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Excelência e tradição na arte em pedra

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Com mais de 27 anos de experiência, a Gárgula Gótica distingue-se pelo rigor artesanal e pela preservação de técnicas tradicionais na cantaria artística, escultura e restauro. Cada peça criada é fruto de uma dedicação intensa, onde o conhecimento técnico alia-se à sensibilidade e à responsabilidade de lidar com materiais nobres e património histórico. Liderada pela CEO Alzira Antunes, a empresa, reconhecida nacional e internacionalmente, revela como enfrenta desafios, constrói relações de confiança com clientes e parceiros e projeta o futuro das artes tradicionais com autenticidade e paixão.

A Gárgula Gótica é reconhecida pelo seu cuidado artesanal e pela preservação de técnicas tradicionais. Como descrevem a vossa abordagem ao processo de criação e quais os princípios que orientam o vosso trabalho no dia a dia?

Na Gárgula Gótica, vemos cada peça como uma continuidade da nossa própria história. Trabalhamos com as mãos, sim, mas sobretudo com o coração. Acreditamos que este ofício só faz sentido quando existe uma ligação verdadeira entre quem cria o material e quem o recebe. As nossas áreas de especialidade são a cantaria artística, a escultura e conservação e restauro. Exigem precisão, sensibilidade e um respeito profundo pelo património e pelos materiais nobres com os quais trabalhamos. A nossa abordagem nasce desse respeito pelo tempo, pela tradição e pela responsabilidade que assumimos ao lidar com peças únicas. Todos os dias seguimos os mesmos princípios: autenticidade, rigor e humildade perante o ofício, e uma dedicação profunda aos detalhes. Cada projeto é uma oportunidade para honrar as técnicas que herdámos e deixar um contributo bonito e honesto para o futuro.

 

Alzira Antunes, CEO

 

O vosso percurso tem vindo a consolidar-se num setor que valoriza autenticidade e rigor. Quais têm sido os principais desafios ao longo dos anos e como a empresa tem sabido adaptá-los às exigências do mercado?

Estar num setor tão exigente tem sido, ao mesmo tempo, um privilégio e um desafio constante. Ao longo de 27 anos, enfrentámos vários problemas, desde a escassez de mestres canteiros especializados, razão pela qual reunimos uma equipa multicultural, muitas dificuldades em encontrar no território nacional as ferramentas adequadas a cada trabalho, até à impaciência natural de alguns clientes numa sociedade onde tudo parece correr depressa demais. Mas foi nesses desafios que crescemos. Aprendemos a nos adaptar sem perder a essência, a modernizar processos quando fazia sentido, e a proteger o que realmente nos define: o respeito profundo pelas técnicas tradicionais e pelos detalhes de acabamento. Cada obstáculo tornou-nos mais resilientes e mais conscientes da responsabilidade de manter vivo um saber que não pode desaparecer.

A excelência do vosso trabalho tem sido reconhecida através de diversas distinções e  prémios. Quais destacariam como especialmente significativos e o que representam para a Gárgula Gótica?

Em 2017, demos vida à MANTA Stone Design, a nossa marca dedicada a materializar ideias que queríamos ver ganhar forma. Só no final de 2024, decidimos apresentar a nossa última coleção em prémios internacionais e os resultados encheram-nos de orgulho. Entre os prémios recebidos, destacamos o Muse Design Award, onde a mesa de jantar Kavachi foi galardoada com ouro. Mais do que reconhecimento público, estas distinções confirmam que o caminho que escolhemos, o da exigência, do know-how, da autenticidade, da exclusividade e do rigor, faz realmente a diferença. Cada prémio é um incentivo para continuar a elevar a fasquia.

A relação com clientes e parceiros é frequentemente apontada como uma das vossas forças. De que forma constroem essa relação e que aspetos consideram fundamentais para manter a confiança e continuidade dessas colaborações?

As nossas relações constroem-se de forma profundamente humana. Gostamos de ouvir, de compreender verdadeiramente quem nos procura e de criar um ambiente de confiança desde o primeiro contacto. Trabalhamos sobretudo com arquitetos, designers, escultores, instituições públicas e particulares que procuram ver as suas ideias ganhar forma neste material nobre que é a pedra. Cada projeto nasce de um diálogo criativo, onde transformamos visões em matéria. Cada peça é única, e cada cliente é tratado como tal. Esculpir algo personalizado é caminhar lado a lado. Para nós, transparência, comunicação aberta e compromisso são essenciais. Queremos que cada cliente sinta que está em boas mãos, que pode confiar tanto na nossa experiência como na nossa honestidade e proximidade. É esta forma de estar que nos tem permitido construir relações duradouras, muitas vezes verdadeiras parcerias que ultrapassam o próprio trabalho.

 

 

 

O vosso trabalho envolve muitas vezes intervenções complexas e de elevado valor patrimonial. Podem partilhar um ou dois projetos que consideram marcantes e explicar o que os tornou tão exigentes ou especiais?

Há projetos que ficam connosco para sempre, não só pelo desafio técnico, mas pela carga simbólica e emocional que transportam. Recordamos, por exemplo, a escultura de um gato com três metros de altura e cerca de 16 toneladas, esculpida num único bloco de mármore nacional para o festival Coachella. Tínhamos muito pouco tempo, e cada dia foi uma corrida contra o relógio para garantir que a obra estivesse presente na abertura do festival. Outro projeto marcante foi a réplica da fachada Arte Nova de um edifício de 1910, em Espinho. Estava tão degradada que já não era possível distinguir muitos dos seus elementos, além de representar perigo para quem por ele passava. O processo, que durou mais de um ano, envolveu estudo de fotografias antigas, desenvolvimento do projeto, execução das peças com total similaridade ao original e, finalmente, a montagem. Também as peças criadas de raiz, que exigem semanas de dedicação, testes, erros e avanços, acabam por se transformar em algo que supera o esperado. Esses projetos recordam-nos porque fazemos o que fazemos: porque acreditamos que a cantaria artística tem alma e, quando feita com verdadeira entrega, deixa marcas que perduram.

O futuro do património e das artes tradicionais enfrenta novos desafios. Que objetivos e ambições têm para os próximos anos e que papel desejam que a Gárgula Gótica desempenhe no setor?

Olhamos para o futuro com esperança e com um profundo sentido de responsabilidade. Queremos contribuir para que as artes tradicionais continuem vivas, acessíveis e respeitadas, e para que o património seja cuidado com a dignidade que merece. Ambicionamos inspirar novos canteiros artísticos, porque acreditamos que este saber deve passar de mãos em mãos.

Queremos crescer, não em volume, mas em profundidade, participar em projetos que nos desafiem, colaborar com pessoas e instituições que valorizam o que é autêntico e deixar uma marca positiva no património e nas artes. O papel que desejamos para a Gárgula Gótica é simples e imenso ao mesmo tempo: ser guardiã de um saber ancestral, transmissora desse conhecimento às gerações futuras e criadora de peças feitas com verdade, alma e integridade.

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