Centro de Valorização Agropecuária assume-se como projeto âncora de uma estratégia municipal destinada a fortalecer a economia, apoiar os produtores e fazer com que uma maior parte da riqueza gerada no território permaneça no território.
Num concelho onde a agricultura e a pecuária continuam a desempenhar um papel determinante na economia, promover o desenvolvimento passa, necessariamente, por criar condições para que aquilo que Mogadouro produz possa ser transformado, valorizado e comercializado com maior retorno económico. É com esta visão que o Município de Mogadouro tem vindo a desenvolver uma estratégia de investimento destinada a reforçar as condições para o exercício das atividades económicas, apoiar quem produz e criar novas oportunidades de investimento e emprego.
No centro desta estratégia encontra-se um dos mais significativos investimentos municipais das últimas décadas: o Centro de Valorização Agropecuária de Mogadouro (CVAM), projeto estruturante de vocação regional que tem no novo Matadouro de Mogadouro a sua infraestrutura-base, mas que foi pensado para ir muito além da função tradicional de abate de animais.
O ponto de partida é uma realidade profundamente ligada à identidade económica de Mogadouro, onde uma grande percentagem da população ativa está ligada à agricultura e à pecuária. Mogadouro apresenta uma das mais expressivas produções animais da região, integrando o solar de raças e produtos de elevada qualidade. A este setor juntam-se outras produções que têm vindo a ganhar expressão, nomeadamente o amendoal, o olival e o mel, confirmando a importância crescente do setor agroalimentar na economia local.

Muito mais do que um matadouro
É precisamente aqui que reside a ambição do CVAM. O Município não pretende limitar-se a disponibilizar aos produtores um local onde possam abater os seus animais. O objetivo é criar uma infraestrutura capaz de intervir em várias fases da cadeia de valor: receção e estabulação, abate, inspeção sanitária, refrigeração, conservação, desmancha e desossa, corte, preparação comercial, embalamento, rotulagem, armazenagem, expedição, distribuição e valorização comercial das carnes.
Numa fase de desenvolvimento posterior, o Centro poderá ainda articular-se com atividades de transformação agroalimentar, certificação e rastreabilidade, inovação, formação e promoção comercial.
Esta diferença é fundamental. Um território produtor não retira necessariamente todo o benefício económico daquilo que produz. Quando os animais saem da região para serem abatidos, transformados, embalados e comercializados noutros locais, também uma parte importante do valor acrescentado, do emprego e da atividade empresarial associados a essas operações sai com eles. O CVAM procurará inverter esta lógica: produzir em Mogadouro, transformar na região e criar aqui uma parcela maior do valor económico gerado pelos produtos locais. O Matadouro será, por isso, o núcleo operacional de uma plataforma mais ampla. As duas linhas instaladas permitem trabalhar bovinos, suínos (incluindo leitões), ovinos e caprinos, com capacidades-padrão diárias indicadas de 40 bovinos, 80 suínos e 100 pequenos ruminantes ou leitões.
Um investimento municipal de cerca de 4,3 milhões de euros
A dimensão da aposta traduz-se também nos números. O investimento global necessário à concretização do projeto está estimado em aproximadamente 4,3 milhões de euros. Trata-se, até ao momento, de um esforço assumido pelo orçamento municipal.
Uma infraestrutura para uma região produtora
A escala do projeto não termina nas fronteiras do concelho. O estudo económico-financeiro considera uma área de influência regional. Ao aproximar o abate e a transformação dos locais de produção, será possível reduzir deslocações e custos de transporte, melhorar as condições de bem-estar animal e oferecer aos produtores maior proximidade a serviços indispensáveis à sua atividade.
Mas o impacto pretendido vai mais longe. A existência do CVAM poderá estimular o aumento da produção, melhorar a sustentabilidade das explorações, favorecer os circuitos curtos, valorizar raças autóctones e produtos certificados, incentivar a transformação agroalimentar, criar emprego e favorecer o aparecimento de novas atividades empresariais. O objetivo último é aumentar a capacidade de retenção de rendimento no território e contribuir para a fixação de população.


Construir uma verdadeira cadeia de valor regional
Esta é, talvez, a dimensão mais relevante do projeto: o CVAM não pretende substituir a iniciativa privada; pretende criar condições para que ela cresça ao seu redor.
Um matadouro associado a desmancha, corte, embalamento, conservação, logística e comercialização abre possibilidades a montante e a jusante. A montante estão os agricultores, criadores, produtores de alimentos para animais, prestadores de serviços agrícolas, transportadores e fornecedores. A jusante podem surgir ou consolidar-se atividades de transformação de carne, charcutaria, embalamento, logística, distribuição, comércio, restauração, gastronomia e comercialização de produtos certificados.
O Centro pode, assim, funcionar como uma infraestrutura âncora, capaz de gerar procura de serviços e criar condições para novos investimentos privados. O próprio Estudo de Viabilidade Económico-Financeira identifica como problema estrutural o facto de, apesar da qualidade das produções pecuárias da região, a cadeia de valor ser frequentemente interrompida na fase do abate, perdendo-se uma parte do potencial de valorização económica e deixando os produtores, muitas vezes atomizados, numa posição particularmente frágil.
É esta realidade que Mogadouro pretende alterar.
O território dispõe de matéria-prima, conhecimento acumulado, tradição produtiva, raças autóctones, produtos de reconhecida qualidade e produtores que mantêm viva uma atividade fundamental para a economia e para a própria gestão da paisagem rural. O desafio é acrescentar capacidade de transformação, organização, escala e acesso ao mercado.
Uma aposta no futuro de Mogadouro
O Centro de Valorização Agropecuária traduz, por isso, uma opção estratégica: Mogadouro não quer ser apenas território de produção; quer ser também território de transformação, valorização e comercialização.
O Estudo de Viabilidade Económico-Financeira conclui que o projeto apresenta capacidade para gerar resultados e fluxos de caixa de forma sustentada e considera o investimento economicamente viável e financeiramente sustentável. A solução proposta passa pela criação do Centro de Valorização Agropecuária de Mogadouro, E.M., empresa municipal integralmente detida pelo Município, concebida para conjugar controlo público, autonomia de gestão, profissionalização, flexibilidade operacional e capacidade comercial.
Mais do que construir um edifício ou instalar equipamentos, o desafio que agora se coloca é transformar este investimento numa verdadeira plataforma económica regional.
A aposta do Município de Mogadouro é clara: criar condições para que os produtores tenham futuro, para que novas empresas encontrem razões para investir, para que os produtos da região cheguem mais longe e com maior valor e, sobretudo, para que uma parte cada vez maior da riqueza criada pelos recursos locais fique em Mogadouro e nas Terras de Trás-os-Montes.
Porque desenvolver um território de baixa densidade significa precisamente isto: transformar os seus recursos em oportunidades, as suas produções em valor e o investimento público em capacidade para gerar economia, emprego e futuro.








