O estudo “Spain’s Recovery and Resilience Plan: Addressing Structural Challenges in the Labour Market”, publicado a 14 de maio pela Comissão Europeia na série European Economy Discussion Papers, identifica efeitos positivos da reforma espanhola de redução dos contratos a prazo, com relevância para os aumentos de produtividade verificados.
Segundo este estudo, a maior estabilidade contratual favorece o investimento em formação, a retenção de conhecimento interno e implica menores custos de substituição e de recrutamento. “A experiência espanhola contraria a ideia de que mais proteção laboral conduz necessariamente à destruição de emprego ou ao bloqueio da economia”, afirma Paulo Marques. “Pelo contrário, mostra que reduzir a precariedade é compatível com mais emprego, maior estabilidade laboral e ganhos de produtividade”.
Para avaliar os resultados comparados das mais recentes reformas laborais dos dois países, a vice-presidente do Governo de Espanha e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, e a ex-ministra portuguesa do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, vão apresentar no Iscte o livro “Governing Solidarity in European Labour Markets: Atypical Employment and Minimum Wage Reform in Spain and Portugal”. A apresentação decorrerá das 11:00 às 13:00, dia 5 de junho, no edifício Iscte – Conhecimento e Inovação (Edifício 4, Avenida das Forças Armadas, nº40, Lisboa).
O coordenador do Observatório do Emprego Jovem aponta “a diferença de ritmo e de intensidade” na redução significativa do emprego temporário jovem verificada em Espanha e em Portugal na década 2015-2025. “Espanha reduziu mais e mais depressa, sobretudo após a sua reforma laboral de 2021”, afirma Paulo Marques. Segundo o investigador do Iscte, isto decorre do alcance e do desenho das medidas adotadas. “Em Portugal, a reforma laboral de 2019 parte de um acordo na Concertação Social que logrou no Parlamento um alcance relevante, mas moderado”, afirma. “Em Espanha, a reforma laboral de 2021 também passou por um acordo entre Governo, sindicatos e confederações patronais, mas é no Parlamento que limita de forma mais forte o recurso à contratação temporária”.
“Lições” para a discussão do Pacote Laboral em Portugal
“A lição para o momento atual é que levar uma reforma ao Parlamento não determina, por si só, o seu alcance: tudo depende do sentido político das medidas, da maioria que as aprova e de saber se as alterações reforçam ou fragilizam os direitos dos trabalhadores”, conclui Paulo Marques.
A investigação que resultou no “Governing Solidarity in European Labour Markets: Atypical Employment and Minimum Wage Reform in Spain and Portugal” incidiu sobre quatro áreas: regras de contratação e negociação colectiva; salário mínimo; regulação do transporte de passageiros por plataformas digitais; e regularização do emprego precário na Administração Pública. A análise feita no livro combina ainda entrevistas a atores políticos, sindicais e patronais, debates parlamentares, cobertura mediática e documentos oficiais.







