 50 anos – Vinha do Mosteiro e Vinha Ancestral – que representam o culminar de vários ciclos de trabalho e a grandeza das potencialidades do território. Desinteressa-nos uma produção em escala, desligada do amanho cultural e do terroir específico onde nos inserimos, focamo-nos na criação de vinhos que sejam o reflexo da sua proveniência, das condições edafoclimáticas e também do modus operandis dos locais. Existe um trabalho de detalhe para projetar no copo identidade.
Como prevê a Quinta Dona Sancha o seu desenvolvimento nos próximos anos, sem perder a ligação à tradição que define a identidade desta região?
Passo a passo, continuamos a crescer com consciência e ambição, contando já com cerca de 57 hectares, um investimento que representa cerca de 5 milhões de euros e que prevê ainda a inauguração de enoturismo diferenciador. A moldura viva das encostas “penteadas” pelos vinhedos são o palco do empreendimento, uma forte aposta no setor do vinho e do turismo na região. Há um ano, entrámos no mercado sul americano e temos obtido ótimos feedbacks dos nossos parceiros no Brasil. A nível nacional a Quinta Dona Sancha é já uma referência, contamos com uma rede de distribuição que abrange o país de norte a sul e ilhas. Temos uma visão de futuro clara em continuidade e sustentabilidade.






