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O gestor como golfista quando o sucesso se constrói jogada a jogada

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Vivemos numa época em que a incerteza se tornou uma constante, com as empresas a enfrentarem mercados voláteis, concorrência feroz, mudanças tecnológicas aceleradas e desafios geopolíticos que exigem uma capacidade permanente de adaptação. Neste contexto, as competências técnicas continuam a ser fundamentais, mas são cada vez mais as competências comportamentais que distinguem os melhores gestores e empresários.

É precisamente aqui que o golfe nos oferece uma das mais interessantes escolas de liderança. Esta foi uma mensagem que tive a oportunidade de transmitir na “Norte Golf Talks, na Porto Business School, no início de julho. Como praticante, realcei que quem joga golfe rapidamente percebe que o verdadeiro desafio não está apenas na execução do swing, mas sobretudo na forma como se pensa, se decide e se reage perante cada situação. No golfe, tal como na gestão, ninguém controla o vento. Da mesma forma, nenhum empresário controla os ciclos económicos, a inflação, as taxas de juro ou as alterações dos mercados. O que distingue os melhores não é a capacidade de eliminar a incerteza, mas sim a competência para tomar boas decisões perante circunstâncias que nunca são totalmente previsíveis.

 

Luís Miguel Ribeiro Presidente do Conselho de Administração da AEP

 

 

No golfe, cada buraco representa um novo desafio. Cada jogada exige análise, estratégia, gestão do risco e capacidade de adaptação. Nem sempre ganha quem bate mais longe. Ganha quem escolhe melhor, quem sabe quando atacar e quando ser prudente, quem mantém o foco e não perde a serenidade depois de um erro. Esta é uma das maiores lições que o golfe oferece aos gestores.

Nas empresas, como nos campos de golfe, a perfeição é rara. Os erros fazem parte do percurso. A verdadeira diferença está na capacidade de recuperar rapidamente, aprender e seguir em frente sem perder confiança. A resiliência, tão valorizada no mundo empresarial, é diariamente exercitada num campo de golfe.

Também a disciplina assume um papel central. O sucesso não resulta de um momento de inspiração, mas da consistência. Tal como uma empresa, não se constrói com uma única boa decisão, também um torneio não se vence com uma única grande pancada. O desempenho sustentável nasce da preparação, da repetição e da melhoria contínua.

Existe ainda uma dimensão particularmente relevante: a ética. O golfe é um dos poucos desportos onde o próprio jogador é árbitro de si mesmo. O respeito pelas regras, pela palavra dada e pelos adversários faz parte da essência do jogo. Num tempo em que a confiança é um dos ativos mais valiosos das organizações, esta cultura de integridade constitui uma referência igualmente indispensável para quem lidera empresas.

Mas o golfe ensina também outra competência essencial para o mundo empresarial: a construção de relações de confiança. Ao longo de uma partida, criam-se condições únicas para conhecer verdadeiramente as pessoas. Longe da pressão das reuniões formais, é possível observar comportamentos, valores, capacidade de decisão, equilíbrio emocional e espírito de colaboração. Não é por acaso que tantas relações profissionais sólidas e tantas oportunidades de negócio nasceram num campo de golfe. Afinal, os negócios continuam a fazer-se entre pessoas, e a confiança continua a ser a base de qualquer parceria duradoura. Na AEP temos procurado valorizar esta dimensão através da promoção de iniciativas que unem empresários em torno do golfe, criando espaços de networking qualificado, partilha de experiências e reforço das relações entre empresas. Mais do que competições desportivas, estes momentos representam oportunidades para fortalecer uma cultura empresarial assente na colaboração, na ética e na criação de valor. O exemplo do jovem Francis Ouimet, que venceu o muito mais experiente Harry Vardon no U.S. Open de 1913, ilustra uma mensagem inspiradora para o tecido empresarial português: a origem não determina o destino. A preparação pode superar o estatuto, a ambição pode vencer as limitações e a confiança pode derrotar o favoritismo. Essa é também a história de muitos empresários portugueses que, através do trabalho, da persistência e da coragem, transformaram pequenos negócios em empresas de referência. Tanto no campo de golfe como na gestão de uma empresa é a soma de muitas pequenas decisões certas que acaba por fazer toda a diferença. Tal como no golfe, também na gestão não existem vitórias garantidas. Existem, isso sim, líderes que se preparam melhor, que aprendem continuamente, que sabem gerir o risco, que mantêm a serenidade sob pressão e que nunca deixam de acreditar mesmo quando o contexto parece muito desfavorável.

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