A GS Ambiente, liderada por Jorge Serra, assinala este ano uma década de atividade na área da gestão de resíduos e sustentabilidade em Portugal. Desde a recolha e valorização de óleos alimentares até à inovação em processos de limpeza industrial, a empresa tem vindo a consolidar-se como referência num setor em constante evolução, enfrentando desafios regulatórios e tecnológicos e promovendo práticas ambientalmente responsáveis.
O início de uma paixão pelo ambiente
Jorge Serra iniciou o seu percurso profissional na área do ambiente, impulsionado por uma curiosidade genuína que o motivou a explorar novas oportunidades. A especialização em gestão da qualidade permitiu-lhe compreender os processos de forma prática e consolidar a sua posição no mercado.
Recorda como pequenas mudanças marcaram o início de uma cultura de reciclagem:“No início praticamente não existia separação de resíduos. O primeiro grande passo foi a introdução do vidro, sobretudo o vidro verde, que teve um impacto enorme na reciclagem. Talvez por ser novidade, mas toda a gente aderiu”.
A GS Ambiente foi crescendo à medida que novos resíduos começaram a ser incorporados nos processos de separação, desde o papel às embalagens, até aos resíduos orgânicos. Jorge Serra salienta o impacto que estas mudanças têm na sociedade: “As próprias pessoas começam a perceber a importância da reciclagem, mas a verdade é que muitas casas ainda não estão preparadas. Há quem tenha vários contentores em casa e, mesmo assim, continue a ser difícil organizar tudo”.

A consolidação de um modelo de negócio sustentável
A empresa consolidou-se através da integração de tecnologia, regulamentação e inovação. “Temos um programa ligado à APA. Sempre que fazemos uma recolha, é enviada automaticamente a informação com a data, a hora e a quantidade recolhida, e o Ministério do Ambiente recebe esses dados em tempo real”.
O investimento em sistemas informáticos permitiu à empresa monitorizar e certificar todas as recolhas, diferenciando-se de concorrentes nacionais e internacionais. Jorge Serra explica que um programa com estas características teria hoje um custo entre 30 e 40 mil euros, mas permite à empresa ter acesso detalhado a tudo o que é recolhido. Segundo o responsável, este nível de digitalização contrasta com a realidade de alguns países vizinhos, onde muitos registos ainda são feitos em papel.
A visão estratégica de Jorge Serra passou também por antecipar as futuras exigências legais do setor. Desde cedo, a empresa investiu em armazéns licenciados e em viaturas devidamente preparadas para garantir um transporte seguro e ambientalmente responsável. Para o responsável, esta aposta antecipada permitiu posicionar a empresa de forma sólida no mercado, numa altura em que a regulamentação acabaria por excluir os operadores que não estavam preparados para cumprir os novos requisitos.
Do óleo alimentar ao valor ambiental
O foco inicial na recolha de óleos alimentares acabou por transformar-se num caso de sucesso tanto do ponto de vista ambiental como económico. Este resíduo, que anteriormente era descartado e representava um custo de tratamento, passou a ser valorizado como matéria-prima com valor acrescentado. Além de contribuir para a redução da pegada carbónica, o processo permite também diminuir as emissões associadas ao uso de combustíveis fósseis e reduzir a dependência das importações de petróleo.
A quantidade recolhida impressiona: “Todos os meses recolho 75 toneladas, quase um milhão de litros por ano. É significante, a nível local e regional”. Todo o óleo passa por um pré-tratamento, filtragem e separação de resíduos sólidos, que depois seguem para compostagem, seguindo o princípio de Jorge Serra: “Nada se perde, tudo se transforma”.
Os desafios da legislação e da inovação
O crescimento da GS Ambiente não foi linear. Jorge Serra recorda as dificuldades iniciais com a legislação incipiente e a entrada de novos operadores: “Quando começámos, havia poucos operadores, mas depois começaram a aparecer muitos mais do que a quantidade de matéria disponível permitia. A legislação era muito incipiente, e com o tempo começaram a legislar e a regular, mas nem todos conseguiam cumprir”.
Recorda ainda a necessidade de superar barreiras culturais e tecnológicas, referindo que, na prática, a reciclagem enfrenta obstáculos como a falta de espaço nas despensas e a complexidade de execução, apesar da existência de normas europeias.
Para Jorge Serra, a seleção natural do mercado fez a diferença: “Quem permanece no mercado é quem oferece garantias, demonstra resiliência e acredita no projeto. A GS Ambiente destacou-se pelo serviço diferenciado, com carrinhas estancas e armazéns licenciados”.
Inovação contínua e expansão de serviços
A GS Ambiente expandiu a sua atividade para além da recolha de óleos, investindo na limpeza de cozinhas industriais, condutas e motores com equipamentos próprios, incluindo sistemas de espuma que removem a gordura de forma eficiente, reduzindo o trabalho manual e exigindo grande esforço físico, mas com elevada eficácia.
Sublinha também a evolução da consciencialização social: embora tenha havido uma forte adesão inicial às práticas de reciclagem, os hábitos alimentares têm mudado gradualmente, com a utilização de airfryers e a redução do consumo de fritos. Apesar destas alterações, o impacto ambiental das operações mantém-se significativo, reforçando a missão da empresa em contribuir para a sustentabilidade.
Perspetivas para o futuro
Questionado sobre a evolução do setor em Portugal, Jorge Serra adota uma visão pragmática, destacando que, embora a maioria da restauração cumpra a legislação, o setor enfrenta sinais de estagnação e a necessidade de focar no essencial e reduzir desperdícios.
A GS Ambiente continuará a expandir-se, com base em tecnologia, inovação e sustentabilidade, seguindo a filosofia de que “tudo se transforma, nada se perde”.
Ao celebrar dez anos de atividade, a empresa de Jorge Serra evidencia como visão, inovação e compromisso ambiental podem transformar um setor, conciliando rentabilidade, sustentabilidade e educação ambiental numa sociedade cada vez mais consciente.






