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Da cozinha de casa à identidade de marca

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A partir de um simples blog de culinária, Sónia Melo construiu uma marca onde a intimidade da mesa se cruza com a identidade açoriana. Hoje, enquanto Private Chef, leva para cada experiência uma narrativa feita de memória, produto e autenticidade, afirmando a gastronomia dos Açores.

A Sónia tem 20 anos de experiência no mundo da culinária e começou com um simples blog de culinária: o que é que hoje já não consegue imaginar na trajetória da marca Chez Sónia e que, na altura, parecia distante ou até improvável?

Quando comecei, em 2006, com um simples blog de culinária, nunca imaginei que aquele espaço tão despretensioso pudesse dar origem a uma marca, a um serviço de Private Chef, a uma rubrica de televisão e a reconhecimentos nacionais e internacionais. Na altura, eu queria apenas partilhar receitas, memórias e sabores. Hoje, olhando para trás, acho que o mais improvável foi perceber que a minha forma de cozinhar e de receber podia transformar-se numa identidade profissional. A marca Chez Sónia nasceu de forma muito natural, mas cresceu com consistência, com trabalho e com uma ligação cada vez mais forte à minha identidade.

 

Sónia Melo, Private Chef | Foto Créditos @Duplo Foco – Fotografia

 

Em experiências de Private Chef, a cozinha torna-se um espaço privado e quase confidencial: como é que essa intimidade com o cliente transforma a forma como a Sónia conta a história dos Açores através dos pratos?

Numa experiência de Private Chef, a cozinha deixa de ser apenas o lugar onde preparamos a refeição. Passa a ser parte da casa, da conversa e do momento que o cliente está a viver. Há uma proximidade muito especial, porque estou a cozinhar num espaço que não é meu, mas onde sou recebida com confiança. Essa intimidade faz com que a história dos Açores não seja contada de forma distante ou encenada, mas através de detalhes: um ingrediente, uma memória, uma explicação simples, um aroma que desperta curiosidade, uma conversa à mesa. Para mim, é aí que a gastronomia ganha vida. Os Açores não aparecem apenas no prato; mas na forma de receber, no respeito pelo produto e na ligação genuína entre quem cozinha e quem se senta à mesa.

Sendo a Chez Sónia uma marca criada e desenvolvida nos Açores, como consegue manter consistência e identidade em contextos distintos, desde experiências intimistas até formatos mais institucionais ou mediáticos?

A consistência da nossa marca não está num formato fixo, mas numa forma de estar. Eu não nasci nos Açores, nasci em Lisboa. Mas vivo aqui, há cerca de 20 anos, e foi nos Açores, em São Miguel, que construí a minha vida, a minha marca e grande parte da minha identidade profissional.

E isso faz-me olhar para este território com respeito, gratidão e responsabilidade. Posso estar num jantar intimista, num evento institucional, numa entrevista ou numa gravação televisiva, mas há pilares que não mudam: respeito pelo produto, atenção ao detalhe, autenticidade, hospitalidade e ligação ao lugar onde estou. A marca adapta-se ao contexto sem perder a essência. Para mim, sofisticação não é complicar; é saber simplificar com intenção, criar conforto e fazer com que cada experiência pareça pensada para aquele momento e para aquelas pessoas.

Enquanto fundadora da Chez Sónia e membro da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, o que sente que ainda falta comunicar sobre a gastronomia açoriana ao mercado nacional e sobre aquilo que a Chez Sónia representa nessa narrativa?

Sinto que ainda há muito por comunicar sobre a gastronomia açoriana. Não é apenas tradição: é memória, território e produto, mas também criatividade e futuro. Temos ingredientes únicos, histórias fortes e uma identidade que merece ser mais conhecida. Enquanto membro da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, sinto uma grande responsabilidade. Para mim, é um compromisso com a valorização, preservação e divulgação da nossa gastronomia, sempre com respeito e sentido de missão.

A nossa marca reflete essa ponte: entre a cozinha de casa e uma experiência personalizada, entre a herança e a criação, entre a autenticidade açoriana e uma forma mais contemporânea de a levar à mesa. O meu objetivo é ajudar a que esta gastronomia seja sentida, compreendida e valorizada.

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