Criado em 2008, o Grupo Zegnea assume na atualidade uma posição de destaque, sendo um player de referência nas áreas que abraça. Em entrevista à Revista Business Portugal, o Arquiteto Hugo Lobo dá a conhecer a essência e universo do grupo que tem uma identidade singular e uma visão muito própria do mercado e do mundo.

Que balanço faz da trajetória do Grupo Zegnea e como descreve o seu posicionamento? Em que valores assenta a abordagem do grupo e o seu ADN?
A história da empresa é indissociável de uma herança e transmissão de conhecimento familiar. Faço parte de uma 3ª geração de pessoas ligadas ao sector da construção, condição que me obrigou desde muito cedo a lidar com as especificidades e natureza desta atividade. Em 2008, como reação à crise que assolou o setor, decido criar o Grupo Zegnea, numa interpretação própria e numa procura de posicionamento num mercado em falência, identificando onde poderíamos marcar a diferença e contribuir para uma mudança de comportamento daquilo que eram os padrões organizacionais e operacionais das empresas de construção. A medida mais ousada foi, sem dúvida, colocar a Arquitetura como o centro da nossa atividade. Lentamente, observa-se uma consciencialização do papel do Arquiteto, da mais-valia que representa a sua presença em todo o processo, mas ainda existe uma certa resistência em delegar na disciplina da Arquitetura a responsabilidade de pensar as nossas cidades e entendê-la como elemento central no setor da construção. No nosso ADN está bem patente esta influência e visão, por um lado a questão hereditária da “empresa familiar”, direcionada para o desenvolvimento de um trabalho a longo prazo, na procura de um crescimento sólido, sustentado na confiança e na criação de uma identidade, em paralelo com uma inquietação constante, numa visão muito própria do mercado e do mundo, na procura de deixar que a Arquitetura seja o estimulador de todo o processo, e o crescimento e os resultados que temos obtido validam este projeto “Zegnea”.

Além dos projetos arquitetónicos, o Grupo também se dedica à construção, reabilitação, arquitetura de interiores, mobiliário e promoção imobiliária. Como é que essa abordagem integrada contribui para a experiência dos clientes?
A Arquitetura é o ligante de toda a nossa ação, o elemento de coesão desta estrutura complexa. O setor da construção é extremamente exigente e demasiado resistente à mudança, desde quem executa até ao cliente final, existe uma resistência na aceitação de novas abordagens e diferentes linguagens. Procuramos, de uma forma natural e gradual, integrar todos os serviços necessários para uma experiência plena de um qualquer processo de planeamento e construção. Temos dado passos sólidos no desenvolvimento de uma estrutura sustentada e robusta, que seja atrativa para quem procura os nossos serviços, mas também para quem connosco colabora. Acredito que um dos nossos fatores de crescimento é esta procura da valorização da relação humana e do equilíbrio entre todos. Não existe negócio sem o cliente, mas não existe o produto sem as pessoas que o executam, daí que a valorização e o respeito sobre o trabalho e função de cada um é essencial para o sucesso da estrutura.
A junção da arquitetura com áreas complementares permite o desenvolvimento de uma solução arquitetónica integrada, concebendo um produto pensado e construído, do início ao fim, com o maior rigor, qualidade e sentido estético?
Diria que não há outra forma de desenvolver um bom projeto/construção, sem que se observe essas condições, ou seja, a Arquitetura trabalha sempre em complementaridade com as outras disciplinas. O nosso modelo organizacional proporciona-nos um maior controlo de todo o processo, para além de permitir uma discussão contínua e transversal de todas as fases. Esta multidisciplinariedade enriquece toda a organização e reflete-se na experiência do cliente e na qualidade do produto final.

Os projetos e obras executados pelo Grupo Zegnea caracterizam-se pela elegância e simplicidade, valorizando a qualidade do desenho e dos materiais, assim como o rigor e mestria na execução da obra. Do vosso portefólio, que projeto ou projetos elege como mais significativos ou desafiadores?
Não procuramos “padronizar” modelos, mas seguir e implementar princípios que se adequam a cada lugar, circunstância e vivência. Só assim conseguimos alcançar a identidade e individualidade de cada projeto. Todos os projetos, independentemente da sua natureza, programa, escala ou localização, contribuem para um contínuo desenvolvimento do nosso pensamento, da nossa linguagem e da forma como olhamos a Arquitetura.
O gabinete de arquitetura demonstra todo o seu mérito através das várias distinções e prémios que conquistou. O que representam estes prémios e reconhecimento? Qual o impacto destas distinções na visibilidade e notoriedade da organização?
As distinções nacionais e internacionais apenas trazem uma maior responsabilidade à forma como olhamos e nos dedicamos aquilo que fazemos. Sou, sem sombra de dúvida, o meu maior crítico e não permito nenhum tipo de deslumbramento perante as distinções e prémios alcançados. Um restaurante que consiga alcançar uma estrela Michelin não chegou ao topo da sua evolução, alcançou sim uma validação do seu pensamento e uma necessária continuação de um processo de inovação e criatividade, para além da manutenção de padrões de qualidade e de operação interna. Da mesma forma acontece na nossa atividade, interessa-me sempre que o maior reconhecimento seja transmitido pelos nossos clientes, quem nos confiou, provavelmente, o maior investimento da sua vida. Esse é o meu maior desafio, corresponder e respeitar a confiança que em nós depositam. Os prémios e distinções serão sempre o reflexo da qualidade do nosso trabalho, não um fim em si.

De que forma a localização na região do Minho influencia o vosso trabalho? A cultura, o património e as características naturais da região têm impacto nas decisões de design e nos projetos que desenvolvem?
Todos os “Lugares” têm os seus próprios contextos e a Arquitetura obedece a esta relação intrínseca com a transformação do “Lugar”, da mesma forma, absorve esses estímulos, dos “Lugares” que a acolhe. O Minho é um território com características muito próprias e desafiantes, por um lado encontramos cidades de média escala, com centros históricos e urbanos consolidados, mas observamos também um forte tecido urbano difuso nas periferias e áreas de transição. Isto abre problemáticas e oportunidades muito interessantes que obrigam a um estudo contínuo e a uma adaptação a diferentes realidades e contextos. Temos neste momento muito do nosso trabalho concentrado na cidade de Guimarães, que tem sido a “porta” de entrada para o resto do Mundo. É aqui que procuramos validar e implementar a nossa ideia e visão, promovendo um discurso critico, criativo e ambicioso sobre a disciplina da Arquitetura, que contribua para uma valorização cultural da cidade e da região que nos acolhe.
Olhando para o futuro, quais são os principais objetivos e estratégias do Grupo Zegnea para continuar a inovar e melhorar o seu trabalho? Há alguma área específica em que estejam especialmente interessados em explorar ou expandir nos próximos anos?
Interessa-nos continuar a desenvolver, a pesquisar e entender as necessidades das pessoas e a evolução da sociedade. Olhamos com especial interesse para o tema habitação, que nos permite abordar muitas vertentes da problemática associada ao ato de projetar e construir. Mais do que tudo, interessa-nos dar respostas concretas e eficientes às solicitações que nos fazem ou que nós próprios promovemos. Neste momento, encontramo-nos a desenvolver um modelo habitacional otimizado, o qual chamamos de “Habitação Essencial”, no qual procuramos dimensionar este espaço “doméstico” numa relação de otimização/eficiência, que se apresente como solução válida para o problema do crescente aumento do custo da construção e consequente falta de habitação no mercado.




