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Inteligência Artificial e o futuro da contabilidade

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Com 20 anos de experiência em contabilidade e finanças, Sérgio Gouveia, autor deste artigo e hoje especialista em IA e Head of Education na Code for All_, reflete sobre como a Inteligência Artificial está a transformar a contabilidade. Defende que o setor vai saber adaptar-se e sair reforçado pela transformação tecnológica, como o fez no passado, desde que haja um investimento em competências como IA, automação e pensamento crítico.

Como a Inteligência Artificial está a transformar a contabilidade e que competências digitais se tornam essenciais?

A Inteligência Artificial já está a ter impacto na contabilidade, sobretudo na automatização das tarefas mais rotineiras e estruturadas como lançamentos, reconciliações ou fechos mensais. Isto não significa que a profissão esteja em risco, mas é natural que algumas tarefas que hoje ocupam grande parte do dia de muitos contabilistas passem a ser automatizadas. O resultado não é apenas uma transferência de tarefas: é uma mudança de escala. Estamos a falar de processamentos e fechos em tempo real, relatórios gerados instantaneamente e uma capacidade de detetar anomalias ou riscos que antes exigia muito mais tempo e recursos.

Neste novo contexto, o papel do contabilista que se adapte pode ganhar relevância. São profissionais que sempre estiveram muito próximos da realidade financeira das organizações e, por isso, numa posição privilegiada para transformar dados em informação útil para gestores e investidores. Mas para o fazer precisam de literacia digital (sobretudo na área de IA e automação), bem como análise de dados e cibersegurança, a par de competências como pensamento crítico e comunicação.

Na Code for All_ acreditamos que a melhor forma de preparar profissionais é aproximar a tecnologia do quotidiano. Por isto mesmo, desenvolvemos um Curso prático de Introdução à Inteligência Artificial 100% aplicada ao Setor da Contabilidade. Mostramos, com exercícios práticos, como IA pode ser aplicada a problemas reais: automatizar relatórios ou simular projeções de tesouraria. O objetivo não é que se tornem especialistas em tecnologia, mas que entendam o funcionamento destas ferramentas, ganhem confiança para usá-las e saibam questionar os resultados, de forma ética e responsável.

É fundamental reforçar que esta transição não pode ser vista como responsabilidade exclusiva dos trabalhadores, mas também das empresas tecnógicas e das próprias empresas de contabilidade.

A contabilidade já passou por outras revoluções tecnológicas no passado, e saiu sempre reforçada no seu papel de linguagem da atividade económica.

 

 

Na sua opinião, quais tendências de tecnologia vão marcar a contabilidade nos próximos anos, e como os cursos da Code for All_ podem ajudar a acompanhar essas mudanças?

Vejo quatro tendências. Primeiro, a automação completa das rotinas, que já está em marcha. Segundo, a integração da IA generativa nos softwares de contabilidade, produzindo relatórios narrativos, dashboards e análises preditivas, em tempo real. Terceiro, um reforço da transparência, do compliance e da auditoria digital, porque quanto mais dados circularem em sistemas automáticos, maior será a necessidade de confiança e rastreabilidade. Finalmente, a cibersegurança, que será um tema central: proteger dados financeiros será tão importante como tratá-los.

Nos últimos anos a Code for All_ adaptou a sua oferta educativa para responder aos desafios urgentes dos setores mais expostos à Inteligência Artificial. Programas como IA e de Automação dão literacia digital aplicada, essencial para lidar com novas ferramentas de análise e automação. Os cursos de cibersegurança preparam profissionais para proteger informação crítica num mundo que vai estando mais vulnerável. E formações em programação permitem compreender a arquitetura tecnológica que está por trás dos softwares de contabilidade. No fundo, ajudamos a criar a ponte entre o conhecimento contabilístico e o domínio das tecnologias que vão moldar o futuro do setor.

Acredito que o núcleo da transformação estará em garantir confiança, integridade e governança. Tal como aconteceu no passado, a contabilidade vai adaptar-se. Haverá funções que desaparecem, sim, mas o papel da profissão como referência da confiança financeira será ainda mais relevante.

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