Transformar conhecimento científico em soluções concretas é uma das prioridades da Boehringer Ingelheim, que aposta numa estratégia de longo prazo assente na investigação, na inovação e na colaboração. Em Portugal, a empresa procura reforçar o seu papel na investigação clínica e na produção de evidência, acompanhando também a transformação digital do setor e uma visão integrada da saúde humana, animal e do planeta. Sandra Marques, Diretora-Geral e Responsável pela Área de Saúde Humana da Boehringer Ingelheim Portugal, explica como a empresa procura transformar este compromisso em impacto real.
Enquanto empresa familiar e independente, a Boehringer Ingelheim tem uma característica que, para Sandra Marques, é determinante na forma como pensa o futuro: a possibilidade de tomar decisões com uma perspetiva de longo prazo. “Temos a possibilidade de pensar a longo prazo”, afirma, numa visão que se traduz numa aposta consistente na investigação e desenvolvimento de novas entidades moleculares e na procura de soluções capazes de responder a necessidades concretas na área da saúde.
Essa visão está também ligada aos princípios que orientam a empresa – integridade, respeito, responsabilidade, abertura e oportunidade – e à importância atribuída às suas equipas. “No centro desta nossa identidade estão as nossas pessoas”, sublinha Sandra Marques, destacando o conhecimento, a diversidade, o compromisso e o espírito de colaboração como elementos essenciais para transformar inovação em impacto.
É neste contexto que a investigação assume um papel central. Mas transformar uma descoberta científica numa nova solução terapêutica é um processo longo e exigente, que pode prolongar-se durante mais de uma década e envolve várias etapas antes de chegar aos doentes.

Da descoberta ao doente
Na indústria farmacêutica, o desenvolvimento de um novo medicamento pode prolongar-se por cerca de 13,5 anos e representar um investimento médio de 1,2 mil milhões de euros. E, mesmo depois de todo esse percurso, apenas uma pequena parte dos compostos chega efetivamente ao mercado. “Só 8% dos compostos conseguem ultrapassar todas as etapas e chegar exatamente a ver a luz do dia”, explica Sandra Marques.
O primeiro desafio, por isso, começa muito antes dos ensaios clínicos: perceber onde estão as necessidades ainda por responder e identificar oportunidades em que uma nova solução possa fazer uma diferença verdadeiramente relevante. Depois, é necessário demonstrar segurança e eficácia, realizar ensaios clínicos que representem a população, responder às exigências regulamentares e preparar processos de produção capazes de acompanhar uma eventual chegada ao mercado. Mas mesmo esse momento não representa o fim do caminho. Para Sandra Marques, existe um último desafio particularmente importante: garantir que a inovação chega efetivamente às pessoas que dela necessitam. E isso implica também demonstrar o seu valor para os sistemas de saúde e criar condições de acesso sustentáveis. É uma preocupação que ganha uma dimensão particularmente relevante em Portugal. Segundo Sandra Marques, a indústria farmacêutica é responsável por mais de 90% dos ensaios clínicos realizados no país, contribuindo não só para o acesso dos doentes a terapêuticas inovadoras, mas também para o reforço das capacidades científicas e para a criação de valor económico e social.
Conhecer melhor para intervir mais cedo
É também na produção de conhecimento que a empresa procura encontrar uma parte da resposta aos desafios da saúde. Um dos exemplos apontados por Sandra Marques é a doença renal crónica, uma patologia cuja evolução silenciosa pode fazer com que os sintomas só surjam quando já existe um dano significativo.
A falta de uma caracterização suficientemente clara da realidade portuguesa levou a Boehringer Ingelheim a apostar no estudo de vida real HÉRCULES, que pretende contribuir para conhecer melhor a doença no país: a sua prevalência, o perfil dos doentes, as comorbilidades associadas e o percurso realizado dentro do sistema de saúde. Mais do que recolher informação, a intenção é transformar esses dados em conhecimento capaz de apoiar decisões. É aqui que a produção de evidência em contexto real ganha importância e se cruza com uma das grandes transformações que atravessam atualmente o setor: a digitalização da saúde.
“Este é que é um verdadeiro valor quando nós temos exatamente e podemos tomar decisões devidamente informadas e baseadas em evidência”, defende Sandra Marques.
Uma saúde cada vez mais digital, sem perder o lado humano
A tecnologia está a mudar praticamente todas as fases do percurso da saúde. Na investigação, a utilização de dados e novas ferramentas de modelização pode ajudar a tornar processos mais eficientes e apoiar o desenho de estudos. Na prática clínica, pode contribuir para diagnósticos mais precoces, tratamentos mais personalizados e um acompanhamento mais próximo dos resultados.
Também a relação com os profissionais de saúde poderá beneficiar de novas ferramentas digitais, permitindo disponibilizar informação científica de forma mais adaptada e criar novas formas de interação. Mas, para a Boehringer Ingelheim, a transformação digital não pode ser dissociada da responsabilidade. Ética, evidência científica, proteção de dados, cibersegurança, transparência e inclusão são alguns dos princípios que Sandra Marques considera indispensáveis neste processo.
A razão é simples: nunca se produziram tantos dados em saúde. Cada consulta, exame, análise ou tratamento acrescenta informação que pode contribuir para melhorar a decisão clínica e, simultaneamente, para tornar os sistemas de saúde mais eficientes.
O desafio está em conseguir retirar valor desses dados sem comprometer a confiança. “A tecnologia e os dados em saúde só criam verdadeiramente valor quando reforçam e não substituem a relação humana e de confiança”, sublinha.
Uma visão que ultrapassa a saúde humana
A investigação da Boehringer Ingelheim não se limita à saúde humana. A empresa desenvolve também atividade na área da saúde animal, duas áreas que Sandra Marques considera complementares.
A proximidade entre os dois campos pode contribuir para uma melhor compreensão das doenças e para a abertura de novas vias de prevenção, diagnóstico e tratamento, sempre respeitando os critérios científicos e regulamentares específicos de cada área.
Esta ligação enquadra-se numa visão de One Health, que reconhece a interdependência entre a saúde das pessoas, dos animais e do planeta.
A prevenção de doenças nos animais pode ter consequências que vão muito além da medicina veterinária, com impacto no bem-estar, na segurança alimentar, na resiliência das comunidades e na saúde pública.
Inovar sem perder de vista o futuro
É também nesta relação entre impacto e responsabilidade que entra a sustentabilidade. Para a Boehringer Ingelheim, não se trata apenas de reduzir a pegada ambiental: implica pensar a própria forma de criar valor.
A estratégia passa por investir em inovação dirigida a necessidades de saúde ainda não satisfeitas, promover maior equidade no acesso e apoiar pessoas, comunidades e parceiros, ao mesmo tempo que procura reduzir o impacto ambiental das suas operações e da cadeia de valor.
“Crescer de forma sustentável é criar valor duradouro para os doentes, para as pessoas, para os animais, para a sociedade e para o planeta”, resume Sandra Marques. O futuro da empresa passa, por isso, por continuar a acelerar o desenvolvimento de soluções diferenciadoras nas áreas onde existem maiores necessidades, mas também por acompanhar a evolução da Inteligência Artificial, da medicina de precisão, da prevenção, do diagnóstico e das ferramentas de apoio à decisão clínica.
Ao mesmo tempo, a empresa quer reforçar as parcerias com a ciência, os sistemas de saúde e a sociedade. Em Portugal, essa ambição passa por continuar a assumir um papel na investigação clínica, na literacia em saúde e na construção de um sistema mais eficiente e equitativo.
“Os desafios atuais são complexos e sabemos disso, para serem resolvidos isoladamente”, afirma Sandra Marques.
É uma ideia que acaba por reunir as várias dimensões da estratégia: a investigação que procura responder ao que ainda não tem resposta, a tecnologia que permite trabalhar melhor os dados, a colaboração que aproxima diferentes intervenientes e a sustentabilidade que obriga a pensar para além do imediato.
Num setor em permanente transformação, a ambição é, afinal, fazer com que o progresso científico não fique confinado aos laboratórios. Que possa traduzir-se em conhecimento, em melhores decisões e, sobretudo, em ganhos concretos para quem está do outro lado do sistema de saúde.
Nas palavras de Sandra Marques, esse é o fio condutor da Boehringer Ingelheim: “transformar o progresso científico em impacto real para as pessoas e para os animais”.
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