A leishmaniose canina é uma das doenças mais preocupantes em Portugal, devido à sua elevada prevalência e ao risco significativo que representa para a saúde e qualidade de vida dos animais, podendo, em casos mais graves, conduzir à morte. Esta doença é provocada pela Leishmania infantum, transmitido através da picada dos flebótomos. Com a chegada do verão, aumentam as temperaturas, prolonga-se a atividade destes vetores e cresce, inevitavelmente, o risco de infeção. Ainda assim, muitos tutores continuam a associar a prevenção apenas à primavera ou aos períodos de maior calor, esquecendo que a proteção deve ser contínua.
Nos últimos anos, tem existido maior consciencialização sobre a leishmaniose, mas persistem alguns equívocos perigosos. Um dos mais frequentes é acreditar que um cão “de apartamento” ou que vive em ambiente urbano está protegido. A realidade é diferente: os flebótomos adaptaram-se progressivamente a zonas urbanas e periurbanas, tornando a exposição possível mesmo nas cidades.

Outro erro comum é interromper a prevenção por uma falsa sensação de segurança. A prevenção eficaz depende da regularidade. Coleiras e pipetas repelentes e vacinação continuam a ser ferramentas fundamentais para reduzir o risco de transmissão.
O verão é também uma época de viagens, férias e maior permanência ao ar livre com os cães. Muitas famílias deslocam-se para regiões tradicionalmente endémicas para a leishmaniose, como zonas do interior e sul do país, aumentando involuntariamente a exposição dos animais ao vetor da doença. Além disso, muitos cães acompanham os tutores em idas à praia, rio ou piscina, estando frequentemente em contacto com a água. Nestes casos, a utilização de coleiras repelentes pode ser particularmente vantajosa, uma vez que podem ser removidas temporariamente durante os banhos. Já no caso das pipetas, banhos frequentes e contacto repetido com água podem diminuir a sua eficácia.
Evitar passeios ao amanhecer e entardecer em zonas de maior risco e garantir o cumprimento rigoroso das medidas preventivas são gestos simples que podem fazer toda a diferença.

Atualmente, a vacinação representa uma ferramenta extremamente importante na prevenção da leishmaniose canina. Embora nenhuma medida preventiva seja totalmente eficaz de forma isolada, a combinação entre vacinação e utilização regular de repelentes permite atingir níveis de proteção muito elevados, reduzindo significativamente o risco de infeção. Por isso, a prevenção deve ser encarada de forma integrada, sobretudo nos meses de verão e em animais com maior exposição ao vetor.
Importa recordar que a leishmaniose não é apenas uma doença cutânea. Apesar de muitos cães desenvolverem lesões dermatológicas, queda de pelo ou feridas, a doença pode afetar rins, articulações, olhos, entre outros, comprometendo seriamente a qualidade de vida do animal.
A leishmaniose continua a expandir-se e a representar um desafio importante em medicina veterinária. Felizmente, hoje dispomos de melhores ferramentas preventivas e maior capacidade de diagnóstico. Mas nenhuma estratégia será eficaz sem o envolvimento ativo dos tutores.
Prevenir continua a ser, sem dúvida, a melhor forma de proteger.






