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Ana Paula Oliveira e Elizabete Costa dirigem o Colégio Europeu Astoria — hoje Astoria International School — uma escola internacional de currículo português no coração de Lisboa, no eixo Areeiro-Alvalade. Desde a sua fundação, o projeto tem procurado afirmar-se como uma referência no ensino multilingue, aliando rigor académico, identidade portuguesa e uma forte vocação internacional. Em entrevista, Ana Paula Oliveira, Diretora da instituição, fala sobre a evolução do projeto, os marcos fundamentais desse percurso e a ambição de consolidar o Astoria como referência europeia na educação multilingue de currículo português.

Tendo iniciado a sua atividade em 2009 e registado um crescimento progressivo ao longo dos anos, como caracteriza a evolução do Astoria International School desde a sua fundação e quais foram os principais marcos desse percurso?

O Astoria nasceu em 2009 com uma convicção clara: criar uma escola internacional de currículo português que democratizasse o acesso à educação multilingue de qualidade. Até então, oferecer aos filhos uma formação em várias línguas com certificação internacional significava, inevitavelmente, propinas elevadas em escolas de currículo estrangeiro. Nós quisemos provar que era possível fazer diferente – e fizemo-lo. O crescimento foi deliberadamente orgânico. Começámos pelo pré-escolar e 1.º Ciclo, consolidando cada etapa antes de avançar. A abertura do 2.º e do 3.º Ciclo foram marcos estruturantes, porque nos permitiram oferecer continuidade educativa do berçário ao 9.º ano. A certificação como Cambridge International School e o reconhecimento como centro de exames Trinity College London confirmaram a solidez do projeto. Hoje, o Astoria é a única escola de currículo português em Lisboa que integra quatro línguas no currículo – Inglês, Alemão e Francês – com certificação Cambridge, Goethe Institut e Alliance Française, a um valor compatível com o orçamento de famílias portuguesas de classe média. Esse é, talvez, o nosso maior marco: ter tornado acessível o que antes era exclusivo.

 

Ana Paula Oliveira, Diretora

 

O colégio tem vindo a afirmar-se no panorama educativo, nomeadamente através da sua presença em rankings nacionais e de certificações institucionais. De que forma esses reconhecimentos contribuíram para a consolidação e projeção do Astoria International School no contexto educativo?

Os reconhecimentos institucionais são importantes, mas não são o nosso fim – são consequência do trabalho que fazemos. A certificação Cambridge e a acreditação Trinity dão às famílias uma garantia objetiva e verificável de que o nosso programa multilingue cumpre padrões internacionais exigentes. Quanto aos rankings nacionais (23ª posição no ano transato, entre escolas publicas e colégios privados) contribuem para a visibilidade, mas temos uma posição muito clara: a qualidade de uma escola não se mede apenas por médias de exame. Mede-se pela forma como cada aluno evolui, pela solidez das competências que desenvolve e pela confiança com que enfrenta o ciclo seguinte. Dito isto, estes reconhecimentos ajudaram-nos a chegar a famílias que de outra forma não nos teriam encontrado  – e isso, num mercado competitivo como o de Lisboa, tem valor estratégico real.

 

 

Como é implementado o ensino bilingue e multilingue em etapas progressivas no Astoria International School e de que forma beneficia os alunos?

O nosso modelo multilingue é progressivo e integrado no currículo – não é uma atividade extracurricular nem um complemento isolado. Desde o berçário, as crianças vivem num ambiente bilingue português-inglês, com contacto natural e imersivo ao longo de todo o dia. A partir do 3.º ano, introduzimos o alemão de forma estruturada. No 5.º ano, o francês completa o percurso, formando um programa quadrilingue que é único em Lisboa no segmento de escolas de currículo português. No final do 3.º Ciclo, os nossos alunos comunicam em quatro línguas com naturalidade e confiança. Este modelo desenvolve muito mais do que competência linguística: promove flexibilidade cognitiva, capacidade de adaptação e uma abertura cultural que se torna parte da identidade do aluno. Não se trata de falar línguas – trata-se de pensar de formas diferentes. É uma preparação real para um mundo onde a mobilidade e o diálogo intercultural são competências essenciais, não opcionais.

Sendo o colégio frequentemente associado a uma abordagem pedagógica inovadora, que metodologias ou práticas concretas distinguem o seu modelo de ensino face ao ensino mais tradicional?

Inspiramo-nos na teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner e no movimento da Escola Moderna. Na prática, isto significa que reconhecemos que nem todas as crianças aprendem da mesma forma nem brilham da mesma maneira. O nosso currículo integra artes, desporto, teatro, ciências experimentais e escrita criativa como componentes essenciais do percurso – não como complementos acessórios. Utilizamos metodologias ativas: aprendizagem por projetos, trabalho colaborativo, debate estruturado e experiências práticas que colocam o aluno no centro do processo. O acompanhamento psicossocial, em articulação com a Certificação Mente Saudavelmente, da Ordem dos Psicólogos, garante que o desenvolvimento emocional recebe a mesma atenção que o percurso académico. A diferença face ao ensino tradicional está precisamente na centralidade do aluno: não ensinamos para um modelo único de sucesso, criamos condições para que cada criança descubra o seu próprio caminho de excelência.

 

 

Num contexto educativo exigente, como é assegurado o equilíbrio entre a promoção da excelência académica e o desenvolvimento das competências socioemocionais dos alunos?

Este equilíbrio começa numa decisão estrutural: turmas pequenas. Com turmas reduzidas, os professores conhecem cada aluno de forma profunda e conseguem ajustar o acompanhamento ao ritmo e às necessidades individuais. Excelência académica, para nós, não significa uniformidade – significa que cada aluno é desafiado ao nível que lhe corresponde. Paralelamente, trabalhamos de forma intencional o desenvolvimento socioemocional: autoestima, empatia, resiliência e tomada de decisões responsáveis. São competências que não aparecem nos rankings, mas que determinam o tipo de adulto que cada criança se tornará. A relação próxima com as famílias – que consideramos parceiras, não interlocutoras externas – reforça este trabalho. A nossa métrica mais importante é esta: educamos crianças felizes e preparadas para a vida.

 

 

Que objetivos estratégicos orientam o desenvolvimento do Astoria International School, particularmente no que respeita à sua afirmação no contexto educativo europeu e internacional?

A nossa ambição é consolidar o Astoria como referência em educação multilingue integrada no contexto europeu. A curto prazo, estamos a construir parcerias institucionais com escolas do 1.º Ciclo na região de Lisboa para apoiar famílias no momento da transição para o 5.º ano – um programa estruturado que oferece informação, Open Days dedicados e benefícios concretos. A médio prazo, queremos ampliar a nossa rede de certificações e parcerias internacionais, reforçando o posicionamento junto de famílias expatriadas e nómadas digitais que procuram em Lisboa uma escola com currículo português e verdadeira dimensão internacional. O objetivo não é crescer por crescer – é crescer com propósito, mantendo o que nos distingue: proximidade, rigor e atenção genuína a cada aluno.

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