A dermatite atópica (DA) em cães e gatos está associada a uma resposta imunitária indesejada e exagerada a substâncias, os alergénios, que os indivíduos saudáveis “ignoram”. No caso do cão, a DA considera-se uma doença inflamatória e pruriginosa da pele, de base imunitária, em resposta a diferentes alergénios, com forte componente hereditária, e associada a alterações da barreira cutânea e da flora microbiana.
As principais fontes alergénicas são, maioritariamente, ácaros do pó doméstico, pólenes e fungos, alimentos, produtos químicos, tecidos e ectoparasitas como as pulgas.
Com uma base genética, hereditária, Pastor Alemão, Labrador Retriever, Bulldogue Francês e Inglês, West Highland Terrier, Shih Tzu, Boxer, Pitbull e Pug são as raças caninas mais afetadas.

Diagnosticar DA no cão, passa por identificar diferentes critérios como início dos sintomas antes dos três anos, vivência predominantemente em ambiente interior, e prurido com lesões autoinfligidas, entre outros. No gato, a confirmação de atopia é um pouco mais elaborada, observando-se, geralmente, prurido e escoriações autoinduzidas na cabeça e pescoço, alopecia simétrica, e outras lesões inflamatórias cutâneas. Quer no cão, quer no gato, é fundamental excluir, à partida, causas não alérgicas de dermatite, como parasitárias, endócrinas, infecciosas, e autoimunes, que podem provocar sintomatologia semelhante. No caso do gato, a atopia pode, com alguma frequência, resultar também em manifestações brônquicas, como asma.
Nas últimas décadas, tal como em nós humanos, também nos animais se vem observando um acréscimo apreciável da prevalência de alergia. Na alergia ambiental, uma das mais expressivas, numa década observou-se uma tendência de aumento, de 30,7% em cães e de 11,5% nos gatos. Estima-se que a dermatite atópica afete 10-15% da população canina e 5-10% da felina, com a alergia alimentar a reivindicar 1-2% dos casos nos cães e 0,5-1% nos gatos.


O modo de vida ocidentalizado, que estendemos aos nossos animais de companhia, não será alheio àquela tendência, com o progressivo aquecimento global, prolongando a polinização e facilitando o desenvolvimento de espécies anteriormente mais meridionais, a contribuir também.
Assim, perante a crescente prevalência de DA em animais de companhia, com o prurido associado, frequentemente intenso, a originar complicações de saúde, por vezes graves, é muito importante diagnosticar devidamente, de forma a melhor poder direcionar o tratamento. Para tal, após um diagnóstico de DA, é necessário identificar ao que o animal é alérgico, seja a componentes ambientais como ácaros do pó doméstico, pólenes ou fungos, ou a alimentos, recorrendo a provas complementares (testes cutâneos e sanguíneos, e provas de exclusão alimentar). Com essa informação individualizada, podemos tratar cada indivíduo de acordo com a sua alergia específica, evitando, tanto quanto possível, o contacto com as substâncias às quais é alérgico, e recorrendo a modernos fármacos, mais eficazes e menos indutores de efeitos secundários a médio e longo prazo, bem como à imunoterapia específica, a qual, tal como na espécie humana, constitui o único tratamento com potencial curativo.







