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Liderança com visão, experiência e propósito

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Na Hórus Private Security, Rui Nicho transforma quase três décadas de experiência no setor da segurança numa visão de liderança assente na disciplina, na resiliência e na valorização das pessoas. O percurso iniciado aos 18 anos, como Fuzileiro, marcou profundamente a sua forma de liderar e deu origem a uma empresa que procura aliar experiência no terreno, rigor e proximidade humana.

O seu percurso pessoal e profissional foi marcado pela disciplina, resiliência e por experiências particularmente exigentes. Quem é o homem por trás da liderança da Hórus e de que forma os primeiros anos da sua carreira, nomeadamente na base familiar e enquanto Fuzileiro, moldaram a sua forma de estar e liderar?

Desde muito novo aprendi, no seio familiar, que sem trabalho nada se consegue. Cresci numa família humilde e trabalhadora que moldou a pessoa que sou hoje. Vi nos meus pais o verdadeiro significado de sacrifício e dedicação diária. O meu pai foi militar na Guerra do Ultramar, um homem com um H grande, muito trabalhador, a minha mãe tratava de toda a lide doméstica, casados há 52 anos, são um grande exemplo, e motivo de grande orgulho. Os valores de rigor, respeito e humildade recebidos na infância são os que transporto comigo até hoje. Sou alguém moldado pela disciplina e pela resiliência. O meu percurso começou nas Forças Especiais, aos 18 anos, como Fuzileiro, onde aprendi o real significado de liderança, trabalho em equipa e controlo emocional sob pressão extrema. A base familiar e militar definiu toda a minha postura pessoal e profissional até aos dias de hoje, convertendo valores operacionais em estratégia de gestão de segurança.

Muitos dos valores que aprendi nessa fase continuam presentes na forma como encaro o trabalho, as pessoas e os desafios: disciplina, compromisso, respeito, lealdade e capacidade de liderança. Ao longo dos anos, fui transportando esses princípios para o setor da segurança privada, convertendo valores operacionais em estratégia de gestão de segurança e numa forma muito própria de liderar. Para mim, liderar não é apenas dar ordens; é estar presente, dar o exemplo e saber assumir responsabilidades, sobretudo nos momentos mais difíceis.

 

Rui Nicho, CEO

 

 

O seu contacto com o setor da segurança começou numa realidade muito diferente da atual, ligada à segurança da noite, tendo posteriormente acompanhado a profissionalização e regulamentação do setor. Que experiências e aprendizagens retirou desse percurso e de que forma continuam hoje presentes na sua visão da segurança privada?

Começou num cenário completamente diferente do atual, na segurança da noite, em discotecas e bares. Naquela altura, não existiam empresas estruturadas para o setor da noite, éramos contratados diretamente pelos clientes, donos dos estabelecimentos. Operávamos num vazio legal, onde o sucesso da segurança dependia exclusivamente da nossa palavra, do respeito mútuo, do trabalho de equipa, do carácter e da capacidade de diálogo para travar conflitos. Foi uma grande escola de psicologia humana e gestão de crises em tempo real.

Fui testemunha e participante ativo na transição da noite informal para o surgimento das empresas licenciadas pelo Ministério da Administração Interna. Vi o setor passar do “porteiro”, focado na força física, para o segurança-porteiro e vigilante, focado na prevenção, legislação e atendimento. Quem viveu a velha escola e se adaptou à nova regulamentação ganhou uma visão 360 graus única sobre os riscos reais do terreno.

Depois de quase três décadas de experiência no setor e de uma passagem de cerca de 18 anos por uma mesma organização, decidiu criar a Hórus Private Security. O que o levou a dar esse passo e que princípios procurou transportar para a nova empresa?

Antes de fundar a Hórus, passei por algumas organizações do setor. A minha última etapa durou cerca de 18 anos numa única empresa. Foi uma verdadeira escola. Ali aprendi muito mesmo, tanto a nível operacional como de gestão corporativa. Mas, acima de tudo, esses 18 anos deram-me a clareza máxima do que quero e do que não quero para a minha própria empresa. Usei essa bagagem para desenhar o ADN da Hórus, corrigindo as falhas que via no mercado e potenciando o que de melhor se fazia.

Saí dessa empresa com a consciência absolutamente tranquila e de cabeça erguida. Dei tudo o que tinha por aquela organização durante quase duas décadas. No entanto, no final, percebi que, para a estrutura, eu era apenas um número. Senti alguma mágoa na altura, claro, porque o setor da segurança vive de pessoas e de lealdade. Mas isso hoje é passado. Olhando para trás, esse momento foi o empurrão que me faltava. Foi ali que decidi que a Hórus seria diferente: uma empresa onde os operacionais têm cara, nome e valor, e onde a proximidade humana está acima dos números de faturação ou de posições egocêntricas.

A Hórus Private Security procura conciliar a experiência adquirida no terreno com uma estrutura empresarial, tecnologia e cumprimento rigoroso da legislação. Qual considera ser o verdadeiro diferencial da empresa e de que forma a sua experiência lhe permite compreender simultaneamente as necessidades dos clientes e os desafios enfrentados pelos profissionais?

A Hórus Private Security nasceu da vontade de aplicar três décadas de experiência acumulada no terreno numa estrutura empresarial de topo. O nosso diferencial é unir esse know-how operacional à tecnologia de ponta e ao cumprimento rigoroso da lei. Eu sei o que os meus homens enfrentam no posto porque já estive lá, e sei o que o cliente precisa porque conheço as dificuldades. Nós colocamo-nos no lugar do cliente; só assim conseguimos perceber as suas necessidades.

Uma empresa só tem sucesso se o trabalho de equipa for o pilar mais importante. Eu não faço nada sozinho. O sucesso e o crescimento da Hórus dependerão sempre da robustez e do alinhamento da sua estrutura. O meu papel como sócio-gerente é dar o rumo, a estratégia e o exemplo, mas a verdadeira força da empresa está em cada elo da nossa corrente – desde a equipa administrativa ao operacional que está na linha da frente no posto mais isolado. Na Hórus, a estrutura apoia o homem, e o homem defende a estrutura.

Acredito também que uma empresa de segurança só consegue prestar um serviço de excelência quando existe uma verdadeira ligação entre quem está na gestão, quem está no terreno e quem confia em nós. Não basta ter bons profissionais ou tecnologia; é fundamental existir acompanhamento, comunicação e capacidade de resposta perante cada situação. Na Hórus, procuramos que essa proximidade seja uma realidade, porque sabemos que, neste setor, cada detalhe pode fazer a diferença. O nosso objetivo é construir relações de confiança duradouras com os clientes e, ao mesmo tempo, garantir que as nossas equipas sentem que têm uma estrutura por detrás delas, preparada para as apoiar em todos os momentos.

 

 

A valorização das pessoas, a confiança e a lealdade parecem estar no centro da cultura da Hórus. Que importância têm as relações construídas ao longo dos anos e que papel desempenham na coesão e no crescimento da empresa?

O meu maior desejo é que todos os nossos profissionais sintam um orgulho profundo ao vestir a farda da Hórus. Quero que olhem para este símbolo no peito e saibam que são respeitados, valorizados e ouvidos. No final do dia, as empresas não são feitas de paredes ou de contratos; são feitas de pessoas. São os nossos homens e mulheres no terreno que dão a cara pela marca e que fazem a nossa empresa crescer todos os dias. O orgulho deles é o meu sucesso.

Exemplo máximo disso é o grupo de pessoas que me acompanha há anos e, em especial, um amigo que se tornou família, que está comigo há muitos, muitos anos. Este homem, num ato de lealdade e sem pensar duas vezes, abdicou do conforto da empresa onde estávamos os dois para arriscar tudo e entrar neste projeto da Hórus. É maluco, mas somos assim, estamos juntos para o bem, mas acima de tudo para o mal. Quando estamos no terreno a trabalhar, costumamos dizer, a brincar, “se fosse fácil, estavam cá outros”. E, na verdade, são tantos anos juntos que até já se torna fácil o que parece impossível.

É esta a mística da empresa: garantir que cada profissional sinta um orgulho profundo ao vestir a farda, sabendo que ninguém fica para trás.

Para além da componente profissional, a família parece assumir um papel fundamental no percurso que tem vindo a construir. Que importância têm a sua esposa e os seus filhos na sua caminhada enquanto empresário e naquilo que pretende deixar como legado?

Ninguém vence sozinho no mundo dos negócios sem uma base familiar sólida. Ser empresário exige sacrifício, noites sem dormir e decisões difíceis, e ter uma família próxima, sobretudo uma esposa que participa ativamente neste processo e luta diariamente para que nada falte, é essencial.

Ela é a estrutura da minha estrutura e uma parte fundamental da força que me permite continuar, mesmo nos momentos mais exigentes. O sucesso da Hórus é, por isso, um sucesso partilhado pela nossa família, porque aquilo que construímos profissionalmente só ganha verdadeiro sentido quando podemos partilhá-lo com quem nos acompanha todos os dias.

Que objetivos ambiciona concretizar para a Hórus e, para além do crescimento da empresa, que legado gostaria de deixar enquanto empresário, líder e pai?

O maior sucesso da minha vida não se mede em faturação ou no tamanho da empresa, mas sim dentro de casa. Quero ser lembrado pelos meus filhos como um pai que foi à luta, que nunca foi uma pessoa encostada e que fez absolutamente tudo para vingar na vida pelo caminho da honestidade e do trabalho. No fundo, é isso o que mais conta nesta vida: que os nossos sintam orgulho de nós. Orgulho pelo que fomos, pelo que fizemos e pelo que ouvem os outros dizer sobre o pai deles.

O meu maior objetivo é que, hoje e no futuro, eles olhem para o meu percurso e se sintam profundamente orgulhosos de serem meus filhos.

Tudo o que faço, faço também a pensar neles e no exemplo que quero deixar. Quero que percebam que, na vida, nada se consegue sem trabalho, dedicação e coragem para enfrentar as dificuldades. Mais do que lhes deixar bens ou uma empresa, quero deixar-lhes valores e o exemplo de alguém que nunca desistiu e que procurou sempre fazer o caminho certo.

Se um dia puderem olhar para trás e dizer “o nosso pai lutou por aquilo em que acreditava e nunca deixou de trabalhar para construir uma vida melhor”, então sentirei que cumpri o meu maior objetivo.

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