Num contexto de crescente exigência na produção de mirtilo, Jorge Duarte, Managing Director da Hortitool Consulting, destaca uma abordagem técnica centrada na planta, na eficiência e na consistência produtiva. Nesta entrevista, revela como a experiência internacional e a inovação estão a redefinir a rentabilidade da fileira.
Quais têm sido os principais ajustes técnicos e operacionais que a Hortitool tem recomendado aos produtores de mirtilo para aumentar a rentabilidade por hectare sem comprometer a qualidade do fruto?
Na Hortitool Consulting recomendamos uma gestão técnica e preventiva, assente nas Hortitool Rules: a planta lidera as decisões. Partimos da leitura da planta, água, solo ou substrato, pH, condutividade elétrica, drenagem, fenologia e qualidade do fruto. A rentabilidade não depende apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, com regularidade e menos desperdício. O foco está na fertirrega por fase, poda pelo equilíbrio vegetativo-produtivo, colheita bem temporizada e pós-colheita imediata. Iniciámos também I&D em nutrição, previsão de colheita, stress abiótico e gestão da rega.
Como a vossa experiência internacional tem influenciado as recomendações que fazem aos produtores nacionais, nomeadamente em práticas de nutrição, rega e seleção de variedades?
A experiência internacional torna as recomendações mais rigorosas e adaptadas. A Hortitool Consulting está hoje ativa em 12 países, em realidades distintas como Marrocos, Itália, Roménia, Grécia, Turquia e Geórgia, onde ajustamos nutrição, rega e variedades a cada clima, água, solo e mercado. Na Turquia e na Geórgia trabalhamos com técnicos locais da Hortitool; em Marrocos colaboramos com a Green Smile; na Geórgia com a Georgian Berry Growers Association; e, na Europa, em parceria com a Better Berries e a Universidade de Tecnologia do Chipre. Esta rede complementa a colaboração em Portugal com o INIAV e o COTHN.

A Feira Nacional do Mirtilo é uma plataforma estratégica para a fileira, quais são os objetivos concretos da Hortitool para a 18.ª edição do certame em termos de promoção tecnológica, estabelecimento de parcerias com viveiristas/comercializadores e captação de clientes/projetos?
A Feira Nacional do Mirtilo é um evento histórico, que celebra o território onde nasceu a cultura do mirtilo em Portugal e a região que ajudou a elevar este fruto. Nesta edição, estaremos sobretudo enquanto membros da Direção da ANPM – Associação Nacional de Produtores de Mirtilo –, contribuindo para dar mais voz, organização e eficácia à fileira. O objetivo é tornar o setor mais técnico, profissional e preparado para o mercado, reforçando o diálogo entre produtores, viveiristas, comercializadores, empresas e técnicos.
Que iniciativas de formação contínua e transferência de conhecimento a Hortitool considera mais eficazes hoje para capacitar técnicos e produtores, e como mensuram o impacto dessas ações no desempenho das explorações?
A formação mais eficaz é a que muda decisões no campo. Valorizamos sessões práticas, dias de campo, protocolos técnicos e acompanhamento da campanha, porque a competência se consolida quando a equipa liga ciência e execução. Desde 2019, participamos na organização da Morocco Berry Conference, em parceria com a Green Smile, e desde 2022, realizamos formações em mirtilo em Marrocos. Estamos também a desenvolver a Berry School para técnicos e produtores de pequenos frutos na Georgia.







